Prática médica

USG de tireoide: como interpretar os resultados?

USG de tireoide: como interpretar os resultados?

Compartilhar
Imagem de perfil de Prática Médica

USG da tireóide: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

A tireoide é reconhecida como a principal glândula do corpo, ela governa funções vitais, e alterações em seu desempenho podem manifestar uma variedade de sintomas que vão desde mudanças comportamentais até flutuações de peso.

Mesmo quando os sintomas do paciente não parecem estar diretamente relacionados a irregularidades na função tireoidiana, é importante investigar. 

O que é a USG de tireoide? 

A ultrassonografia da tireoide é um exame não invasivo que utiliza ondas sonoras de alta frequência para criar imagens detalhadas da glândula tireóide. 

Esse procedimento permite uma visualização detalhada da estrutura da tireoide, incluindo:

  • Nódulos
  • Cistos
  • Inflamações 
  • Outras alterações.

Como a USG da tireoide é realizada? 

Antes do exame, não há necessidade de preparativos, o que torna o exame confortável para paciente. Durante o procedimento, o paciente é posicionado de maneira adequada, e um gel de ultrassom é aplicado na região do pescoço para facilitar a transmissão das ondas sonoras.

O transdutor, dispositivo que emite ondas sonoras, é deslizado sobre a pele, criando imagens em tempo real no monitor. Com isso, há uma avaliação dinâmica da tireoide, evidenciando não apenas a morfologia, mas também a vascularização e o funcionamento da glândula.

A ultrassonografia da tireoide é essencial para detecção precoce de doenças na tireoide. Além disso, sua capacidade de orientar biópsias torna o procedimento também importante na investigação de alterações suspeitas.

Quando solicitar uma USG de tireoide? 

A ultrassonografia da tireoide é solicitada em diversas situações clínicas para uma avaliação detalhada da glândula. Quando nódulos são detectados durante um exame físico, torna-se necessário realizar o exame para uma análise mais aprofundada. Além disso, o acompanhamento de nódulos previamente identificados é uma indicação comum, permitindo monitorar possíveis mudanças ao longo do tempo.

Nos casos de distúrbios na função tireoidiana, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, a ultrassonografia é uma ferramenta importante. Além disso, em situações em que o paciente relata inchaço, dor ou desconforto no pescoço também são cenários em que a ultrassonografia é frequentemente empregada para investigação.

A avaliação de bócios, o aumento anormal da tireoide, é outra indicação comum para a realização do exame. Pessoas com histórico familiar de doenças tireoidianas podem ser aconselhadas a realizar a ultrassonografia como uma medida preventiva. Além disso, após o tratamento de condições como câncer de tireoide, a ultrassonografia é frequentemente solicitada para monitorar a resposta ao tratamento e identificar possíveis recorrências.

Como interpretar a USG de tireoide? 

O avanço dos transdutores de alta resolução nos últimos anos tem proporcionado um acesso cada vez mais preciso às estruturas superficiais do corpo. 

Com isso, a ultrassonografia tem se tornado um importante exame complementar. Na ultrassonografia, uma tireoide saudável apresenta:

  • Contornos lisos
  • Margens regulares
  • Textura homogênea 
  • Ecogenicidade relativamente maior em comparação com os músculos cervicais adjacentes. 

Essa abordagem permite uma avaliação mais precisa e detalhada das condições da tireoide, contribuindo para diagnósticos e, consequentemente, melhores estratégias de tratamento. 

Na imagem abaixo é possível visualizar uma tireoide normal.

Fonte: Jennifer A Sipos, MD. UpToDate.

Hipotireoidismo: alterações na USG da tireoide

As mudanças na ultrassonografia relacionadas ao hipotireoidismo oferecem dados para o diagnóstico e acompanhamento clínico desta condição. 

Aumento do tamanho da glândula

A glândula tireoide tem uma propensão a aumentar de tamanho, resultando em um aumento difuso e simétrico.

Essa expansão volumétrica geral da tireoide é facilmente observada.

