Hematologia

Resumo de Hemocomponentes: células do Sangue e Plasma

Resumo de Hemocomponentes: células do Sangue e Plasma

Compartilhar

Sanar

9 min há 187 dias

Chamar os hemocomponentes de células do sangue já não cabe mais para o médico e o estudante de medicina.

O sangue está contido em um compartimento fechado, o sistema circulatório (englobando vasos e o coração), que o mantém em movimento regular e unidirecional, devido essencialmente às contrações rítmicas da bomba cardíaca. 

O volume total de sangue em uma pessoa saudável é de aproximadamente 7% do peso corporal, algo em torno de 5L em um indivíduo com 70 kg, em média. 

O sangue é formado por duas porções principais: 

  1. Células sanguíneas (hemocomponentes): são os eritrócitos ou hemácias, as plaquetas (fragmentos do citoplasma dos megacariócitos da medula óssea) e diversos tipos de leucócitos ou glóbulos brancos.
  2. Plasma: parte líquida, na qual os primeiros estão suspensos.

O sangue coletado por punção venosa, tratado por anticoagulantes (heparina, por exemplo) e em seguida centrifugado separa-se em várias camadas, que refletem sua heterogeneidade. O resultado obtido por essa sedimentação, realizada em tubos de vidro de dimensões padronizadas, chama-se hematócrito. 

No hematócrito, o plasma corresponde ao sobrenadante translúcido e amarelado. Os hemocomponentes sedimentam-se em duas camadas facilmente distinguíveis.

A camada inferior (35 a 50% do volume total do sangue) tem cor vermelha e é formada pelos eritrócitos. A camada imediatamente superior (1% do volume de sangue) tem cor acinzentada e contém os leucócitos, que são menos densos do que os eritrócitos. Sobre os leucócitos repousa delgada camada de plaquetas, não distinguível a olho nu. 

O hematócrito possibilita estimar o volume de sangue ocupado pelos eritrócitos em relação ao sangue total. Os valores normais são de 35 a 49% na mulher e 40 a 54% no homem, em média.

Dois tubos de hematócrito com sangue: o da esquerda antes e o da direita depois da centrifugação.
LEGENDA: Dois tubos de hematócrito com sangue: o da esquerda antes e o da direita depois da centrifugação.
FONTE: Junqueira e Carneiro, 2018.

Sangue

O sangue genericamente pode ser definido como um meio de transporte e atua nas seguintes esferas: 

  • Transporte de oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2) ligado à hemoglobina (ou dissolvido no plasma).
  • Circulação dos leucócitos, células que desempenham funções de defesa e constituem uma das primeiras barreiras contra a infecção, de modo que elas atravessem por diapedese a parede das vênulas e capilares e possam se concentrar rapidamente nos tecidos lesionados ou atacados por microrganismos, nos quais desempenham suas funções defensivas.
  • Transporte passivo de nutrientes e metabólitos dos locais de absorção ou síntese, distribuindo-os pelo organismo. 
  • Carreamento de escórias do metabolismo que são removidas do sangue pelos órgãos de excreção.
  • Veículo de distribuição dos hormônios, o que possibilita a troca de sinalizações entre órgãos distantes.
  • Papel regulador na distribuição de calor, no equilíbrio ácido-básico e no equilíbrio osmótico dos tecidos.

Hemocomponentes

Os hemocomponentes correspondem ao produto celular que deriva de 03 linhagens germinativas distintas. Essas linhagens tornam-se diferentes conforme a hematopoese acontece, mas todas descendem de uma célula germinativa indiferenciada e pluripotente (conhecida como, stem cell).

As linhagens germinativas são:

  • SÉRIE VERMELHA: cujo produto final da que origina as hemácias.
  • SÉRIE BRANCA: cujo produto são os leucócitos
  • SÉRIE TROMBÓTICA: que resulta nas plaquetas

Abaixo, será abordado um pouco sobre cada hemocomponente, suas funções e importância.

Eritrócitos

Os eritrócitos, ou hemácias, são anucleados e contêm grande quantidade de hemoglobina,  proteína responsável pelo transporte de O2 e CO2 para as células.

Em condições normais, esses corpúsculos, ao contrário dos leucócitos, não saem do sistema circulatório, permanecendo sempre no interior dos vasos. 

Os eritrócitos humanos têm a forma de disco bicôncavo, o que proporciona grande superfície em relação ao volume e assim, facilita as trocas de gases. Os eritrócitos são flexíveis, passando facilmente pelas bifurcações dos capilares mais finos, onde sofrem deformações temporárias, mas não se rompem.

A concentração normal de eritrócitos no sangue é de aproximadamente 4 a 5,4 milhões por microlitro (mm3), na mulher, e de 4,6 a 6 milhões por microlitro no homem.

Durante a maturação na medula óssea, o eritrócito perde o núcleo e as organelas intracelulares, não podendo renovar suas moléculas. Sendo assim, ao fim de 120 dias (em média), as enzimas já estão em nível crítico, o rendimento dos ciclos metabólicos geradores de energia é insuficiente e a célula é sequestrada da corrente sanguínea e digerido pelos macrófagos, principalmente no baço.

