Saiba neste artigo tudo que você precisa saber sobre antieméticos, incluindo classes, indicações e mais informações.
Antiemético é o nome ofertado à classe de medicamentos que tem como foco o tratamento de náuseas e vômitos. Esses sintomas são relativamente frequentes na vida cotidiana.
Ocorrem no início da gestação, está presente em diversas doenças e infecções, além de serem efeitos colaterais indesejáveis de diversos fármacos, como os utilizados em quimioterapia, opióides, anestésicos gerais e digoxina.
Os objetivos da terapia antiemética consistem no alívio de sintomas agudos e tardios, além de redução do risco de complicações, como a desidratação. Na maioria das vezes, os sintomas têm uma causa primária.
Desse modo, o objetivo deste artigo é te orientar sobre os antieméticos, compreendendo suas classes, mecanismos e ações para contribuir ainda mais com a sua prática médica.
Mecanismos de ação dos Antieméticos
Como mencionado anteriormente, vamos utilizar vários fármacos para controlar a êmese e as náuseas. Seus principais mecanismos de ação consiste no antagonismo dos receptores dos neurotransmissores envolvidos nessa fisiologia.
Os cinco locais de receptores de neurotransmissores que são de importância primária no reflexo do vômito são:
- M1 – muscarínico;
- D2 – dopamina;
- H1 – histamina;
- 5-HT3 – serotonina;
- Receptor de neurocinina 1 (NK1) – substância P.
Classes medicamentosas
Os antieméticos são divididos em várias classes de acordo com o seu mecanismo de ação e indicações. Aqui estão algumas classes comuns de antieméticos.
Antagonista muscarínico
A escopolamina é a principal droga anticolinérgica. É um antiemético eficaz controle de náuseas e vômitos por intoxicações alimentares, profilaxia contra cinetose ou no pós-operatório. Entretanto, é pouco eficaz num quadro emético bem estabelecido.
Administrada por via oral ou transdérmica. Seus efeitos adversos incluem xerostomia, sonolência e distúrbios da visão. Mais utilizada a vida transdérmica, por apresentar alta incidência de efeitos anticolinérgicos quando administrada por via oral.
Antagonistas dopaminérgicos
Três classes de antagonistas do receptor de dopamina serão utilizadas em pacientes com náuseas ou vômitos. Assim, essas classes correspondem a:
- Fenotiazinas;
- Butirofenonas;
- Benzamidas.
Fenotiazinas
As fenotiazinas, primeiros medicamentos a demonstrar eficácia na prevenção da êmese induzida pela quimioterapia, são principalmente utilizadas com esse propósito. Desse modo, são originalmente antipsicóticos, mas possuem potente atividade antiemética e sedativa, pois também têm efeitos bloqueadores da muscarinina M1 e da histamina H1.
Seus representantes são a proclorperazina, a prometazina, tietilperazina, clorpromazina, perfenazina e trifluoperazina. Administrados por via oral, intravenosa ou por supositório.
Os principais efeitos adversos são reações extrapiramidais, como distonia e discinesia tardia. Sedação ocorre com muita frequência, assim como hipotensão – é mais comum em idosos ou quando administrado por via IV.
Butirofenonas
Também são antipsicóticos com ação antiemética. É utilizado principalmente para a êmese induzida por quimioterapia. O principal fármaco utilizado é o droperidol, mas o haloperidol e a levomepromazina também fazem parte desse grupo.
Esses fármacos podem ser usados como agente pré-anestésico, indução e manutenção de anestesia geral, além de serem eficazes para náuseas e vômitos pós-operatórios. Os principais efeitos adversos são semelhantes aos encontrados na fenotiazinas. Além disso, o haloperidol e droperidol podem prolongar o intervalo QT, o que pode incorrer em arritmias, com potencial de serem fatais.
Benzamidas
Os dois medicamentos de maior destaque nessa classe são a metoclopramida e a domperidona. São bloqueadores D2 mas apresentam outras funções adicionais.
A metoclopramida possui efeito antiemético modesto, mas aumenta a motilidade esofágica, gástrica e entérica, além de aumentar o tônus do esfíncter esofágico inferior. Isso justifica seu uso no tratamento do refluxo gastroesofágico e de distúrbios hepáticos e biliares.
Esse fármaco também atravessa a barreira hematoencefálica, o que justifica alguns dos seus efeitos adversos, como acatisia, distonia, ansiedade, inquietação, depressão e o risco de discinesia tardia irreversível, principalmente em idosos ou com alta dosagem em longos períodos.
A metoclopramida também estimula a produção de prolactina, cursando com hiperprolactinemia, galactorreia e distúrbios menstruais. Outro efeito adverso importante é o prolongamento do intervalo QT.
A domperidona, por sua vez, possui atividade periférica seletiva no trato gastrointestinal superior. É utilizado principalmente para tratamento de êmese causada por citotóxicos e sintomas gastrointestinais. Sua principal diferença – e vantagem – é que não atravessa a barreira hematoencefálica, o que garante que não manifeste os efeitos adversos neurológicos da metoclopramida.
