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Um resumo sobre a enterobíase | Colunistas

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Aqui você tem o resumo completo de umas das principais doenças parasitárias que existe no Brasil, a Enterobíase. Acesse e confira!

As infecções parasitárias são de grande relevância clínica, uma vez que são responsáveis por taxas consideráveis de mortalidade em todo o mundo. No Brasil, existem algumas doenças que são mais suscetíveis devido às condições climáticas e de vida que algumas pessoas levam. Contudo, neste artigo, a enterobíase, além de prevalente na América do Sul, é também a doença helmíntica mais comum nos Estados Unidos. Vamos conhece-la!

Introdução a enterobíase

A enterobíase é uma doença que, antes conhecida como oxiuríase, é provocada pelo parasito Enterobius vermiculares, antes Oxiurus vermiculares. É uma infecção intestinal provocada por helmintos e afeta todas as classes sociais. É bastante frequente na infância e causa muito incômodo provocado pelo prurido (coceira) característico.

Para entender melhor esta parasitose, dividiremos em algumas etapas, tais:

  • Taxonomia
  • Morfologia
  • Biologia Parasitária
  • Mecanismos de Transmissão
  • Patologia e Manifestação clínica
  • Diagnóstico
  • Profilaxia
  • Epidemiologia

Taxonomia

Classificação e organização da parasitose

  • Reino: Animalia
  • Filo: Nemathelminthes (Aschelminthes) 
  • Classe: Nematoda (Secernentea)
  • Ordem: Rhabditida 
  • Família: Oxyuridae
  • Gênero: Enterobius
  • Espécie: E. vermicularis

Morfologia

Os ovos do parasita têm de 50 μm x 20 μm, são lisos e transparentes e possuem membrana dupla. Resistem por até 3 semanas em ambiente doméstico e infectam em poucas horas.

Já em sua fase adulta, a fêmea pode chegar até 1cm de comprimento por 0,4 cm de diâmetro, sua cauda é pontiaguda e põe de 5 a 16 mil ovos! 

O macho, menor que a fêmea, crescem de 0,3 a 0,5 cm de comprimento por 0,2 mm de diâmetro, e por isso, são mais difíceis de achar no exame parasitológico; possuem espículo e a cauda é notoriamente curvada. Ambos, fêmea e macho, possuem cor branca e corpo filiforme.

Biologia Parasitária

Os seres humanos são hospedeiros e os machos e fêmeas vivem no ceco do ser humano, já as fêmeas com ovos são encontradas na região perianal.

Realizam o ciclo evolutivo monoxênico, isto é, o parasita possui um único hospedeiro definitivo. Seu ciclo de vida se inicia quando seus ovos ou larvas são depositadas em alimentos ou locais de fácil interação com o ser humano. O ciclo é direto e, portanto, não há hospedeiro intermediário.

Ocorre com frequência em crianças, sobretudo em colégios, mas pode afligir adultos.

Mecanismos de Transmissão da enterobíase

O período de transmissão do parasita ocorre apenas enquanto as fêmeas grávidas expulsam ovos na região perianal cutânea. Os ovos tornam-se infectantes em poucas semanas após oviposição.

Dentre os mecanismos de transmissão tem-se:

  1. Heteroinfecção: ou primo-infecção, quando ovos presentes na poeira ou em alimentos interceptam novos hospedeiros.
  2. Indireta: quando os ovos que estavam em alimentos ou na poeira alcançam o mesmo hospedeiro que os eliminou
  3. Autoinfecção externa: quando o indivíduo contaminado leva os ovos da região perianal à boca
  4. Autoinfecção interna: quando as larvas eclodem ainda no reto e migram para o ceco, e se transformam em adultos. (Salvo que esta forma de transmissão acontece raramente)
  5. Retroinfecção: quando as larvas eclodem dos ovos na região perianal, entram no ânus, migram pelo intestino grosso até atingir o ceco e transformam-se em vermes adultos. 

Patologia e Manifestação Clínica da enterobíase

É geralmente assintomática, mas o sintoma mais característico é o prurido anal intenso – provocando grande desconforto, noites mal dormidas e tenesmo. Além disso, o prurido intenso ocasiona infecções bacterianas secundárias em torno do ânus, com congestão na região anal, ocasionando inflamação com pontos hemorrágicos, onde encontram-se freqüentemente fêmeas adultas e ovos.

Sintomas inespecíficos do aparelho digestivo são registrados, como vômitos, dores abdominais, puxo e, raramente, fezes sanguinolentas. Outras manifestações, como vulvovaginites, salpingites, ooforite e granulomas pelvianos ou hepáticos, têm sido registradas esporadicamente.

Diagnóstico da enterobíase

O diagnóstico é geralmente clínico, por possuir um sinal patognomônico que é justamente o prurido anal. Já o diagnóstico laboratorial é realizado na busca do parasita na região perianal, usualmente pelo método de Graham, por ser visível ao olho nu. Não é possível normalmente encontrar o parasita ou seus ovos nas fezes, apenas quando há parasitismo intenso, sendo identificado em apenas 5 a 15% das vezes nos exames parasitológicos de fezes. 

O tratamento é medicamentoso e realizado com anti-helmínticos, como Mebendazol e Albendazol.

Pode haver coinfecção com outras parasitoses, por isso, em alguns casos mesmo com a baixa porcentagem de identificação, os exames parasitológicos de fezes são recomendados. 

Profilaxia

Medidas profiláticas são aquelas que visam evitar a disseminação e contaminação e geralmente são as mesmas para diversas patologias, dentre as que existem, para a enterobíase são importantes:

  1. Educação para a população sobre hábitos de higiene pessoal, principalmente para pessoas em idade escolar;
  2. Manejo adequado das roupas intimas e de cama dos indivíduos infectados e de toda a família;
  3. Lavagem recorrente das mãos;
  4. Não coçar a região perianal;
  5. Não levar a mão a boca, roer unhas por exemplo
  6. Manter as unhas cortadas
  7. Limpar os ambientes sanitários 
  8. Trocar toalhas e roupas de cama diariamente

Larissa Amaral – Estudante de Medicina UNIRIO

Instagram: @lari_amar


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Sugestão de leitura complementar

Referências:

  1. Parasitologia Uma Abordagem Clínica; Vicente Amato Neto – 2008
  2. PET Medicina Universidade Federal do Ceará – http://petdocs.ufc.br/index_artigo_id_135_desc_Cl%C3%ADnica_pagina__subtopico_19_busca_
  3. Manual MSD – https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/nemat%C3%B3deos-vermes-filiformes/infesta%C3%A7%C3%A3o-por-oxiuros

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