Hemoglobina

A molécula da hemoglobina é formada por quatro subunidades, cada uma contendo um grupo heme ligado a um polipeptídio (globina). O grupo heme é um derivado porfirínico que contém Fe2+. Devido a variações nas cadeias polipeptídicas, distinguem-se vários tipos de hemoglobina, dos quais três são considerados normais: as hemoglobinas A1, A2 e F. 

A hemoglobina A1 (Hb A1) representa cerca de 97%, e a hemoglobina A2 (Hb A2), cerca de 2% da hemoglobina do adulto normal. O terceiro tipo de hemoglobina normal é característico do feto, sendo conhecido como hemoglobina fetal ou F (Hb F). 

A HbF representa 100% da hemoglobina do feto e cerca de 80% da hemoglobina do recém-nascido; sua taxa diminui progressivamente até o oitavo mês de idade, quando alcança 1%, porcentagem semelhante à encontrada no adulto, pois torna-se desnecessária já que o infante passa a obter O2 do ar ambiente.

Leucócitos

Os leucócitos são hemocomponentes incolores, de forma esférica quando em suspensão no sangue e têm a função de proteger o organismo contra infecções. São produzidos na medula óssea (assim como os eritrócitos) ou em tecidos linfoides e permanecem temporariamente no sangue.

Diversos tipos de leucócitos utilizam o sangue como meio de transporte para alcançar seu destino final, os tecidos (através da diapedese).

São classificados em dois grupos:

  • Granulócitos: têm núcleo de forma irregular e mostram no citoplasma grânulos específicos que, ao microscópio eletrônico, aparecem envoltos por membrana. De acordo com a afinidade tintorial dos grânulos específicos, distinguem-se três tipos de granulócitos: neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Além dos grânulos específicos, essas células contêm grânulos azurófilos, que se coram em púrpura, e são lisossomos. 
  • Agranulócitos: sem núcleo tem forma mais regular, e o citoplasma não tem granulações específicas, podendo apresentar grânulos azurófilos, inespecíficos, presentes também em outros tipos celulares. Há dois tipos de agranulócitos: os linfócitos e os monócitos.

O número de leucócitos por microlitro (mm3) de sangue no adulto normal é de 4.500 a 11.500. Chama-se leucocitose o aumento e leucopenia a diminuição do número de leucócitos circulantes.

A contagem diferencial de leucócitos, feita rotineiramente no hemograma, pode indicar a existência de uma grande variedade de doenças; da mesma maneira, a análise morfológica do núcleo e do citoplasma dos leucócitos pode ser determinante para o diagnóstico de diferentes doenças e síndromes.

Plaquetas

As plaquetas ou trombócitos são corpúsculos anucleados, em forma de disco, medindo cerca de 2 a 4 μm de diâmetro, derivados de células gigantes e poliploides da medula óssea, os megacariócitos. 

As plaquetas promovem a etapa inicial do sangue (a agregação plaquetária) e auxilia na reparação da parede dos vasos sanguíneos, evitando perda de sangue.

Normalmente, existem 150 mil a 450 mil plaquetas por microlitro (mm3) de sangue. Esses corpúsculos permanecem no sangue por aproximadamente 10 dias.

Nos esfregaços de sangue, as plaquetas tendem a aparecer em grupos, devido a aglutinação.

LEGENDA: representação gráfica das células do sangue
LEGENDA: representação gráfica dos hemocomponentes
FONTE: Brasil Escola

Plasma

O plasma é uma solução aquosa que contém componentes de pequeno e de elevado peso molecular. As proteínas plasmáticas correspondem a 7%, e os sais inorgânicos, a 0,9%, sendo o restante formado por compostos orgânicos diversos, tais como aminoácidos, vitaminas, hormônios e glicose. 

Os componentes de baixo peso molecular do plasma estão em equilíbrio, através das paredes dos capilares e das vênulas, com o líquido intersticial dos tecidos. Por isso, a composição do plasma é um indicador da composição do líquido extracelular (LEC). 

As principais proteínas do plasma são: as albuminas, as alfa, beta e gamaglobulinas, as lipoproteínas e as proteínas que participam da coagulação do sangue, como protrombina e fibrinogênio. 

As albuminas, que são sintetizadas no fígado e muito abundantes no plasma sanguíneo, desempenham papel fundamental na manutenção da pressão osmótica do sangue. A deficiência em albuminas causa edema generalizado (anasarca). As gamaglobulinas são anticorpos e, por isso, também são chamadas de imunoglobulinas.

Além disso, em circulação no plasma, existem mais de 16 proteínas plasmáticas associadas ao sistema de coagulação, responsáveis por formar o coágulo, degradá-lo e retornar a homeostase.

Posts relacionados:

Referências:

  1. Junqueira, Luiz Carlos Uchoa, 1920-2006 – Histologia básica: texto e atlas / L. C . Junqueira, José Carneiro; autor- coordenador Paulo Abrahamsohn. – 13. ed. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
Compartilhe com seus amigos: