Anatomia de órgãos e sistemas

Resumo sobre a anatomia da medula espinhal

Resumo sobre a anatomia da medula espinhal

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7 minhá 11 dias

Anatomia externa da medula espinhal 

A medula espinhal é uma massa cilindróide de tecido nervoso constituinte do sistema nervoso central (SNC), sendo uma continuação do tronco cerebral que se estende do forame magno até a região das vértebras lombares L1 e L2. 

A medula espinhal não é uma estrutura isolada, está em contato com diversas outras estruturas, incluindo estrutura óssea: a coluna vertebral. A medula situa-se dentro do canal vertebral e durante seu desenvolvimento ocorre uma desproporção entre tamanho da coluna vertebral e medula espinhal, sendo que esta tem seu crescimento final até os quatro anos de idade, enquanto a estrutura óssea mantem crescimento até os 14 a 18 anos de idade.

A coluna vertebral é dividida em quatro regiões: cervical, torácica, lombar e sacro-coccígea, sendo composta de 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e cerca de 4 coccígeas.

Coluna vertebral
Coluna vertebral. Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 6ed. Porto Alegre: Artmed (2015)
Relação das raízes dos nervos espinais com as vertebras
Relação das raízes dos nervos espinais com as vertebras. Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana.

As meninges, em número de três, dura-máter, aracnoide e pia-máter são componentes essenciais para proteção e funcionamento medular. O espaço epidural que separa as poções da dura-máter e aracnoide é repleto de gordura formando um coxim de proteção entre as camadas, abaixo da aracnoide há o espaço subaracnoide repleto de líquor e diretamente em contato com a medula espinhal está a pia-máter.

Anatomia interna da medula espinhal

A medula espinhal é composta por duas porções: a substância cinzenta e substância branca. A grande diferença entre a medula e a região cerebral é que, na medula, a região

central é composta por substância cinzenta, enquanto a porção mais externa é composta por substância branca. 

A substância cinzenta é conhecida como H medular, este que é um resquício da luz do tubo neural, região que agrupa corpos de neurônicos e células gliais. Dentre os marcos anatômicos importantes da substância cinzenta estão os cornos, o primeiro, dorsal ou posterior, corno lateral e corno anterior ou ventral. 

Os núcleos do corno posterior são a substância gelatinosa, região conhecida como “portão da dor” e, por fim, o núcleo dorsal de Clarke que se situa entre C8 e L3, responsável pela propriocepção inconsciente dos membros inferiores. A substância branca possui os funículos anterior, lateral e posterior que veremos a seguir.

Vias ascendentes e descendentes da medula espinhal

Diversas vias estão envolvidas no trato medular, sendo elas as vias motoras, sensitivas, autonômicas e outras. Cada uma no seu respectivo espaço anatômico e funcionalidade.

Vias ascendentes

As regiões medulares que captam estímulos periféricos levam as informações ao córtex cerebral para gerar uma resposta que pode ser motora, sensitiva ou cognitiva. Esta que também passa pela medula ao retornar com as informações para a pele ou musculatura e gerar a sensação e/ou ação física. 

Os componentes dessa via são: fasículo grácil, fascículo cuneiforme, trato espinocerebelar e trato espinotalâmico. Ainda nessas vias estão os fascículos grácil e cuneiforme, sendo eles responsáveis por levar informações sobre sensibilidade tátil (fino e epicrítico), propriocepção e vibração. 

O fascículo grácil emite informações dos membros inferiores e grande parte do tronco, até a região torácica baixa e abdominal.  O fascículo cuneiforme é responsável por levar informações dos membros superiores, região torácica alta e região cervical. Ao chegar no nível cervical surge então o fascículo cuneiforme que se une ao grácil e ambos levam as informações supracitadas ao cérebro.

