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Rosácea: definição, causas, quadro clínico e tratamento

Rosácea: definição, causas, quadro clínico e tratamento

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Entenda o que é a rosácea, o que pode causá-la, como se apresenta e a melhor conduta para o seu paciente! Bons estudos!

A rosácea é uma doença dermatológica com apresentações variáveis. Assim sendo, pode-se manifestar não apenas na pele, mas também na mucosa ocular. Por esse motivo, é importante que o médico esteja familiarizado com essa condição, tomando a melhor conduta diante do quadro.

O que é a rosácea?

Dentre todas as doenças dermatológicas, a rosácea é uma das afecções mais comuns. Trata-se de um distúrbio crônico, cuja manifestação pode interferir diretamente em sofrimento psicológico e baixa auto-estima para o paciente.

Diferente do que se pensa, a rosácea não é uma doença unifatorial. Assim, muitas são as condições que colaboram para a manifestação da doença.

Dentre os tipos da doença, encontramos quatro clássicos:

  1. Eritemato-telangiectasias (subtipo I);
  2. Papulopustuloso (subtipo II);
  3. Fimatoso (Rinofima) (subtipo III);
  4. Ocular (subtipo IV).

Epidemiologia da rosácea

Como comentamos, a rosácea é uma afecção dermatológica muito comum.

Pensando nisso, a prevalência da doença entre os estudos feitos é varia bastante, indo de 1% a 10%. Apesar de ser uma porcentagem contraditória, é consenso entre os especialistas que a rosácea é subestimada.

Se sabe ainda que a rosácea tem uma prevalência muito superior na população caucasiana. Somado a esse dado, os pacientes que manifestam essa condição costumam ser adultos, entre os 30 e 50 anos. Outro fato importante é que a rosácea possui forte predominância feminina.

Um dado interessante sobre a doença é que, embora seja mais precoce nas mulheres, costuma se apresentar de forma mais intensa nos homens.

Sobre a origem da rosácea, é considerada uma grande questão na dermatologia. Sabe-se porém que existem fatores que favorecem a apresentação, como discutiremos adiante.

Apresentação clínica: quais são os sintomas?

Os sintomas da rosácea variam grandemente, a depender do grau da doença. Como comentamos, a condição pode não apenas afetar a pele, mas também a mucosa ocular.

No início dos sintomas, temos a “pré-rosácea“. Nela o paciente apresenta apenas uma tendência à ruborização facial, porém passageira. À evolução, porém, o centro da face costuma ser mais acometido, dessa vez por um rubor. Associado ao rubor, ainda, pode apresentar calor e ardência importantes, conhecido como flushing facial.

Com isso em mente, manifestações comuns é uma pele mais eritematosa, sensível e seca. A causa da vermelhidão costuma ser a telangiectasias, pápulas e pústulas, podendo ocorrer edemas.

A rosácea ocular costuma ser um dos sintomas, apresentando também as telangiectasias oculares. Com ela, sintomas muito semelhantes à conjuntivite podem surgir.

rosácea
Figura 1: Descamação e eritema discretos na pálpebra inferior
esquerda.

Ainda, pode não se limitar à região da face ou olhos, como muitos pensam. Sobre isso, relatos de caso descrevem as regiões retroauriculares e couro cabeludo também locais possíveis de acometimento.

rosácea
Figura 2: Pápulas eritematosas, telangiectasias e raras pústulas
na região retroauricular bilateralmente.

Ao avançar do quadro, sendo esses mais graves, podem ser formados nódulos inflamatórios faciais. Por esse motivo, um comprometimento importante do formato, em especial do nariz, ocorre, deixando um aspecto bulboso. Essa apresentação mais grave pode ser chamada de rinofima.

Figura 3. Rosácea avançada, com nódulos inflamatórios em região nasal.

Como diagnosticar a doença?

Antes de o diagnóstico de rosácea propriamente dito ser dado, é importante que o médico descarte outras doenças. Assim, o diagnóstico diferencial da rosácea envolve:

Feito isso, diagnosticar a rosácea será uma tarefa essencialmente clínica. Por isso, serão observados outras características como folículos dilatados, hiperplasia de glândulas e espessamento ou fibrose da pele.

Os critérios considerados maiores para o diagóstico são: pápulas e pústulas, flushing e telangiectasias. Já os critérios secundários são:

  • Queimação;
  • Edema facial;
  • Aparência seca: áspera e escamosa;
  • Manifestações oculares.

Prevenir a rosácea é possível?

A consulta com o paciente com a doença deve ser baseada no esclarecimento do caso, além de promover informações sobre como abrandar a doença.

