Fator reumatoide (FR) é um grupo de autoanticorpos do tipo IgM direcionados contra a porção Fc da imunoglobulina G (IgG). Estes autoanticorpos são produzidos a partir da ativação policlonal dos plasmócitos, que foram derivados dos linfócitos B.
O tecido linfóide humano normal comumente possui linfócitos B com expressão de FR na superfície celular. No entanto, o FR não é rotineiramente detectável na circulação na ausência de um estímulo antigênico.
Aplicabilidade Clínica do Fator Reumatoide
Apesar do seu nome, sua presença não está exclusivamente ligada à artrite reumatoide, entretanto, o FR é utilizado principalmente para diagnóstico e estabelecimento do prognóstico dessa condição. Pode estar presente em outras doenças reumáticas e outras condições, incluindo infecções agudas e crônicas e doenças neoplásicas.
Diagnóstico de condições clínicas
Distúrbios reumáticos
- Artrite reumatoide (AR) – 26 a 90%
- Síndrome de Sjögren – 75 a 95%
- Doença mista do tecido conjuntivo – 50 a 60%
- Crioglobulinemia mista (tipos II e III) – 40 a 100%
- Lúpus eritematoso sistêmico – 15 a 35%
- Polimiosite ou dermatomiosite – 5 a 10%
Doenças não reumáticas
- Infecção indolente ou crônica, como na endocardite infecciosa (EI) ou na infecção pelo vírus da hepatite B ou C.. A produção de FR geralmente cessa com a resolução da infecção nesses distúrbios.
- Doenças pulmonares inflamatórias ou fibrosantes, como sarcoidose
- Malignidade, particularmente neoplasias de células B
- Colangite biliar primária
Interpretação clínica do FR
O fator reumatoide não é útil como teste de triagem – O FR está presente no tecido linfoide normal, mas normalmente não é detectado na circulação sanguínea. Sua identificação em pessoas assintomáticas, entretanto, não significa evolução para desenvolver AR.
Sua efetividade está mais ligada à associação entre história clínica, com sintomatologia, e positividade do FR. Essa situação, associada a grande variedade de distúrbios que podem causar elevação do FR, torna esse marcador ruim para triagem.
O FR possui alta sensibilidade, porém baixa especificidade para FR. Este marcador pode ser identificado em 80% dos pacientes com AR. Entretanto, o FR também está elevado em uma variedade de condições, autoimunes ou não, o que o torna pouco específico para identificação de qualquer que seja a condição clínica.
A quantificação do FR é importante pois quanto maior seu valor, maior a probabilidade do paciente ter uma doença reumática.
Na avaliação da Artrite Reumatoide, o FR está mais ligado ao valor prognóstico. A presença desse marcador está mais relacionada a um pior prognóstico e também diz respeito a resposta à terapia medicamentosa Pacientes FR-positivos com AR tendem a apresentar uma doença mais agressiva e com manifestações extra-articulares.
O título de FR tende a cair quando o tratamento é eficaz. Entretanto, a titulação de FR não está ligada à atividade da doença, e por isso não deve ser utilizada para monitorar a atividade da doença na prática clínica.
Posts relacionados:
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Referências:
GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil Medicina Interna. 25. ed. SaundersElsevier, 2018.
SHMERLING, Robert. Rheumatoid factor: Biology and utility of measurement. UpToDate, Inc., 2021.




