Saiba tudo sobre a anatomia do útero: divisão anatômica, ligamentos, sustentação, vascularização e mais!
O útero consiste no mais importante órgão do aparelho reprodutor feminino. Trata-se de uma estrutura anatômica muscular oca, piriforme (formato que lembra uma pera), com paredes espessas.
As paredes musculares uterinas possuem a capacidade de adaptar-se ao crescimento do feto e garantem a força (durante a contração) para sua expulsão durante o parto.
O útero não-gravídico geralmente localiza-se na pelve menor, com o corpo repousando sobre a bexiga urinária e o colo, entre a bexiga urinária e o reto. Todavia, ele é uma estrutura muito dinâmica, cujas dimensões e proporções modificam-se durante as várias fases da vida.
Embora seu tamanho varie muito, ele tem cerca de 7,5 cm de comprimento, 5 cm de largura e 2 cm de espessura e pesa cerca de 90 gramas.
Na mulher adulta, período reprodutivo, o útero geralmente encontra-se antevertido (inclinado anterossuperiormente em relação ao eixo da vagina) e antefletido (fletido ou curvado anteriormente em relação ao colo, criando o ângulo de flexão), de modo que sua massa repousa sobre a bexiga urinária.
O principal objetivo do órgão é acomodar o embrião, e posteriormente o feto, durante o desenvolvimento (cerca de 40 semanas). Dessa forma, o ciclo uterino é composto por uma sequência de alterações no endométrio, induzidas pelo estrógeno e pela progesterona, com o objetivo de preparar o útero para a possível implantação de um óvulo fertilizado, que se desenvolverá no endométrio até o nascimento.
Anatomia do útero: divisão anatômica
O útero divide-se em três partes principais: o fundo, o corpo e o colo. Além disso, possui uma cavidade luminal.
Fundo do útero
O fundo do útero localiza-se acima das trompas e apresenta formato de domo.
Corpo do útero
O corpo do útero corresponde a porção central cônica, que forma a cavidade uterina em seu interior.
Situa-se entre as lâminas do ligamento largo e é livremente móvel. Possui duas faces: a anterior (que relaciona-se diretamente com a bexiga urinária) e a posterior (relaciona-se com o intestino). Esta porção é separada do colo pelo istmo do útero, um segmento relativamente estreito, com cerca de 1 cm de comprimento.
Colo do útero
O colo do útero, por sua vez, corresponde ao terço inferior. É cilíndrico e relativamente estreito, com comprimento aproximado de 2,5 cm em uma mulher adulta não grávida.
Para fins descritivos, divide-se em duas porções: uma porção supravaginal entre o istmo e a vagina, e uma porção vaginal, que projeta-se para a parte superior da parede anterior da vagina.
As células que revestem o canal do colo do útero produzem o muco cervical, uma substância que contribui para a nutrição dos espermatozoides e os protege das condições adversas do ambiente vaginal. A consistência desse muco varia ao longo do ciclo reprodutivo feminino, tornando-se mais fluida durante a ovulação, o que favorece a passagem e a mobilidade dos espermatozoides pelo colo do útero. Nos outros períodos, o muco adquire uma textura mais densa, criando uma barreira física contra a entrada dos espermatozoides. Essa viscosidade aumentada e a formação dessa barreira também ocorrem ao longo da gestação.
Cavidade do útero
Por fim, a cavidade do útero assemelha-se a uma estreita fenda, tem cerca de 6 cm de comprimento do óstio uterino até a parede do fundo. Os cornos do útero são as regiões superolaterais da cavidade uterina, por onde penetram as tubas uterinas.
Esta cavidade é contínua inferiormente com o canal do colo e juntamente com o lúmen da vagina constituem o canal de parto que o feto atravessa ao fim da gestação.
Anatomia do útero: parede uterina
A parede uterina forma-se a partir de três camadas: perimétrio, miométrio e endométrio.
Perimétrio
Trata-se da túnica serosa ou revestimento seroso externo do útero, ou seja, consiste em peritônio visceral que se sustenta por uma fina lâmina de tecido conjuntivo envolvendo externamente o órgão. Além disso, participa da formação dos ligamentos largos e reveste a bexiga.
Miométrio
Trata-se da camada média do útero, formada de fibras de músculo liso, sobrepostas em diferentes direções, que separam-se por tecido conjuntivo. Os principais ramos dos vasos sanguíneos e nervos do útero localizam-se nessa camada.
Durante a gestação fica muito distendido (mais extensa, porém muito mais fina). E, durante o trabalho de parto, a contração do miométrio é estimulada hormonalmente a intervalos cada vez menores para dilatar o óstio do colo e expelir o feto e a placenta. Ademais, durante a menstruação, as contrações involuntárias do miométrio podem causar cólica (dismenorreia).
A quantidade de tecido muscular no colo uterino é bem menor do que no corpo. O colo uterino é, em sua maior parte, fibroso e consiste principalmente de colágeno com uma pequena quantidade de músculo liso e elastina, sendo capaz de dilatar mais do que contrair.
Endométrio
É a túnica mucosa interna, formado por epitélio colunar simples com inúmeras glândulas tubulosas endometriais.
