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Resumo de hepatite C (completo) – Sanarflix

Resumo de hepatite C (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

8 min há 344 dias

Definição

O vírus da hepatite C (HCV) pode causar lesão hepática aguda e crônica. A hepatite aguda é um quadro com poucas repercussões clínicas, geralmente autolimitado, que raramente cursa com insuficiência hepática fulminante.

Já a infecção crônica pelo HCV tem evolução progressiva por muitos anos e pode resultar em carcinoma hepatocelular (CHC), cirrose hepática e morte. 

Epidemiologia de Hepatite C

Existem aproximadamente 71 milhões de pessoas infectadas com o HCV no mundo, com uma taxa de mortalidade próxima de 400 mil todo ano, principalmente por cirrose hepática e CHC.

O principal meio de transmissão é por via parenteral, a partir do compartilhamento ou acidentes com objetos perfurocortantes contaminados. A transmissão sexual é possível, mas é responsável apenas por casos esporádicos de hepatite C. 

O Ministério da Saúde estima que a prevalência de pessoas sororreagentes (anti- HCV positivos) seja de aproximadamente 0,7%, o que corresponde a cerca de 700 mil casos que necessitam de tratamento no Brasil. No entanto, dados mais apurados são necessários para subsidiar o planejamento de ações preventivas, a fim de controlar a doença na população. 

Virologia e Fisiopatologia

O HCV é um vírus RNA pertence a família Flaviviridae, e é um representante do gênero Hepacivirus. Existem, pelo menos, 7 genótipos e 67 subtipos do vírus. Os genótipos chegam a apresentar 30 a 50% de diferença no seu RNA. O tratamento varia de acordo com os diferentes genótipos. 

O genótipo 1 é o mais prevalente em todo o mundo e é responsável por 46% de todas as infecções pelo HCV, seguido pelo genótipo 3 (30%). O mesmo se observa no Brasil, com pequenas variações na proporção de prevalência desses genótipos. Por exemplo, o genótipo 2 é mais frequente na região Centro-Oeste, enquanto o genótipo 3 é mais comumente detectado na região Sul. 

Acredita-se que o principal mecanismo de lesão as células hepáticas seja mediada pelo sistema imunológico do próprio hospedeiro em resposta a presença do vírus. Na análise histopatológica de portadores de hepatite C, observou-se esteatose micro ou macrovesicular, dano nos ductos biliares e agrupamentos de células linfocitárias. 

Quadro clínico de Hepatite C

A maioria dos pacientes com infecção aguda pelo HCV apresenta evolução subclínica, que é assintomática e anictérica. Os poucos pacientes sintomáticos podem apresentar icterícia, náusea, colúria e dor no quadrante superior direito. A doença aguda geralmente dura de 2 a 12 semanas. 

Os pacientes com infecção aguda pelo VHC geralmente apresentam elevações moderadas a altas das aminotransferases séricas. A insuficiência hepática fulminante devido à infecção aguda pelo HCV é muito rara, mas pode ser mais comum em pacientes com infecção crônica pelo vírus da hepatite B. 

Habitualmente, a hepatite C é descoberta em sua fase crônica e, como os sintomas são muitas vezes escassos e inespecíficos, a doença pode evoluir durante décadas sem diagnóstico. Comumente, o diagnóstico é feito a partir de teste sorológico de rotina. Esse fato reitera a importância no aumento da oferta de testes sorológicos, especialmente para as populações vulneráveis ao HCV.

A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter insidioso e se caracteriza por um processo inflamatório persistente. Na ausência de tratamento, cerca de 20% evolui para cirrose ao longo do tempo. Se o paciente evoluir com cirrose, o risco de CHC também aumenta de 1 a 5% ao cada ano. 

Existe o risco descompensação da cirrose de 3% a 6% a cada ano. Além disso, após um primeiro episódio de descompensação hepática, o risco de óbito é de 15% a 20% a cada ano. A progressão da cirrose pode ser acelerada em pacientes alcoolistas ou coinfectados pelo HIV. 

