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Quem é o médico brasileiro? Panorama da medicina na última década

Quem é o médico brasileiro? Panorama da medicina na última década

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Tudo que você precisa saber para entender o panorama da medicina!

Você sabe quem é o atual médico brasileiro? A palavra chave desta pergunta é o termo “atual”. Afinal, na última década a medicina no Brasil sofreu mudanças importantes, que serão o tema deste nosso post.

Confira aqui como o número de médicos cresceu de forma impressionante. Além disso, acompanhe a mudança do perfil deste médico, que é cada vez mais feminino e jovem. 

Número de médicos cresceu de forma impressionante

Em 2020, o Brasil atingiu a incrível marca de possuir 500 mil médicos registrados. Isto implica em 2,38 médicos para cada 1.000 habitantes. O motivo?

Você já deve imaginar: a abertura das novas escolas de medicina pelo país. A ampliação das vagas já existentes também contribuiu para a marca de meio milhão de médicos brasileiros.

Para termos uma ideia comparativa, a taxa do número de médicos por habitantes sofreu uma ascensão maior que a taxa de crescimento populacional: 

Fonte: Demografia médica no Brasil, 2020. 

Panorama da medicina: mudança no perfil do gênero na medicina

Se em 1990 as mulheres representavam somente 30% dos médicos, hoje essa realidade é muito diferente. Apesar dos homens ainda estarem em maioria, o número de mulheres na profissão médica está em ascensão contínua.

Atualmente, as mulheres representam 46,6% do total de médicos do país. Se considerarmos o perfil mais jovem, as mulheres já são maioria. São 58,5% de representatividade no perfil de médicos com até 29 anos, e 55,3% naqueles entre 30 e 34 anos. 

Médicos cada vez mais jovens

A entrada de novos médicos no mercado vem causando um fenômeno de rejuvenescimento do perfil da medicina brasileira. A média de idade dos médicos vem caindo ao longo dos tempos.

Em 2020, a média de idade do médico brasileiro é de 45 anos, e a da médica brasileira é de 42 anos. 

Fonte: Demografia médica no Brasil, 2020

Desigualdade da distribuição geográfica dos médicos

Apesar do número crescente de médicos no país, há uma desigualdade importante na distribuição dos mesmos. Essa desigualdade é vista não apenas entre as diferentes regiões do país, mas também na concentração dos médicos nas capitais. 

Se a média nacional é de 2,27 médicos por mil habitantes, algumas regiões, como as regiões do Norte e Nordeste, possuem taxas muito menores que a nacional (1,30 e 1,39, respectivamente). Enquanto regiões como Sudeste e Centro-Oeste possuem número de médicos por mil habitantes maiores que a média nacional (3,15 e 2,74, respectivamente).

Ainda, dentro de uma mesma região, há também desigualdades marcantes na distribuição entre médicos concentrados nas capitais e nas cidades do interior.

A diferença é muito gritante. Enquanto as capitais concentram 5,65 médicos por mil habitantes, este número é de apenas 1,49 nas cidades do interior. 

Em algumas regiões do Norte e do Nordeste, cidades do interior contam com um ou menos de um médico a cada mil habitantes.

O estado com a pior razão no número de médicos por habitantes nas cidades do interior é o do Amazonas. São 0,19 médicos a cada mil habitantes. 

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Considerações finais sobre o panorama da medicina

Apesar do aumento para a impressionante marca de meio milhão de médicos no país, permanecem desigualdades importantes.

Isto nos leva a refletir se a abertura de novas escolas médicas, bem como a expansão dos números de vagas de medicina, é realmente a melhor solução para suprir a necessidade de médicos do país.

A abertura escalada de novas vagas pode não beneficiar de forma igualitária as diferentes regiões. É alarmante a escassez de médicos em alguns locais do país, especialmente nas cidades do interior do Norte e Nordeste. 

A concentração de médicos nas capitais é um problema antigo na medicina brasileira, que possui diversos fatores contribuintes para o fenômeno. 

Há uma certa insegurança para a carreira do médico no interior. Sabemos que os empregos oferecidos não possuem planos de carreira bem estabelecidos. E o médico fica, muita das vezes, à mercê dos políticos e autoridades de um município. 

Existe ainda no imaginário dos médicos, principalmente daqueles que se especializam, a ideia de que para ter sucesso é necessário estar nas grandes capitais.

É verdade que algumas especialidades irão requerer um mínimo de estrutura para poderem se desenvolver. 

Um cirurgião não consegue operar se não estiver em um hospital com centro cirúrgico, por exemplo. Mas o que alguns médicos ainda não conseguem enxergar é a oportunidade de construir uma carreira de sucesso no interior. 

O que pode ser feito para mudar o cenário?

Sabemos da escassez de profissionais nestes locais, e em cidades de médio porte, ou naqueles municípios satélites, é possível atuar de forma a garantir um bom número de pacientes fidelizados a você, principalmente naquelas especialidades que não demandam alta tecnologia para atuação. 

Além disso, é necessário que políticas públicas de incentivo aos postos de trabalho no interior possam garantir ao médico um plano de carreira sólido, seguro e bem remunerado. 

Por fim, devemos considerar um ponto positivo nos dados apresentados pela demografia médica de 2020: o número de mulheres na medicina está cada vez maior.

Isto reflete a inserção feminina na profissão, tornando igualitária a presença da mulher em profissões antes predominantemente marcadas pela presença masculina. 


Fonte: Demografia médica no Brasil, 2020.