Farmacologia

Resumo: Corticoides | Ligas

Resumo: Corticoides | Ligas

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Definição

Os fármacos corticoides são miméticos dos hormônios corticosteroides. Eles são produzidos pelo corpo no córtex da glândula suprarrenal, sendo divididos em glicocorticoides e mineralocorticoides. Os receptores dos glicocorticoides estão distribuídos em diversos tecidos do corpo, interferindo desde o metabolismo de carboidratos e proteínas até a regulação de mecanismos de defesa do organismo. Enquanto isso, os receptores dos mineralocorticoides estão presentes, majoritariamente, nos órgãos excretores.

Apresentação dos corticoides

Os corticoides se apresentam das mais variadas formas, sendo os principais deles:

  • Beclometasona (aerossóis inalados ou nasais)
  • Betametasona (IV, IM e tópico)
    • Equivalência de dose: 0,6mg
    • Tempo de ação: longo
  • Budesonida (aerossóis inalados ou nasais)
  • Cortisona (Oral)
    • Equivalência de dose: 25mg
    • Tempo de ação: curto
  • Ciclesonida (aerossóis inalados ou nasais)
  • Dexametasona (IV, IM e oral)
    • Equivalência de dose: 0,75mg
    • Tempo de ação: longo
  • Flunisolida (aerossóis inalados ou nasais)
  • Fluticasona (aerossóis inalados ou nasais)
  • Hidrocortisona (IV, IM e tópico)
    • Equivalência de dose: 20mg
    • Tempo de ação: curto
  • Metilprednisolona (IV, IM, oral e intra-articular)
    • Equivalência de dose: 4mg
    • Tempo de ação: intermediário
  • Mometasona (aerossóis inalados ou nasais e tópico)
  • Prednisolona (IV e IM)
    • Equivalência de dose: 5mg
    • Tempo de ação: intermediário
  • Triancinolona (IM, oral, intra-articular, tópico e aerossóis inalados ou nasais)
    • Equivalência de dose: 4mg
    • Tempo de ação: intermediário

Mecanismos de ação

O principal mecanismo de ação anti-inflamatória dos corticoides é o bloqueio duplo da cascata do ácido araquidônico, por meio da indução da lipocortina, que age inibindo a fosfolipase A2 e da inibição das COXs, que possuem papel crucial na mediação da inflamação ao produzir prostaglandinas e prostaciclinas. Também inibem a síntese e liberação de TNF-α, interleucinas de 1 a 8, interferon γ e a ativação de células T por citocinas. Possuem efeito inibidor da função de fibroblastos, com menor produção de colágeno e glicosaminoglicanos e certa redução na cicatrização e reparo.

Além disso, agem nas células sanguíneas, reduzindo o número de macrófagos, eosinófilos e linfócitos e suas ações. Aumentam a quantidade de neutrófilos por recrutamento, redistribuindo seu pool, contudo, sem influência significativa na síntese de anticorpos.

Farmacocinética e Farmacodinâmica dos corticoides

Após serem absorvidos, a maioria dos glicocorticoides são transportados ligados a proteínas plasmáticas, em especial a globulina de ligação de corticoides (CBG) e à albumina, sendo inativos biologicamente quando associados, entrando nas células por difusão.

A meia vida plasmática da cortisona é de até 90 minutos, porém os seus efeitos biológicos podem durar de 2 à 8h. São metabolizados por enzimas oxidantes microssomais hepáticas e seus metabólitos são conjugados com o ácido glicurônico ou sulfato, sendo excretados pelo rim posteriormente.

Indicações

Devido ao seu efeito anti-inflamatório, a gama de indicações dos corticosteroides é grande, podendo ser utilizados em doenças reumáticas, alérgicas, distúrbios inflamatórios e cânceres. Entre as indicações, incluem-se: tratamento de reposição na doença de Addison (insuficiência suprarrenal primária) e na insuficiência suprarrenal secundária/terciária; diagnóstico da Síndrome de Cushing; tratamento de reposição para a hiperplasia suprarrenal congênita; alívio de diversos sintomas inflamatórios; tratamento de alergias; e aceleração de maturação pulmonar em prematuros.

Contraindicações    

É contraindicado em pacientes com infecções fúngicas sistêmicas ou hipersensibilidade à corticosteroides.

Efeitos adversos

Como os corticosteroides têm ações sistêmicas, seu uso inadvertido pode causar efeitos adversos variados, sendo normalmente dose-dependentes.

Adulto

Osteoporose, com consequente risco de fraturas, devido a supressão da absorção intestinal de cálcio; Síndrome de Cushing iatrogênica; aumento da incidência de cataratas/glaucoma para predispostos geneticamente; hiperglicemia com possibilidade de desenvolvimento de diabetes; e supressão da resposta a infecções, com possível agravamento de infecções oportunistas.

Criança

Caso o tratamento seja prolongado por mais de 6 meses, há retardo no crescimento.

Retirada

A descontinuação desses fármacos pode ser um problema quando seu uso ocorre por mais de 14 dias. Isso porque sua administração pode suprimir o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, podendo causar uma insuficiência suprarrenal aguda, potencialmente fatal. Dessa forma, sua retirada deve ser gradual de acordo com a tolerância individual, sendo recomendada a monitorização do paciente.

Interações medicamentosas

Se usado juntamente com fenobarbital, fenitoína, rifampicina ou efedrina pode aumentar o metabolismo dos corticosteroides, reduzindo o efeito da terapia. A metabolização desses fármacos é feita pela enzima CYP3A4, então, produtos que contenham cetoconazol, itraconazol, claritromicina, ritonavir e cobicistate (inibidores potentes da CYP3A4) podem levar ao aumento da concentração plasmática dos corticosteroides, elevando o risco de efeitos adversos.

O uso concomitante com diuréticos que reduzem a concentração de potássio pode intensificar a hipocalemia, assim como o uso com glicosídeos cardíacos pode aumentar os eventos arrítmicos e intoxicação digitálica associada a hipocalemia. Além disso, se associado a anticoagulantes cumarínicos podem alterar os efeitos anticoagulantes (para mais ou para menos) sendo possível o reajuste posológico.

Os glicocorticoides associados a AINEs ou álcool podem aumentar a incidência/gravidade de úlceras gastrointestinais. Nas hipoprotrombinemias, o ácido acetilsalicílico deve ser administrado com precaução, já que os corticosteroides podem reduzir as concentrações plasmáticas de salicilato. Por fim, em diabéticos, o tratamento com glicocorticoides pode inibir a resposta à somatotropina, portanto, poderá ser preciso reajuste nas doses dos fármacos hipoglicemiantes.

Autores, revisores e orientadores:

Autor(a): Diego Sampaio Duque Vitório – @dsduque1

Revisor(a): Gabriel Martins Nogueira – @lenogs

Orientador(a): Bárbara Maria Oliveira de Souza

Liga: Liga Acadêmica de Nefrologia (LANEF) – @lanefbahiana

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