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Rotina da residência de Cirurgia Plástica

Rotina da residência de Cirurgia Plástica

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Sanar Residência Médica

10 minhá 98 dias

Com atuação em uma especialidade ampla, era de se esperar que a rotina da residência de Cirurgia Plástica fosse intensa e, principalmente, cheia de possibilidades de aprendizado e atuação. Afinal, contando com pré-requisito, podem ser até 6 anos de estudo.

O Brasil conta com 6.304 especialistas em Cirurgia Plástica (1,7% das especialidades). Quando falamos na residência de Cirurgia Plástica, 439 médicos cursam a especialidade, que possui 584 vagas autorizadas. Os dados são da Demografia Médica no Brasil de 2018, do Conselho Federal de Medicina.

Saiba tudo o que você precisa para escolher bem a residência de Cirurgia Plástica. Conversamos com Diego Gonzalez, que está no R3 do Hospital das Clínicas de Salvador. Acompanhe os detalhes abaixo!

A escolha da residência em Cirurgia Plástica

Graduado em Medicina em 2013 em Salvador, Diego fez residência em Cirurgia Geral no Hospital de Sergipe. Depois, cursou cirurgia do Trauma no Hospital do Subúrbio e, por fim, ingressou em 2019 na residência em Cirurgia Plástica no Hospital das Clínicas, ambos em Salvador.

“Na faculdade, sempre tive interesse pela Cirurgia Geral e acompanhei muitos preceptores nisso”, revela. “Também sempre tive interesse em Plástica, procurei atividades relacionadas e, em Cirurgia Geral, já tinha a ideia de seguir depois para Plástica, pois sempre acompanhei mais esses cirurgiões”.

Um dos motivos para escolher a especialidade é a possibilidade de ir muito além da estética. “Existe a parte reparadora com a qual é possível mudar a vida das pessoas, como no caso de pacientes que tiveram problemas ou limitações de vida. Você pode melhorar a qualidade de vida de pacientes por meio  de cirurgias como reconstruções”, conta.

Ao mesmo tempo, a escolha pela instituição veio por meio de indicações. “Tinha amigos que já faziam residência no Hospital das Clínicas, e pelo dia a dia deles, me falaram da variedade de procedimentos. Por fim, por ser uma escola com uma parte acadêmica muito rica, oferece a possibilidade de investir nessa área”, diz Diego.

Como a residência é dividida 

Com carga horária de 60 horas semanais e duração de três anos, a residência em Cirurgia Plástica tem como pré-requisito a conclusão da especialização em Cirurgia Geral. De acordo com a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), a Matriz de Competências de Cirurgia Plástica é a seguinte:

  • R1: Compreender e analisar a base do conhecimento teórico-prático dos fundamentos da cirurgia plástica. Avaliar as condições clínicas do paciente antes do ato cirúrgico e decidir pela melhor estratégia a ser adotada. Desenvolver competências com habilidades técnicas para realização de cirurgias de pequeno porte e auxiliar cirurgia de médio e grande porte do Programa Básico da Cirurgia Plástica sob supervisão;
  • R2: Estimar e realizar a avaliação pré-cirúrgica e planejamento operatório para cirurgias de médio e grande porte. Realizar cirurgias de médio porte e algumas de grande porte, bem como, auxiliar as cirurgias de grande porte, sob supervisão;
  • R3: Estimar e realizar a avaliação pré-cirúrgica e planejamento operatório às cirurgias de médio e grande porte. Realizar cirurgias de médio e grande porte. Contribuir na formação e ensino dos residentes do segundo e primeiro ano, sob supervisão do preceptor. Dominar as técnicas da Cirurgia Plástica Estética. Demonstrar compromisso com sua formação teórica, prática e científica. Conclusão de um artigo científico. Compreender, analisar e avaliar o diagnóstico e terapêutica concernentes às cirurgias estéticas e reparadoras, bem como, dominar as técnicas cirúrgicas, estética e reparadora, da cirurgia plástica.

Diego Gonzalez explica como é a sua experiência de residente. “No Hospital das Clínicas, a residência é muito ligada à parte acadêmica, então temos sessões, reuniões, aulas, produção de artigos e muito mais ao longo do curso. Além disso, há muita variedade de procedimentos. Em um dia, você faz abdominoplastia, no outro, rinoplastia, então é uma visão ampla que pode não acontecer em outras residências”, conta.

“No primeiro ano, ficamos na parte plástica em geral, rodamos em departamentos como queimados, pequenas reconstruções faciais e também passamos por hospitais públicos e particulares. No R2, á atuamos em reconstrução oncológica e em hospitais com grande volume de cirurgias e atuações complexas, além de acompanhar staff em consultórios e cirurgias. O R3 é o ano de refinamento, quando você faz mais a parte prática e passa mais tempo no HC, com atuação tanto em estética quanto em restauração, como reconstruções mamárias e outras reparações”, exemplifica o médico.