Trata-se de uma camada que está firmemente aderida ao miométrio subjacente, sendo formado por células secretoras e ciliadas que revestem o lúmen, além de tecido conjuntivo e glandular. Ademais, possui uma rica vascularização, que renova-se em todos os ciclos menstruais.
Participa ativamente do ciclo menstrual, sofrendo modificações de sua estrutura a cada estágio (ciclos de 28 dias). Se houver concepção, o blastocisto implanta-se nessa camada; quando não há, a face interna dessa camada, mais espessa, passa por uma importante descamação e é eliminada durante a menstruação.
Portanto, durante a fase proliferativa, também conhecida como estrogênica, o revestimento interno do endométrio torna-se bastante fino após a descamação ocorrida na fase menstrual. Nessa etapa, o endométrio cobre-se por um epitélio colunar simples e apresenta uma grande quantidade de glândulas tubulares retilíneas.
Na fase secretora, por sua vez, o endométrio atinge sua espessura máxima de 5 mm devido ao crescimento da mucosa, ao acúmulo de secreções e ao edema do estroma. Sob o efeito da progesterona, as glândulas aumentam de tamanho e apresentam um formato tortuoso.
Anatomia do útero: ligamentos uterinos
A posição do útero sustenta-se por diversos ligamentos, que mantêm o fundo uterino inclinado para frente e para cima, enquanto o colo direciona-se para trás e para baixo, configuração conhecida como anteflexão.
Esses ligamentos são compostos principalmente por extensões do peritônio parietal e são responsáveis por fixar o útero à cavidade pélvica.
Entre os ligamentos mais importantes estão:
- Ligamento útero-ovárico – Fixa-se ao útero posteroinferiormente à junção uterotubária.
- Ligamento redondo do útero – Fixa-se anteroinferiormente a essa junção.
- Ligamento largo do útero – É uma dupla lâmina de peritônio que estende-se das laterais do útero até as paredes laterais e o assoalho da pelve. As duas lâminas do ligamento largo são contínuas entre si em uma margem livre que circunda a tuba uterina.
Anatomia do útero: sustentação uterina
Como mencionado, o útero é uma estrutura densa que situa-se no centro da cavidade pélvica. As principais sustentações do útero que o mantém nessa posição são passivas e ativas ou dinâmicas.
A sustentação dinâmica do útero é propiciada pelo diafragma da pelve. Seu tônus em sedestação (mulher sentada), em ortostatismo (de pé) e a contração ativa durante períodos de aumento da pressão intra-abdominal (espirro, tosse etc.) são transmitidos através dos órgãos pélvicos adjacentes e da fáscia endopélvica que o cercam.
Já a sustentação passiva do útero é proporcionada por sua posição anatômica, isto é, o modo como o útero normalmente antevertido e antefletido fica apoiado sobre o topo da bexiga urinária.
Quando a pressão intra-abdominal aumenta, o útero é pressionado contra a bexiga urinária. O colo do útero é a parte menos móvel do órgão em razão da sustentação passiva proporcionada por condensações de fáscia parietal da pelve (ligamentos) fixadas a ele, que também contém músculo liso.
Juntas, essas sustentações passivas e ativas mantêm o útero centralizado na cavidade pélvica e resistem à tendência de que o útero caia, ou seja, empurrado através da vagina diante da gravidade e pressão das vísceras abdominopélvicas.
Anatomia do útero: relações anatômicas
O peritônio cobre a porção anterior e superior, com exceção do colo uterino.
Anteriormente, o corpo do útero separa-se da bexiga urinária pela escavação vesicouterina, onde o peritônio reflete-se sobre a margem posterior da face superior da bexiga urinária.
Posteriormente, o corpo do útero e a porção supravaginal do colo são separados do colo sigmoide por uma lâmina de peritônio e da cavidade peritoneal e do reto pela escavação retouterina.
Lateralmente, a artéria uterina cruza o ureter superiormente, perto do colo do útero.
Anatomia do útero: vascularização
A vascularização do útero provém principalmente das artérias uterinas, com possível irrigação colateral das artérias ováricas.
Já a drenagem venosa do órgão, por sua vez, fica à cargo das veias uterinas, que penetram nos ligamentos largos junto com as artérias e formam um plexo venoso uterino de cada lado do colo. As veias do plexo uterino drenam para as veias ilíacas internas.
Anatomia do útero: inervação
A inervação do útero é fornecida pelo plexo hipogástrico inferior, por meio do plexo nervoso uterovaginal, assim como ocorre com a vagina.
Anatomia do útero: drenagem linfática
A drenagem linfática do útero, por sua vez, direciona-se para os linfonodos lombares, inguinais superficiais, além dos ilíacos internos, externos e sacrais.
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Referências
- Moore, Keith L. Anatomia orientada para a clínica / Keith L. Moore, Arthur F. Dalley, Anne M. R. Agur; tradução Claudia Lúcia Caetano de Araújo. – 8. ed. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019. : il. Tradução de: Clinically oriented anatomy – ISBN 978-85-277-3459-2.
- Junior, H. H.; Visconti, M. A. Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino. USP/Univesp.