Neurologia

Trombose venosa cerebral

Trombose venosa cerebral

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SanarFlix

5 minhá 633 dias

DEFINIÇÃO:

A trombose venosa cerebral (TVC) é uma doença cerebrovascular que compromete seios venosos e veias cerebrais. É uma condição incomum e potencialmente fatal, porém associada a um bom prognóstico quando tratada precocemente, sendo importante o seu diagnóstico precoce. A TVC é muito menos comum que os outros tipos de acidente vascular cerebral (AVC), chegando a corresponder a apenas 1-2% destes, porém é uma importante causa de AVC em jovens e mulheres. O diagnóstico de TVC pode ser algo difícil de ser realizado devido seu amplo espectro clínico, porém com a ampliação do uso da ressonância magnética (RM) e maior conscientização clínica da doença, a TVC vem sendo reconhecida com uma frequência maior.

EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO:

Como foi dito anteriormente, a TVC é uma entidade incomum. A incidência anual varia de 0,22 a 1,57 por 100.000 habitantes, sendo mais comum em pessoas mais jovens e do sexo feminino, em uma proporção de mulheres para homens de 3:1. Este fato pode ser justificado devido a presença de fatores pró-trombóticos em mulheres, tais como, gravidez e puerpério e uso de contraceptivos orais que aumentam o risco de TVC. A idade média desses pacientes é 37 anos, chegando a 34 anos em mulheres, portanto, atinge uma parcela mais jovem da sociedade quando comparado a trombose arterial que costuma atingir população mais idosa. Além dos já citados acima, existem outros fatores de risco que devem ser levados em consideração nos pacientes com suspeita de TVC, tais como câncer, trombofilias, infecções locais e sistêmicas e traumas locais, pois levam a ativação de mecanismos pró trombóticos na região dos seios venosos.

Em pelo menos 85% dos casos de TVC é encontrado um fator de risco, sendo, portanto, importante o seu conhecimento e busca. No caso das mulheres, pelo menos em 65% dos casos é encontrado um fator de risco relacionado ao gênero, tal como gravidez, puerpério e uso de contraceptivos orais, sendo este último o mais frequente. Sendo assim, quando o paciente for uma mulher jovem em uso de anticoncepcional oral com uma nova cefaleia e sintomas neurológicos devemos sempre ligar o alerta para TVC.

A trombofilia genética também é um importante fator de risco para TVC, uma vez que se o paciente já possui uma alteração genética pró-trombótica, quando este é exposto a um fator precipitante, tal como trauma, infecção, punção lombar, colocação de cateter jugular, cirurgias, drogas, este possui um risco aumentado para TVC. Alguns estudos mostram que uma condição genética estava presente em 22% dos casos de TVC.

Outras causas menos comuns de TVC são as doenças inflamatórias, tais como lúpus eritematoso sistêmico, doença de Behçet, granulomatose com poliangiite (Wegener), tromboangiite obliterante, doença inflamatória intestinal e sarcoidose.

Na minoria dos casos nenhuma etiologia subjacente ou fator de risco é identificado, sendo então chamados de idiopáticos. Em crianças, esses casos correspondem a cerca de 10% e em adultos cerca de 13%. Sendo assim, na maioria dos casos, a regra é existir um fator etiológico subjacente, e devemos ficar atentos para as causas mais comuns e que não podemos esquecer de buscar nesses pacientes.

FISIOPATOLOGIA:

A presença de um trombo, seja nas veias cerebrais ou nos seios venosos, causando obstrução na passagem de sangue por determinada região, resulta no aumento da pressão venosa. O aumento da pressão venosa vai desencadear tanto a diminuição da reabsorção do líquor (LCR) quanto o aumento da pressão nos capilares venosos. O LCR é reabsorvido nas granulações aracnoides que penetram os seios venosos, principalmente o seio sagital superior. A trombose nesses seios, leva ao aumento da pressão venosa e consequente diminuição da reabsorção liquórica, levando ao acúmulo de LCR nos compartimentos ventriculares, e como o cérebro não tem espaço para expandir devido a calota craniana, o que acontece é um aumento da pressão intracraniana, podendo levar a quadros de hipertensão intracraniana.

Associado a isso, temos o aumento da pressão venosa nos capilares que acabam rompendo a barreira hematoencefálica e levando ao extravasamento de plasma sanguíneo para o espaço extracelular, levando ao que chamamos de edema vasogênico. A pressão nos capilares pode ser tão grande que chega a provocar ruptura venosa e capilar com extravasamento de sangue, provocando hemorragias. O aumento da pressão venosa pode levar a um aumento da pressão intravascular e a uma diminuição da perfusão capilar, que leva a uma diminuição na perfusão cerebral e diminuição do fluxo sanguíneo para determinadas áreas cerebrais. Com menos sangue chegando no leito capilar cerebral teremos uma falência do metabolismo energético devido a falta de ATP para o adequado funcionamento da bomba de sódio e potássio ATPase, levando a entrada de água no meio intracelular, acontecendo o que chamamos de edema citotóxico.

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