Alinhando as principais expectativas

“Entramos na residência meio ansiosos, porque quando se fala em especialidades como Cirurgia Plástica, existe um mundo de atuações”, explica Diego. “Isso pode assustar, afinal você pensa: ‘será que vou dar conta disso tudo e será que vou sair com uma boa mão?’”.

O médico revela que, ao longo dos anos, tem aproveitado muito a residência em Cirurgia Plástica. “Tive uma visão bem legal de tudo e, dessa forma, vamos perdendo o medo. Achei que a curva de aprendizado foi muito boa, e isso tem muita relação também com o residente, pois é importante correr atrás”, opina.

Além disso, “no R3, minha expectativa é de ter um volume cirúrgico grande pois é o ano em que botamos a mão na massa mesmo. Quero colocar em prática tudo o que aprendi nos outros anos em teoria, procedimentos e aprimorando técnicas cirúrgicas”, afirma Diego.

O melhor da residência em Cirurgia Plástica

“O melhor da residência em Cirurgia Plástica é a resposta dos pacientes”, crava Diego Gonzalez. “Pegamos pessoas que estão com a autoestima baixa, mesmo que seja em casos de cirurgias estéticas, mas o procedimento pode mudar a vida do paciente. Dessa forma, a Cirurgia Plástica permite melhorar a qualidade de vida dos pacientes, que ficam muito gratos”.

“Muitos esperam por muito tempo por procedimentos, então você atua na qualidade de vida das pessoas. Ver que você está fazendo o seu trabalho bem feito e ser reconhecido por isso é o melhor”, analisa o médico. “No pós-operatório, a quantidade de bolo e presente que o médico ganha são grandes”, brinca Diego.

O mais difícil 

Para o especialista, o mais difícil da residência de Cirurgia Plástica é a rotina, com um dia a dia bastante atarefado. “Muitas vezes, chegamos no hospital 6 da manhã e passamos por uma rotina intensa de admissões de pacientes, internações, cirurgias, ambulatório e acompanhamentos”, explica.

Da mesma forma, “o paciente é bem exigente, então o acompanhamento demanda bastante. No pós-operatório, por exemplo, o paciente já te liga com dúvidas sobre cuidados. Dessa forma, a carga horária de trabalho é grande e cansa”, diz.

Expectativa de trabalho e emprego

O mercado de trabalho para quem está na residência em Cirurgia Plástica é concorrido, porém a especialidade também está em crescimento por causa do aumento da demanda. O censo bianual da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica indica que, em 2018, foram realizadas mais de 1,7 milhões de operações no Brasil.

Além da atuação estética, é possível trabalhar de forma conjunta a outras especialidades, como mastectomia, urologia, oftalmologia e outras. Como subespecialidades, algumas são cirurgias crânio-maxilo-facial, da mão, tratamento de feridas, reconstrução em oncologia, cirurgia plástica pediátrica, cosmiatria e outras.

Quem atua como médico cirurgião plástico tem rendimento médio de R$ 6.755,25 para jornadas de 29 horas semanais, segundo dados oficiais compilados pelo site Salário.

Diego traz um pouco de sua opinião sobre o mercado. “A concorrência e o nível de exigência do paciente são cada vez mais altos. Ainda existe um bom campo de trabalho, então se o médico se dedicar e dar atenção ao paciente, vai se destacar. Por isso, é importante oferecer diferenciais e dar melhores assistências no pós-operatório”, conta.

Para ele, começar em consultório particular pode ser difícil inicialmente, pois demanda clientela. Além disso, “é possível trabalhar no SUS, emergências e no acompanhamento de cirurgiões e auxiliares que tornam o seu nome conhecido”.

Por fim, Diego revela que está procurando sua subespecialização. “A Cirurgia Plástica tem subespecialidades como queimados, contorno corporal e outras. Tenho interesse em contorno e procuro cursos para ajudar pacientes bariátricos, por exemplo”.

Conclusão sobre a rotina da residência em Cirurgia Plástica 

A residência em Cirurgia Plástica traz uma série de desafios como a rotina intensa, o alto nível de exigência do mercado e do público e a necessidade de se estudar muito. Porém, ela traz vários benefícios para os residentes, como explica Diego.

“Sempre foi algo que tive interesse desde a faculdade e descobri que vai muito além da estética, com trabalhos de reparação que melhoram a qualidade de vida dos pacientes. Por exemplo, uma deformidade de face pode trazer depressão para uma pessoa, e a Cirurgia Plástica permite que você atue nisso e leve novas expectativas de vida para alguém”, diz.

Por outro lado, Diego tem uma dica importante para quem deseja ser aprovado na prova de residência médica. “Estudo muito e, principalmente, faça questões. O que me fez ser aprovado foi a quantidade de questões que fazia, de forma repetida. Estude, faça questões, leia os comentários das questões. Se você quer muito, tenha foco e estude”, finaliza.

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Referências

Cirurgia Plástica: residência, áreas de atuação, rotina e mais!

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Demografia Médica no Brasil 2018

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