Confira neste artigo tudo que você precisa saber sobre hematoma, incluindo definição, sinais de alerta, causas e mais.
No dia a dia clínico, o hematoma é uma condição comum, mas seus desdobramentos podem ir de simples a críticos, dependendo do tipo e da localização.
Embora sejam frequentemente associados a pequenos traumas e lesões subcutâneas, os hematomas intracranianos ou intramusculares exigem uma atenção mais minuciosa e podem representar um risco significativo para a saúde do paciente.
Dessa forma, o objetivo deste artigo é te orientar sobre os hematomas, explorando, assim, os diferentes tipos, causas, evoluções e mais informações.
O que é hematoma?
Hematoma é o acumulo de sangue no interstício dos tecidos provocado normalmente por lesão da parece vascular. Pode ter a mesma expressão clínica da equimose, porém, emprega-se esse termo nos casos de grandes coleções, com abaulamento local.
Nas equimoses o sangue está infiltrado, espalhado nas malhas dos tecidos. Nos hematomas, os tecidos vizinhos são deslocados e comprimidos.
A formação de coleções de sangue no interstício pode ocorrer em vários sítios, como hematoma intracraniano (subdural e epidural), de pele, retroperitoneal, hepático, entre outros. Dessa maneira, quando profundo, pode não ser visível e em geral tem natureza traumática, sendo foco frequente de infecção caso não drenado.
Tipos de hematomas
Hematomas Subcutâneos: Esse tipo forma-se na camada de gordura localizada logo abaixo da pele, chamada de camada subcutânea.
Hematomas Intracranianos: Esse surgimento de hematoma geralmente aparece após traumas de alta intensidade, como quedas de grandes alturas, colisões automobilísticas e atropelamentos. Dessa maneira, por se tratar do tipo mais perigoso, se divide em três formas:
- Hematomas Epidurais: localizam-se entre os crânios e a camada externa de proteção do cérebro, conhecida como dura-máter;
- Hematomas Subdurais: formam-se entre a dura-máter e a camada aracnoide, uma das membranas do cérebro;
- Hematomas Intracerebrais: ocorrendo diretamente dentro do tecido cerebral, esse tipo de hematoma exige atenção médica imediata.
Causas de hematoma
O surgimento do hematoma pode ocorrer devido à transfixação de vasos de grande fluxo sanguíneo sem subsequente compressão. A principal causa de hematoma é o trauma, mas pode ocorrer após procedimento cirúrgico e até mesmo espontaneamente em pacientes predispostos a sangramento.
Em situações patológicas que envolvam distúrbio de coagulação, em terapia de anticoagulação e em extremos de idade, o hematoma pode se formar mais facilmente, ter evolução mais grave ou ter alta recorrência.
Evolução do hematoma
O hematoma dá à pele a coloração que varia em tons de vermelho, roxo, azulado, esverdeado, acastanhado e amarelado, dependendo da cor original da pele, da evolução e do tempo de sua ocorrência.
Os glóbulos vermelhos nessas lesões possuem degradações e fagocitações pelos macrófagos. Nos primeiros dias devido a presença de hemoglobina sem oxigênio a lesão fica vermelho-azulada. Após 3 a 6 dias a hemoglobina é degradada e ocorre a formação de biliverdina, atribuindo à lesão a cor azul-esverdeada. A biliverdina é convertida enzimaticamente após 7 a 10 dias, em bilirrubina, ficando com coloração amarelada. Finalmente com 10 a 15 dias adquire cor castanha amarronzada por causa da hemossiderina, até sumir.

Sinais de alerta
Pacientes que demonstrem hematomas de repetição ou complicadas têm avaliações para distúrbios hemorrágicos. Dessa maneira, ao contrário do que ocorre nas trombocitopenias em qual ocorre sangramento petequial, no sangramento decorrente de deficiências de fatores de coagulação isolados mais frequentemente se manifesta como grandes equimoses ou hematomas pós-traumáticos.
- As deficiências hereditárias de fatores de coagulação mais comuns e mais importantes afetam o fator VIII (hemofilia A) e o fator IX (hemofilia B). As deficiências de vWF (doença de von Willebrand) também são discutidas aqui, uma vez que esse fator influencia tanto a coagulação quanto a função plaquetária.
- As deficiências adquiridas geralmente envolvem múltiplos fatores de coagulação simultaneamente e podem estar baseadas na diminuição da síntese de proteínas ou no encurtamento da meia-vida. Desse modo, a deficiência de vitamina K, como ocorre na doença hepática, provoca prejuízo da síntese dos fatores II, VII, IX e X e da proteína C. Muitos desses fatores tem fabricação no fígado e, portanto, possuem deficiência na doença parenquimatosa hepática grave.
Pacientes com distúrbios de coagulação possuem investigação e tratamentos para doença de base. Por exemplo, pessoas com insuficiência hepática fazem reposição de vitamina K ou transfusões de hemocomponentes e os pacientes com hemofilia têm tratamento com reposição de fator de coagulação.
Questão de concurso
CAP Prova: Marinha – 2011 – CAP – Cabo – Técnico em Patologia Clínica
O hematoma é a complicação mais comum da venopunção. Em relação à formação do hematoma é correto afirmar que:
(A) origina-se do extravasamento do sangue para o tecido, não causando sintomas ao paciente.
(B) a realização de diversas tentativas de punção venosa não é fator gerador de hematoma.
(C) a coleta não deve ser interrompida quando ocorrer a formação de hematoma.
(D) quando a agulha ultrapassar a parede posterior da veia ou quando a agulha perfurar parcialmente a veia, poderá ocorrer a formação de hematoma.
(E) a remoção da agulha sem a prévia retirada do torniquete evita a ocorrência do hematoma.
Resposta: letra D.
O hematoma é uma complicação comum da punção venosa que ocorre devido ao extravasamento de sangue para o tecido circundante, especialmente quando uma agulha perfura a parede da veia completamente ou parcialmente. Dessa forma, essa situação resulta em acúmulo de sangue.
Sugestão de conteúdos complementares
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- Reação Hemolítica e suas reações transfusionais
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Referências:
- Robbins and Cotran. Pathologic Basis of Disease, 8th edition ©Elsevier Inc. 2010.