Apesar de não existirem medidas para evitar a condição, prevenir as crises e torná-las menos impactantes para o paciente é possível. Assim, medidas que podem favorecer a supressão do quadro são:

  • Visitas regulares ao dermatologista para avaliação;
  • Proteção solar diária, com o fator recomendado pelo especialista;
  • Não se automedicar;

Vale a pena, ainda, discutir com o paciente sobre os aspectos psicológicos da doença. Isso envolve considerar o estado da sua autoestima e relação com a condição.

O que pode agravar a rosácea?

Algumas questões que favorecem a sua manifestação fogem do controle do paciente. Um exemplo é a rosácea provocada por fatores hormonais, como na gestação por exemplo.

Por outro lado, a depender da causa da doença, algumas medidas externas e controláveis podem intensificar a sua manifestação. A exemplo:

  • Exposição excessiva ao sol;
  • Uso de drogas vasodilatadoras;
  • Uso de sabonetes agressivos, além de álcool e acetona.
  • Esfoliações;
  • Bebidas muito quentes ou condimentadas.

Alguns pacientes ainda relatam que a ingestão de cafeína também favorece a apresentação dos sintomas.

Rosácea ocular: como é sua apresentação?

O subtipo ocular costuma se manifestar com uma injeção conjuntival, irritação ocular e telangiectasias da margem palpebral. Por esse motivo, a rosácea ocular pode facilmente ser confundida com a conjuntivite, devido aos seguintes sintomas:

  • Vermelhidão nos olhos;
  • Fotofobia;
  • Visão comprometida;
  • Ardência;
  • Prurido ocular.

Esse é, inclusive, um subtipo de rosácea, o que reforça sua importância clínica. Uma justificativa para isso é a possibilidade de que, caso não seja realizado um tratamento adequado, a cegueira seja o desfecho.

Assim como na rosácea restrita à pele, também possui causas oriundas de fatores genéticos, obesidade, tabagismo, medicamentos, entre outros. Além disso, pode acompanhar qualquer um dos outros subtipos de rosácea.

Ao paciente com esse subtipo da doença, recomenda-se:

  1. Limpeza adequada e diária das pálpebras;
  2. Evitar o uso de cosméticos nos olhos e lente de contato;
  3. Usar colírio, segundo a prescrição do especialista.

Tratamento, como conduzir?

Infelizmente, ainda não existe uma cura definitiva para a rosácea.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, conduzir o seu tratamento ainda representa um grande desafio. Somado a isso, a rosácea relaciona-se à outras comorbidades e, sendo assim, tratar o quadro envolve uma visão multifatorial.

Apesar de não se ter uma cura, o tratamento de controle existe e depende da fase clínica em que o paciente se encontra. Pensando nisso, o cuidado adequado da pele é um componente que pode otimizar o tratamento. Assim, manter a pele hidratada, bem como a sua barreira de fotoproteção são fatores que contribuem para bons resultados.

Considerando, especialmente, os nódulos inflamatórios de casos graves da doença, entende-se que o uso de antimicrobianos e antiparasitários se fazem importantes. Assim, comumente é receitado o metronidazol como antimicrobiano tópico e ivermectina como antiparasitários. Outra medicação que pode ser prescrita é a isotretinoína, em casos mais graves da doença.

Outras abordagens possíveis em casos também graves é a dermoabrasão, laser ou a eletrocirurgia.

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Perguntas frequentes

  1. O que é a rosácea?
    Trata-se de uma condição dermatológica crônica, caracterizada pelo calor e rubor da pele ou mucosa ocular.
  2. Quais são medidas recomendadas ao paciente com a doença?
    Recomenda-se que o paciente evite a exposição excessiva ao sol e faça uso diário do protetor solar.
  3. Qual é o tratamento da doença?
    Tratá-la ainda é um desafio para a dermatologia. Embora não exista, ainda, um tratamento definitivo, é possível controlar a gravidade da sua manifestação. Para isso, o uso de pomadas tópicas que aliviem a inflamação, além de medicações antimicrobianas são recomendados.

Referências

  1. Rosácea: Patogênese, características clínicas e diagnóstico. Lisa E Maier, MD. UpToDate
  2. Rosácea: uma revisão dos novos tratamentos. Larissa Sibelle Araújo Dos Santos.
  3. Rosácea extrafacial: Relato de caso. Kleyton de Carvalho Mesquita.
  4. Sociedade Brasileira de Dermatologia.
  5. Figura 1 e 2.
  6. Figura 3: Cutaneous lesions of the nose. In: Head & face medicine Band 6, 2010, S. 7, ISSN 1746-160Xdoi:10.1186/1746-160X-6-7PMID 20525327.