Definição
As infecções do trato
urinário (ITUs) são as infecções mais frequentes nos idosos. Elas podem ser classificadas
de acordo com a sintomatologia, com a frequência da ocorrência, com a anatomia
ou com o risco de complicações. Essa classificação tem importância na conduta a
ser tomada, de modo a intervir nos fatores de risco, a evitar a instituição de
medidas desnecessárias e que possam levar a danos ao paciente idoso, quem em
geral, já apresenta um maior grau de fragilidade. Vale ressaltar que na
terceira idade os sintomas podem se apresentar de forma atípica, o que pode
levar a equívocos na classificação quanto a sintomatologia, porém essa divisão
ainda é muito utilizada na determinação da conduta, sendo a assintomática
denominada bacteriúria assintomática. Nesse sentido, o trato urinário não é
estéril, mas colonizado por diversos microorganismos como bactérias e fungos,
quando há um desequilíbrio nessa flora, com invasão das estruturas desse trato,
isso pode ser caracterizado como ITU.
Epidemiologia
As ITUs se caracterizam
como o tipo mais comum de infecção em idosos institucionalizados e da
comunidade, devido a fatores fisiológicos e patológicos relacionados ao envelhecimento.
Além disso, na população idosa a ITU complicada é mais frequente. A sua grande
prevalência nessa faixa etária juntamente com suas consequências, como
pielonefrite e sepse, demonstram a grande importância do diagnóstico e
tratamento na população idosa.
Fisiopatologia da infecção urinária em idosos
O agente etiológico mais comum, tanto em idosos da comunidade quanto em idosos institucionalizados é a Escherichia coli, além dele, outros agentes gram negativos se destacam entre os mais frequentes, por exemplo, Proteus, Klebisiella, Enterobacter, Serratia e Pseudomonas.
Alguns fatores como uso prévio de antibióticos podem predispor ao crescimento de bactérias gram positivas.
Dessa forma, para
ocorrer uma ITU é necessário um desequilíbrio entre questões ligadas ao agente microbiano,
como a aderência ao epitélio urinário pelas fímbrias das bactérias, e questões
ligadas ao idoso, que podem se diferenciar de acordo com o gênero e contexto do
paciente, porém a imunosenescência (Envelhecimento do sistema imune) e as
fragilidades se destacam como causas importantes em qualquer idoso.
Outros diversos fatores
relacionados ao envelhecimento fisiológico e patológico dos adultos mais velhos
contribuem para a caracterização da idade como um fator de risco para a
ocorrência de infecção do trato urinário, dentre eles se sobrepõem:
- Incontinência urinaria;
- História anterior de itu;
- Modificação da flora vaginal após a
menopausa; - Uso de sondas vesicais;
- Diminuição da secreção vaginal
pós-menopausa; - Tamanho reduzido da uretra feminina;
- Atividade sexual;
- Hiperplasia prostática benigna e outras
doenças que aumentam a próstata; - Uso prolongado de fraldas;
- Presença de outras doenças associadas,
por exemplo, Diabetes Mellitus descompensada.
Quadro clínico
Em geral, as Infecções Trato Urinário em idosos, sobretudo quando baixas, apresentam sintomas como polaciúria, disúria e urgência miccional, que constituem um quadro de manifestações mais clássicas.
No entanto, a ITU pode se expressar de forma mais atípica, com sintomas como prostração e perda do apetite, alteração do estado mental, quedas, taquicardia, entre outros.
Em idosos do sexo masculino, devido a quadros prévios de doenças urológicas, principalmente a hiperplasia prostática, tem-se a importância da prostatite bactériana, que traz sintomas como disúria e urgência miccional, além de dor na região pélvica, sobretudo escrotal.
Em mulheres a maior prevalência é de uma cistite aguda, que, na maioria das vezes é assintomática ou acompanhada de sintomas brandos, sem a ocorrência de febre.
Diagnóstico da infecção urinária em idosos
O diagnóstico da ITU é,
notadamente, clinico, laboratorial e radiológico. Nesse sentido, deve-se
investigar, através da anamnese, os sintomas referidos pelo paciente, com a
atenção para os sintomas atípicos que recorrentemente podem causar dúvidas no
estabelecimento do diagnostico provável.
Ademais, deve-se solicitar exames laboratoriais a fim de confirmar a hipótese inicialmente ponderada. O exame inicialmente solicitado é o de urina tipo I, que deve ser feito na primeira urina do dia e no qual a analise deve se dar através de 3 parâmetros principais: físico, bioquímico e de sedimentação.
Junto ao exame de úrica, deve ser solicitada a urocultura, que permite uma análisemicroscópica do material, com o fito de identificar uma bacteriúria. Dessa forma, o dignóstico pode ser confirmado se a 10^5 UFC/ml de urina na urocultura.
No caso de quadros complicados e de infecção extensa, lança-se mão de exames radiológicos. O mais empregado na população geriátrica é a ultrassonografia, por permitir uma avaliação satisfatória e não ser um método invasivo.
A tomografia, embora seja o exame padrão-ouro, deve ser ponderado entre os idosos, haja vista a grande radiação empregado e o uso de contrastes para a sua realização.
Tratamento da infecção urinária em idosos
O tratamento da ITU, principalmente em relação ao uso de antimicrobianos, deve levar em consideração uma série de fatores, cabendo ao profissional de saúde ponderam a relação risco-benefício.
Em pacientes com quadro de bacteriúria assintomática, não existe a recomendação de fazer uso de antibiótico terapia, haja vista a possibilidade de interações medicamentosas com outras drogas de uso contínuo, além do maior risco de seleção de bactérias resistentes.
No entanto, em condições específicas, como obstruções do trato urinário e doenças de base, como diabetes descompensada, o uso de antimicrobianos é indicado.
No caso de pacientes sintomáticos, quando existe a recomendação formal de tratamento antimicrobiano, deve-se analisar o espectro de ação da droga, sua influência sobre a função renal, além dos efeitos colaterais possíveis na faixa etária geriátrica.
O tempo de tratamento é definido pela gravidade do quadro clínico do paciente, podendo durar 3 dias (Curta duração), 7 a 14 dias (Clássico) e de 4 a 12 semanas (Prolongado).Os fármacos mais utilizados na pratica clínica são sulfametoxazoltrimetoprima, cefalosporinas de terceira geração, as fluorquinolonas, penicilinas, fosfomicina e nitrofurantoínas.
Nos casos de tratamento ambulatorial, os fármacos mais utilizados sãoa sulfametoxazoltrimetoprima, as fluorquinolonas, fosfomicina e nitrofurantoínas.
Já em casos complicados, como pielonefrite e prostite bacteriana, o tratamento deve ser prolongado e feito com fármacos de boa penetração tecidual, como as fluorquinolonas.