Antagonistas histamínicos
Os anti-histamínicos são usados principalmente para controle de enjoo de movimento e labirintopatias, além de enjoos causados por hipercinetose. Entretanto, um efeito colateral comum nessa classe é a sonolência e sedação. Além desses, podem ocorrer tontura, confusão, boca seca, cicloplegia, sintomas extrapiramidais e cefaleias.
Apesar dessa lista de efeitos adversos, são a classe de escolha para profilaxia da cinetose em crianças e na êmese gravídica, pois são medicações seguras e seus efeitos adversos são relativamente bem tolerados.
Os agentes disponíveis incluem difenidramina, dimenidrinato, meclizina, cinarizina, ciclizina.
Antagonistas Serotoninérgicos
Os antagonistas seletivos dos receptores 5-HT3 apresentam potente natureza antiemética, exercendo essa função principalmente através do bloqueio dos receptores 5-HT3 periféricos nos nervos aferentes espinais e vagais intestinais extrínsecos. Ao contrário dos antagonistas dopaminérgicos, não atuam sobre a motilidade gastroesofágica.
Sua atuação é sobre a êmese de etiologia vagal, como nos casos de êmese pós operatória ou quimioterápica, sendo, inclusive, a base para o controle agudo dessa última. A ação dessa classe, potencializada pelo uso concomitante com um corticosteróide, como a dexametasona, e um antagonista dos receptores NK1.
Os quatro principais fármacos dessa classe são: ondansetrona, granisetrona, dolasetrona e palonosetrona. Além disso, os efeitos adversos mais comuns são cefaléia, astenia, tontura e constipação intestinal.
Antagonista da neurocinina 1 (NK1) – substância P
Os antieméticos dessa classe, ao contrário de antieméticos de outras classes, são potentes inibidores de vômitos agudos e tardios provocados por quimioterapia ou no pós operatório. Seus efeitos colaterais mais comuns são fadiga, tontura, dor abdominal, anorexia, soluços e diarreia. Elevação das aminotransferases hepáticas podem ocorrer, mas sem associação com hepatotoxicidade.
Os representantes dessa classe são: o aprepitanto, fosaprepitanto, casopitanto e rolapitanto.
Benzodiazepínicos
Apesar de serem antieméticos pouco potentes, podem ser utilizados como terapia adjuvante e serem administrados previamente ao início da quimioterapia devido aos seus efeitos sedativos, amnésicos e ansiolíticos, sendo úteis para reduzir a êmese antecipatória dos pacientes.
Assim, seus principais representantes são o lorazepam, diazepam e o alprazolam.
Glicocorticóides
Podemos utilizar os medicamentos dessa classe isoladamente para tratar a êmese leve a moderada, tanto aguda quanto tardia, principalmente associada ao tratamento quimioterápico. O mecanismo de ação nessa aplicação não está bem esclarecido. A dexametasona e a metilprednisolona são os glicocorticóides mais utilizados com essa finalidade.
Quando indicar antieméticos?
Os antieméticos, utilizados para melhora dos sintomas de náuseas e vômitos, nas condições de:
- Êmese gravídica;
- Êmese causada como efeito adverso de outros medicamentos;
- Tratamento de Profilaxia de cinetose;
- Êmese pós anestésica;
- Êmese e náusea pós quimioterapia.
Interações medicamentosas
Os antieméticos podem interagir com outros medicamentos, o que pode afetar a eficácia ou aumentar o risco de efeitos colaterais. Aqui estão algumas interações medicamentosas comuns envolvendo antieméticos:
- Antagonistas dos receptores de serotonina (5-HT3), como o ondansetron: potencialmente interagem com medicamentos que prolongam o intervalo QT no ECG, aumentando o risco de arritmias cardíacas. Isso inclui alguns antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).
- Antagonistas dos receptores de dopamina (D2), como a metoclopramida: podem aumentar o risco de efeitos colaterais extrapiramidais quando usados com outros medicamentos que também afetam o sistema nervoso central, como antipsicóticos.
- Antagonistas dos receptores H1 (anti-histamínicos), como a difenidramina: podem aumentar a sonolência quando usados com outros medicamentos que também causam sedação, como opioides ou benzodiazepinas.
Conheça nossa pós graduação em medicina de emergência!
Se você busca estar preparado para lidar com diversas situações de emergência e tomar decisões rápidas e precisas, a Sanar oferece um curso de pós-graduação completa em medicina de emergência.
Sugestão de leitura complementar
Você também pode se interessar por esses artigos:
- Hiperêmese gravídica
- Mapa mental de Náuseas e vômitos
- Resumo sobre antidepressivos
- Resumo sobre Antipsicóticos
Referências:
- BRUTON, L.L. Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12a ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2012.
- LONGSTRETH, George, HESKETH, Paul. Characteristics of antiemetic drugs. UpToDate, Inc., 2021 Acesso em: 19 de maio 2021.
- Rang, H.P; Dale, M.M. Farmacologia. Editora Elsevier, 8 ed., 2016




