O ambiente de uma emergência é motivo de fervor entre alguns, ao mesmo passo que desperta o temor de outros. Ao longo deste Super Material, temos como objetivo desmistificar qualquer impressão prévia que você tenha deste ramo essencial da medicina, bem como demonstrar como o raciocínio clínico deve ser conduzido no mesmo.
Definição de raciocínio clínico na Emergência
O raciocínio clínico pode ser definido como o exercício de julgar sobre incerteza durante o cuidado do paciente ou o caminho cognitivo que o médico segue na tomada de decisão.
Raciocínio clínico na Emergência
A realidade da emergência consiste em consultas curtas e bem direcionadas, já que as queixas são urgentes, graves e, muitas vezes, podem representar risco iminente de morte.
Outro fator complicador é o desconhecimento da história prévia, principalmente em casos de trauma em que o paciente se encontra inconsciente e não há nenhum familiar ou testemunha do acontecimento presente.
Desta forma, na emergência, a prioridade é a identificação da gravidade do paciente e estabilização do mesmo. Estando o paciente estável, deve-se identificar doenças potencialmente graves e adotar protocolos e condutas compatíveis com as mesmas.
No atendimento pré-hospitalar, antes deste passo a passo, é extremamente importante que a segurança do local seja verificada e o atendimento só deve ser realizado quando a equipe não estiver exposta a riscos.
Identificação e estabilização do paciente grave
A identificação do paciente grave deve ser realizada através do atendimento inicial, sumarizado pelo ABCD:
Airways – Vias aéreas
Deve-se:
-
Verificar se paciente tem as vias aéreas pérvias: conversar com paciente, procurar por sinais de obstrução (estridor, respiração ruidosa, cianose, corpo estranho);
-
Verificar se tem capacidade de proteger vias aéreas: avaliar se os reflexos protetores estão intactos (através da observação de deglutição espontânea ou voluntária e da presença de secreções na orofaringe posterior), buscando verificar o risco de aspiração;
Caso alterações sejam observadas, deve-se realizar manobras de liberação de vias aéreas: Chin-lift ou Jaw-Thrust. Ademais, é essencial retirar corpos estranhos ou aspirar conteúdos que prejudiquem a perviedade das vias aéreas.

Imagem: Manobra Chin-lift: elevação do mento. Fonte: ATLS, 2018.

Imagem: Manobra Jaw-Thrust: anteriorização da mandíbula. Fonte: ATLS, 2018.
SE LIGA! Se o paciente se apresentar arresponsivo, ativa-se imediatamente o protocolo de parada cardiorrespiratória, e após checagem de pulso e respiração, inicia-se as compressões e ventilações com proporção 30:2.
Breathing – Ventilação
Deve-se avaliar simetria, expansibilidade, uso de musculatura acessória, padrão respiratório, ausculta, palpação e percussão. Havendo alterações patológicas é essencial o suporte de O2, seja ventilação não invasiva (VNI), intubação orotraqueal (IOT), ventilação mecânica ou outros dispositivos mais simples (cateter nasal, máscara de Venturi, máscara não reinalante), a depender da gravidade do quadro clínico.
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