Resumo sobre deficiência de vitamina E: da definição ao tratamento, passando pela fisopatologia, epidemiologia, quadro clínico e diagnóstico. Confira!
Definição
A vitamina E é um micronutriente essencial para proteger as células do estresse oxidativo e apoiar a saúde humana. A quantidade recomendada de ingestão diária para adultos é de 15 mg/dia. 1 mg equivale a 1,5 UI (unidades internacionais).
No entanto, estudos têm mostrado que a ingestão de vitamina E em doses acima das estabelecidas, na forma de alimentos ou suplementos, previne doenças crônicas, fortalece o sistema imune e diminui o risco de processos degenerativos relacionados ao envelhecimento.
Por outro lado, dados recentes indicam que o consumo está em declínio e que mesmo populações saudáveis ainda não recebem uma ingestão suficiente.
Composição e função da Vitamina E
A vitamina E é composto de oito isômeros lipossolúveis, uma família de quatro tocoferóis (alfa, beta, gama e delta) e quatro tocotrienóis (alfa, beta, gama e delta) homólogos. Desses, o α-tocoferol tem a mais alta atividade biológica antioxidante e é o mais abundante no corpo humano.
Ela é um elemento-chave nas membranas celulares para proteger contra os efeitos prejudiciais causados pela oxidação.
Os efeitos prejudiciais causados pela oxidação podem afetar estruturas celulares e processos metabólicos, afetando a saúde a longo prazo, inclusive aumentando o risco de doenças cardíacas, oculares e na, pele, além de câncer, condições inflamatórias e processos degenerativos como Parkinson e Alzheimeir. Além disso, ela desempenha um papel crítico na sinalização celular, na expressão gênica e na regulação de outras funções celulares.
Fontes de Vitamina E
A vitamina E não pode ser produzida pelo próprio organismo, portanto, deve ser obtida por meio da dieta. As principais fontes são óleos vegetais, castanhas, grãos integrais e gérmen de trigo. Também há um suprimento limitado em sementes e vegetais verdes folhosos.
O processo de cozinhar e processar os alimentos causa a perda desta vitamina, que é sensível e destruída pelo calor, álcali, luz, ar e congelamento.
A moagem dos grãos, por exemplo, causa a perda de 80% da vitamina, por isso os óleos vegetais processados são carentes e o ideal é o consumo de óleos com extração a frio e não refinados.
Deficiência de Vitamina E
Estima-se que mais de 90% dos americanos não alcançam a dose diária recomendada. No Brasil, ainda não foi feito nenhum estudo amplo para avaliar o consumo alimentar de vitamina E pela população.
A manifestação de sua deficiência é rara em humanos, mas pode ocorrer em indivíduos com síndromes disabsortivas, fibrose cística, doença celíaca, entre outras condições em que a absorção dessa vitamina está alterada ou em indivíduos com anomalias que comprometam a manutenção dos níveis corporais.
A clássica deficiência grave causa anemia por envelhecimento celular precoce, provocando fraqueza muscular, perda de massa muscular, distúrbios de marcha, problemas na visão (retinose pigmentada), outras doenças neurológicas, maior risco de aborto e fragilidade capilar.
Diagnóstico de deficiência de vitamina E
A suspeita de deficiência acontece após a coleta detalhada da dieta do paciente, observando se há deficiências em consumos de óleos vegetais. Os sintomas só aparecem na deficiência grave.
Para confirmação da deficiência, é necessário dosar os níveis da vitamina no sangue. Para pacientes com níveis normais de lipídios séricos e proteínas transportadoras, os níveis séricos de alfa-tocoferol fornecem uma estimativa adequada da suficiência da vitamina. Níveis de alfa-tocoferol inferiores a 0,5 mg/dL (5 mcg/mL ou 11,5 micromoles/L) são considerados deficientes.
Para pacientes com hiperlipidemia acentuada, o nível sérico de vitamina E não reflete com precisão os níveis de vitamina nos tecidos. Nesses pacientes, o status desta vitamina no paciente pode ser estimado usando a seguinte proporção:
- Nível efetivo de vitamina E sérica = alfa-tocoferol (mg) / lipídios totais (g)
Um resultado normal é> 0,8 mg.
Tratamento
Para aumento na ingesta de vitamina E, os alimentos fortificados mais comuns são os cereais. Ela também está amplamente disponível em cápsulas de gelatina mole e em comprimidos mastigáveis ou efervescentes, bem como na maioria dos suplementos multivitamínicos.
Para bebês e crianças com colestase, os regimes de suplementação típicos são 17 a 35 mg/kg/dia (15 a 25 UI/kg/dia) de RRR-alfa-tocoferol ou de fonte natural. Para adultos com má absorção de gordura, as necessidades são variáveis. Se a reposição for necessária, as doses são normalmente iniciadas com 50 a 500 mg/dia (75 a 800 UI/ dia) e, em seguida, ajustadas conforme necessário para atingir medições séricas normais de alfa-tocoferol (ou razão alfa-tocoferol / total lipídios), assumindo que os níveis de albumina são normais.
Não há toxicidade documentada com dose de até 1200 UI ao dia. Em doses maiores, pode haver efeitos adversos, como náusea, cefaléia, palpitações, diarreia e flatulência. Ao aumentar gradualmente esses efeitos se minimizam e são totalmente reversíveis com a redução da dose.