A evolução para óbito no paciente com hepatite C, geralmente, decorre de complicações da hepatopatia crônica, como insuficiência hepatocelular, hipertensão portal (varizes gastroesofágicas, hemorragia digestiva alta e ascite), encefalopatia hepática, distúrbios de coagulação e desenvolvimento de CHC.

Diagnóstico de Hepatite C

Como vimos, a hepatite C é uma doença que se expressa de maneira silenciosa na maioria dos casos, por isso o diagnóstico laboratorial se torna essencial. 

Um RNA de HCV por reação em cadeia da polimerase (PCR) pode ser detectável no soro ou plasma antes da presença do anti-HCV. A presença dos anticorpos anti-HCV ocorre mais tardiamente, cerca de 30 a 60 dias após a exposição ao vírus.

Os níveis séricos do RNA viral aumentam rapidamente durante as primeiras semanas, atingindo os valores máximos imediatamente antes do pico dos níveis séricos de aminotransferases, podendo coincidir com o início dos sintomas. 

Na infecção crônica, o anti-HCV indica apenas que o paciente teve contato com o vírus previamente e não permite diferenciar uma infecção resolvida naturalmente de uma infecção ativa. Por este motivo, um resultado anti-HCV reagente precisa ser complementado por meio de um teste para detecção direta do vírus. 

Os testes moleculares devem ser utilizados para detectar o HCV-RNA circulante no paciente e, portanto, confirmar a presença de infecção ativa. Eles são chamados também de teste de carga viral, pois são capazes de quantificar o número de cópias de genomas virais circulantes em um paciente. 

Estadiamento da lesão hepática

Recomenda-se que o estadiamento da doença hepática seja realizado para todos os pacientes infectados pelo HCV para avaliar ausência ou presença de doença hepática avançada e, assim, definir o melhor esquema terapêutico. 

As características clínicas ou ultrassonográficas que definem doença hepática avançada são: presença de circulação colateral, fígado e bordas irregulares, esplenomegalia, aumento do calibre da veia porta, redução do fluxo portal, ascite e varizes esofágicas. 

Além da clínica, o estadiamento poderá ser realizado por qualquer um dos métodos disponíveis: APRI (Índice de relação aspartato aminotransferase sobre plaquetas) ou FIB4 (Fibrosis-4), biópsia hepática ou elastografia hepática. Os métodos de APRI e FIB4 são mais indicados devido sua praticidade e disponibilidade. 

Tratamento de Hepatite C

O objetivo da terapia antiviral em pacientes com o vírus da hepatite C crônica (HCV) é erradicar o RNA do HCV, que é previsto pela obtenção de uma resposta virológica sustentada (RVS), definida como um nível de RNA indetectável 12 semanas após a conclusão de terapia.

Atualmente existe um arsenal amplo de antivirais disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que possuem alta efetividade terapêutica no tratamento da hepatite C. Confira na tabela abaixo as drogas e suas respectivas posologias:

Hepatite-C-antivirais-disponíveis-pelo-Sistema-Único-de-Saúde-SUS
Fonte: DIAHV/SVS/Ministério da saúde

Todos os pacientes com diagnóstico de infecção pelo HCV devem ser tratados, exceto: 

  • Crianças com idade inferior a 3 anos; 
  • Pacientes oncológicos com cirrose Child-Pugh B ou C, ou cuja expectativa de vida seja inferior a 12 meses;
  • Pacientes adultos com cirrose descompensada e indicação de transplante hepático com MELD score ≥20, ainda não submetidos a transplante hepático e que a expectativa de transplante seja inferior a 6 meses;
  • Pacientes com hipersensibilidade ou intolerâncias que impossibilitem o uso de todas as alternativas terapêuticas. 

De forma geral, a efetividade terapêutica, mensurada pela RVS, é absolutamente comparável entre todos os esquemas propostos nas diretrizes nacionais: 

Hepatite C - Indicação de tempo de tratamento por medicamento e condição clínica
Fonte: Fonte: DIAHV/SVS/Ministério da saúde

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