Cirurgia do trauma

Traumatismo raquimedular

Traumatismo raquimedular

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SanarFlix

4 minhá 632 dias

INTRODUÇÃO:

Pacientes politraumatizados devem sempre ser considerados portadores de trauma raquimedular, mesmo se não apresentarem déficit neurológico. Para tanto, a imobilização adequada deve ser realizada para todos os pacientes, bem como o rolamento em bloco. A excessiva manipulação e a imobilização inadequada podem gerar lesões neurológicas adicionais e piorar o prognóstico do paciente.

Imagem: Rolamento em Bloco. (A) Enquanto uma pessoa realiza a imobilização cervical outras duas ficam ao lado do paciente, para controlar o corpo e extremidades. (B) Manutenção do alinhamento da coluna enquanto é feito o rolamento. (C) Uma quarta pessoa avalia o dorso enquanto remove a prancha rígida. (D) Reposicionado de forma supina, mantenho o alinhamento e imobilização da coluna. Fonte: Adaptado de ATLS 9ª Ed, 2012.

EPIDEMIOLOGIA:

A incidência do traumatismo raquimedular (TRM) é de 12,7 a 50 pessoas por milhão de pessoas/ano, ocorrendo através de um insulto vertebro-medular que gera alterações temporárias ou permanentes na função motora, na sensibilidade ou na função autonômica do organismo.

Em relação aos níveis medulares mais acometidos, o principal é o cervical, ocorrendo em cerca de 50% dos casos, devido a sua maior exposição e mobilidade, geralmente relacionado a mergulhos em superfícies rasas. O TRM na região cervical pode culminar em morte pela apneia provocada pela lesão dos nervos frênicos.

SAIBA MAIS: O nervo frênico é o primeiro nervo periférico a emergir da coluna cervical.

Em seguida, verifica-se o nível torácico, contabilizando cerca de 29% dos casos, seguido pelo nível lombar (15%) e sacral (4%).

SE LIGA! Devemos lembrar que concomitantemente ao envelhecimento ocorre o processo de enfraquecimento dos ossos, inclusive das vértebras, predispondo à fraturas em níveis mais inferiores, principalmente pelo mecanismo de quedas.

Com relação aos fatores causais, podemos observar os acidentes automobilísticos despontando como a principal causa de TRM, acumulando cerca de 30% dos casos. Nesse âmbito, devemos sinalizar a importância da ejeção, muitas vezes pela não utilização do cinto de segurança, como um mecanismo de trauma frequente.

Em seguida, pode-se observar o acidente por mergulho em água rasa cursando com 21% dos casos de TRM. Verifica-se a queda da própria altura como mecanismo de 20% dos casos, comum principalmente na faixa etária senil. Além disso, os ferimentos por arma de fogo também possuem uma grande responsabilidade no TRM, gerando cerca de 12% dos casos. Por fim, os acidentes esportivos ocorrem em cerca de 2% dos casos.

Cabe ressaltar que o TRM usualmente acomete a população jovem, de 15 a 40 anos, em plena idade produtiva. Sendo assim, gera dependência e diminuição expressiva da qualidade de vida, com um estigma associado muito importante, além do impacto para previdência, sendo portanto uma importante questão de saúde pública.

Sabe-se que o homem é epidemiologicamente mais acometido que a mulher nos mecanismos de trauma, em geral. O TRM não varia dessa observação, acometendo mais homens, em uma proporção de 4 homens a cada 1 mulher.

Cabe aqui a diferenciação entre TRM primário ou secundário. A TRM primária trata-se do insulto inicial, onde a fratura ocorreu. A TRM secundária envolve as lesões secundárias medulares, como o edema medular, a ocorrência de disautonomia, espasticidade, entre outros.

TIPOS DE FRATURA:

Existem 3 tipos de fratura: A (Lesões compressivas), B ou C.

Tipo A – Lesões Compressivas:

As lesões compressivas nada mais são que o achatamento de vértebras. As lesões do tipo A podem ser classificadas de I a IV.

  • A 1: Fratura em “tear drop”.
  • A 2: Fratura em “Split”, acomete os dois platôs, como uma rachadura. Trata-se de um caso cirúrgico limítrofe, em que se pode adotar medidas conservadoras em alguns casos.
  • A 3: O acometimento do platô superior.
  • A 4: O acometimento de ambos platôs.

Devemos ter em mente a classificação das fraturas para possível indicação cirúrgica. Fraturas A 3 e A 4, com achatamento maior que 50%, são indicativos cirúrgicos.

Imagem: Lesões compressivas (Tipo A). 1: Lesões “em lágrima” (Tear drop). 2: Fratura “em Split”. 3: Acometimento de um platô. 4: Acometimento de ambos platôs. Fonte: Aula SanarFlix

Tipo B – Lesões por Ruptura:

  • B 1: Lesão por ruptura anteroposterior.
  • B 2: Lesão por ruptura do platô superior, associada a ruptura ligamentar.
  • B 3: Lesão por ruptura do disco vertebral, associada a ruptura ligamentar total.

Usualmente, as fraturas do Tipo B são abordadas cirurgicamente, justamente pela comum afecção das estruturas ligamentares.

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