Dicas para carreira

Quem foi a primeira mulher médica do Brasil?

Quem foi a primeira mulher médica do Brasil?

Compartilhar
Imagem de perfil de Carreira Médica

Apesar de os homens ainda serem maioria na medicina, a cada ano essa diferença diminui e cresce o número de mulheres ingressando na profissão. Mas nem sempre foi assim. O ano era 1860 e nascia a mulher que se tornaria a primeira médica Brasileira: Maria Augusta Generoso Estrella.

Trajetória de Maria Augusta Generoso Estrella

Em uma época onde o ensino ofertado às mulheres baseava-se em internatos e a base do conhecimento exigido dizia respeito aos códigos sociais e boas maneiras, um trágico acidente foi capaz de despertar mudanças sociais nesse período.

Assim como as outras meninas da época, Maria Augusta estudava em um internato na capital do Império do Brasil, o Rio de Janeiro, onde nasceu.

Ao completar 13 anos, a garota fez uma viagem com a sua família para visitar parentes em Portugal. Lá, estudou por seis meses no Colégio Villa Real, onde causou admiração por conta de sua inteligência.

Após esse período, durante a volta para o Brasil, a embarcação onde estava a menina e a sua família sofre um acidente, colidindo com outra embarcação.

A jovem, que ainda não possuía nenhuma experiência, ajudou no salvamento de alguns passageiros e até de membros da tripulação. O ato foi considerado heroico e lhe conferiu certa popularidade entre as autoridades brasileiras da época.

Uma inspiração…

No ano seguinte, em 1874, durante seu momento de leitura, a jovem se deparou com a história de Elizabeth Blackwell, a primeira mulher americana a concluir o curso de medicina em Nova York, nos Estados Unidos, no ano de 1847. Inspirada por essa história, Maria Augusta decide que queria tornar-se a primeira médica do Brasil.

Nessa época, a legislação brasileira proibia o acesso de mulheres a cursos superiores. Foi com o apoio do seu pai, Albino Estrella, que ela partiu em 1875 para estudar medicina no New York Medical College and Hospital for Women.

Com ajuda financeira do imperador Dom Pedro II, após a falência da empresa do seu pai, Maria Augusta conseguiu concluir o curso em 1879, aos 19 anos de idade.

Mudanças Sociais

Inspirado pela conquista de Maria Augusta, em 19 de abril de 1879, Dom Pedro II publica um decreto abrindo as portas das universidades brasileiras às mulheres. Reformando o ensino primário, secundário e superior.

Em 1881, junto com outra mulher chamada Josefa A. F. M. de Oliveira, Maria Augusta fundou um jornal chamado “A Mulher”. Nele, defendiam o direito das mulheres de estudar medicina sem passar por preconceitos e perseguições.

Primeira médica formada no Brasil

Essa é a história da primeira mulher médica no Brasil. Ela nos traz exemplos de luta e de autoafirmação da mulher nos mais diversos âmbitos sociais.

Proibições e preconceitos marcaram o início da carreira dessas pioneiras e, de lá pra cá, ocupar esse espaço foi uma tarefa realizada por muitas outras mulheres. Um outro caso de pioneirismo na carreira médica feminina foi o de Rita Lobato Velho Lopes, a primeira mulher médica formada no Brasil.

Motivada por evitar que situações como a que ocasionou a morte da mãe se repetissem, Rita traçou como meta se especializar em obstetrícia. Queria poupar outras mulheres de mortes durante o parto. Seu público era majoritariamente feminino e de diferentes classes sociais. Maria Augusta também direcionava os seus atendimentos aos cuidados com as mulheres e as crianças.

A mulher médica na atualidade

Desde então, a feminização da medicina vem em uma crescente, como mostram os dados da Demografia Médica no Brasil – 2020. Segundo eles, em 2020, os homens representavam 53,4% da população de médicos e as mulheres, 46,6%.

Há cinco anos, na pesquisa de 2015, médicos homens somavam 57,5% do total, e as médicas, 42,5%. Trinta anos atrás, em 1990, as mulheres eram 30,8%. 

Essa mudança tem sido associada à diversos avanços, como por exemplo:

  • Harmonização da relação médico-paciente: com estilos mais democráticos de comunicação, envolvendo o paciente na tomada de decisão;
  • Eficácia das ações preventivas;
  • Otimização de recursos: por tendência a utilizar menos tecnologias desnecessárias;
  • Melhor atendimento às populações em contexto de vulnerabilidade.

Com todos esses exemplos, torcemos para que a história se repita e que as mulheres continuem inspirando umas às outras. Seguindo os seus sonhos e protagonizando a tomada de decisões em todas as áreas da vida.

Além da construção de uma carreira profissional com igualdade na remuneração, respeito e aceitação. Pondo fim em todas as formas de violência contra a mulher.

Conteúdos Relacionados