O Trato espinocerebelar é responsável por levar informações da propriocepção inconsciente que auxiliam em processos de equilíbrio, por exemplo. O trato espinotalâmico se divide em lateral e anterior, reconhece informações de dor, temperatura, pressão e tato. Especificamente, o trato espinotalâmico lateral basicamente leva informações de dor e temperatura e o anterior está mais relacionado a tato leve e pressão.

Vias descendentes

A maior parte das fibras descendentes é originada no córtex cerebral ou tronco encefálico e realizam sinapse com neurônios medulares. Algumas vias terminam em neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo e outras fazem sinapse com neurônios da coluna posterior. Além disso, existem vias que terminam diretamente nos neurônios motores somáticos e permitem a interação com o meio externo. Estas são subdivididas em neurônios piramidais e neurônios extra-piramidais

O trato rubro-espinal também participa da motricidade voluntária, mas no sentido de modular, de coordenar a movimentação, uma vez que o núcleo rubro tem ligação próxima com o cerebelo. Os tratos reticulo-espinais são essenciais para os movimentos automáticos básicos como caminhar. Além disso, ele auxilia na criação de movimentos orientados externamente como estímulos visuais e auditivos.

O trato vestíbulo-espinhal está relacionado à orientação postural, por exemplo, ao tropeçar algumas posições são conferias ao corpo como abrir os braços, alargar as pernas e posicionar o tronco para frente. Já o trato corticoespinal anterior é responsável pela motricidade voluntária da região axial, peitoral, de abdome, músculo reto-abdominal e outros. O trato teto-espinhal envolve o reflexo espontâneo de proteção, por exemplo, fechamento dos olhos, sendo uma resposta motora direcionada a proteção.

Fisiologia da medula espinhal

A maioria dos nervos espinhais são mistos, ou seja, levam informações tanto sensitivas quanto motoras e passam para as raízes espinhais. A medula é uma estrutura responsável pelos reflexos, ou seja, conferem respostas a estímulos em níveis medulares. Os reflexos das porções de tronco e membros (esqueleto axial e apendicular) são permitidos pela ação sincrônica da medula, enquanto a região de rosto é proveniente do tronco encefálico. 

Os reflexos podem ser monossinápicos ou polissinápticos, segmentares ou intersegmentares ou reflexos de alça longa. Eles envolvem circuitos que podem chegar até a região de córtex cerebral e modulam os reflexos espinais por mecanismos suprasegmentares.

Em um reflexo espinal, a informação sensorial, ao entrar na medula espinal,  desencadeia uma resposta sem necessidade de comandos do encéfalo. No entanto, essas informações sensoriais sobre o estímulo podem ser enviadas para o encéfalo.

Cada nível medular (C8, T12, L5, S5, C1) tem raízes específicas. Os dermátomos são a representação na pele dos segmentos medulares, logo, cada seguimento tem uma divisão cutânea específica.

Dermátomos. Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana.

É essencial reconhecer que alterações sensitivas e motoras podem estar relacionadas a patologias medulares e investiga-las detalhadamente correlacionando sempre com a clínica. 

Relação de dermátomos e movimentos. Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana.

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Referências:

  1. AMATO et al. Anatomy of spinal blood supply. São Paulo. 2015
  2. HALL, Jhon E. Guyton & Hall: Tratado de Fisiologia Médica. 12aed. Rio de Janeiro. Elsevier. 2011.
  3. MACHADO, Angelo, HAERTEL, Lucia M. Neuroanatomia Funcional. 3a ed. São Paulo. Atheneu, 2013.
  4. Netter, FH et al, y, Atlas of Neuroanatomy and Neurophysiolog 2002, Icon Custom Communication, EUA.
  5. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 6ed. Porto Alegre: Artmed (2015).
  6. Nitrini R.; Bacheschi LA. A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo. Editora ATHENEU. 2003.
  7. SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre. 2017
  8. SWARTZ, MARK H. Tratado de Semiologia Medica 7a Edição (2015)
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