Ciclo Básico

Resumo de Antígenos e Anticorpos: estruturas, mecanismos de ação e mais!

Resumo de Antígenos e Anticorpos: estruturas, mecanismos de ação e mais!

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Antígenos

Os antígenos são qualquer substância que provoquem a resposta imune do organismo, ou seja, que se liguem a moléculas de anticorpos ou receptores de células T. Em sua superfície, os antígenos possuem grupos moleculares chamados de epítopos – os mesmos são reconhecidos pelos linfócitos.

Os antígenos podem ser T-dependentes: que só conseguem estimular a produção de anticorpos específicos com a mediação dos linfócitos T4; e T-independentes: estimulam a resposta diretamente dos linfócitos B, sem necessidade da mediação dos linfócitos T4.

Alguns termos importantes:

  • Imunonógenos: substâncias simples que são capazes de provocar resposta imune específica e memória imunológica –  antígenos incompletos.
  • Haptenos: moléculas pequenas que não causam resposta, a não ser ligadas com outras substâncias;
  • Aloantígenos: marcadores de superfície celular que fazem parte de organismos da mesma espécie de forma individual – problemas em transplantes;
  • Superantígenos: fortes estimulantes das células T, provocam resposta imune exacerbada – choque tóxico;
  • Alérgenos: antígenos que estimulam reações alérgicas – caso sejam respostas graves, podem causar choques anafiláticos;
  • Autoantígenos: moléculas próprias do organismo que causam reação imune – doenças autoimunes.

Anticorpos ou Imunoglobulinas

Os anticorpos são glicoproteínas produzidas pelos linfócitos B amadurecidos (plasmócitos) que atuam no sistema imune. Podem ser encontrados livres no plasma sanguíneos, linfa, superfícies mucosas ou como receptores de superfície dos linfócitos B –  onde são responsáveis pela ativação e produção de mais anticorpos similares. Produzem sinais químicos que são enviados às moléculas efetoras (como exemplo: proteínas do sistema complemento, neutrófilos ou macrófagos, ou células CD8 e NK)

Estrutura

Similar a uma letra Y, possui duas regiões que são ligadas por pontes de dissulfeto:

  • Região aminoterminal e variável: localizada na parte superior, onde estão as cadeias leves, que podem ser κ ou λ (possuem menos aminoácidos) e região FAB – responsável pela ligação do patógeno. São variáveis pois terão a função de diferenciação e também extremamente polimórficas – podem  ser diferentes, mesmo pertencentes a mesma classe.
  • Região carboxiterminal e constante: localizada na parte inferior, onde estão as cadeias pesadas, que podem ser α, δ, ε e γ  (mais aminoácidos); Região FC – região que não se liga ao antígeno, fica exposta se liga aos fagócitos. São fixas e por isso, são iguais dentro da mesma classe.

A seguir, um exemplo básico da estrutura de um anticorpo:

Estrutura Básica dos Anticorpos
Estrutura Básica do Anticorpo
FONTE: ROITT; DELVES, 2013

Tipos ou classes dos anticorpos:

Existem 5 classes de anticorpos que são definidos de acordo com a sua cadeia pesada:

  • IgA (cadeia pesada α): dímeros (2 monômeros ligados por uma cadeia J), conferem proteção à superfícies mucosas, presentes no leite materno;
  • IgD (cadeia pesada δ): monômeros, não possuem função definida, receptores de célula B virgem;
  • IgE (cadeia pesada ε): monômeros, estão relacionados com as alergias, eficientes em infecções parasitárias (principalmente no combate aos helmintos);
  • IgG (cadeia pesada γ): monômeros, relacionados à cronicidade de doenças, são gerados de forma tardia, por células de memória. Ativam a via clássica do sistema complemento, conseguem atravessar a placenta e conferem imunidade neonatal;
  • IgM (cadeia pesada μ): pentâmeros (5 monômeros ligados por cadeias J) , atuam no reconhecimento do antígeno, ativação da célula B virgem e conseguem ativar a via clássica do sistema complemento. São relacionado a fases agudas da patogenia, por serem a primeira classe a ser produzida.
Representação dos isótopos de anticorpos
Representação dos isótopos de anticorpos
FONTE: Educa Mais Brasil

Mecanismos de ação dos anticorpos

  • Neutralização: processo em que vários anticorpos se ligam a superfície dos agentes estranhos e os inviabilizam, bloqueando as suas ações e os tornando inofensivos;
  • Opsonização: os anticorpos se ligam aos antígenos e sinalizam às células efetoras, como já citado anteriormente;
  • Citotoxidade dependente do Anticorpo: os anticorpos ajudam as células NK e eosinófilos na destruição das partículas estranhas;
  • Ativação do Sistema Complemento: os anticorpos ativam, pela via clássica, o sistema complemento – que são um grupo de proteínas plasmáticas que podem contribuir na opsonização ou até na eliminação direta das partículas estranhas, formando poros que resultam na lise do agente estranho.

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Referências:

ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular . São Paulo: Elsevier,  9ª Ed, 2019. 576p.

BONARA JUNIOR, Maurílio.  O que são Anticorpos? Blogs de Ciências da Unicamp, 2020. Disponível em: < O que são Anticorpos? | Coronavírus (COVID-19) | Especial Blogs de Ciências da Unicamp>. Acesso em: 31 de maio de 2021.

MENDONÇA, Camila.  Anticorpos. Educa Mais Brasil, 2018. Disponível em : < Anticorpos | Educa Mais Brasil>. Acesso em: 31 de maio de 2021.

ROITT, I. M.; DELVES, P. J. Fundamentos de imunologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 12ª Ed, 2013. 552 p.