Textura heterogênea

A textura da glândula pode tornar-se mais heterogênea, com áreas de maior e menor ecogenicidade.

Isso pode ser causado por edema, fibrose ou infiltrado linfocítico.

Aspecto hipoecogênico

O tecido tireoidiano pode mostrar-se mais hipoecogênico, indicando uma redução na capacidade de refletir os sinais ultrassonográficos, frequentemente associado a processos inflamatórios

Aumento da ecogenicidade periférica

É comum notar uma margem periférica mais ecogênica, reflexo da reação inflamatória que pode estar presente nas bordas da glândula

Presença de nódulos tireoidianos

O hipotireoidismo está associado a um aumento na prevalência de nódulos tireoidianos.

Esses nódulos podem ser únicos ou múltiplos, necessitando de avaliação adicional para determinar sua natureza benigna ou maligna.

Alterações na USG da tireoide no hipertireoidismo 

No hipertireoidismo, a ultrassonografia da tireoide pode revelar padrões específicos que refletem a intensificação da atividade glandular. 

Diminuição do volume da tireoide

Em muitos casos de hipertireoidismo, a glândula pode apresentar um tamanho reduzido ou normal, resultado da atividade metabólica elevada que leva à diminuição do tecido glandular

Textura homogênea ou redução da ecogenicidade

A textura da glândula pode tornar-se mais homogênea devido à redução do tecido coloidal e à diminuição de áreas hipoecogênicas. Em alguns casos, há uma diminuição geral na ecogenicidade da tireoide.

Aumento do fluxo vascular

O hipertireoidismo está associado a um aumento do fluxo sanguíneo na glândula. O mapeamento Doppler pode evidenciar uma vascularização elevada, com aumento do fluxo intra-tireoidiano

Presença de nódulos ou pseudonódulos

Pseudonódulos ou áreas de hipoecogenicidade focal podem surgir devido à maior atividade metabólica ou hiperplasia focal

Glândula difusamente hipoecogênica

Em alguns casos, a glândula pode assumir uma aparência difusamente hipoecogênica devido à redução do conteúdo coloidal e à ativação acentuada das células foliculares.

Leia mais sobre hipertireoidismo!

Quais as principais vantagens da USG da tireoide? 

A ultrassonografia da tireoide apresenta diversas vantagens que a tornam uma ferramenta importante na avaliação dessa glândula. Em primeiro lugar, é um procedimento não invasivo, eliminando a necessidade de intervenções mais agressivas, como punções ou incisões. Isso resulta em um exame geralmente indolor e com riscos mínimos para o paciente.

Além disso, a ultrassonografia da tireoide não utiliza radiação ionizante, ao contrário de alguns métodos de imagem, como a tomografia computadorizada (TC) e a cintilografia.

A capacidade da ultrassonografia de fornecer imagens em tempo real é outra vantagem significativa. Isso permite uma visualização dinâmica das estruturas da tireoide, facilitando a identificação de nódulos, cistos, inflamações e outras anomalias em tempo real durante o exame.

Quais as principais desvantagens desse procedimento? 

A qualidade das imagens na ultrassonografia pode depender da habilidade e experiência do operador. A interpretação das imagens também requer experiência em ultrassonografia tireoidiana.

Além disso, enquanto a ultrassonografia é excelente para avaliar a anatomia e a estrutura da tireoide, ela não fornece informações diretas sobre a função da glândula. Exames de sangue, como dosagem de hormônios tireoidianos, são necessários para avaliação funcional.

Outro fator importante é que a ultrassonografia pode identificar nódulos tireoidianos, mas não é definitiva na diferenciação entre nódulos malignos e benignos. Frequentemente, são necessários outros métodos, como biópsias, para essa distinção.

Conheça nossa pós graduação em endocrinologia!

A USG tireoide é um procedimento fundamental que desempenha um papel crucial no diagnóstico de doenças da tireoide, incluindo o câncer.

Se você é médico e deseja ingressar nesse campo, nossa pós-graduação em Endocrinologia oferece uma oportunidade única de aprofundar seu conhecimento e habilidades na área.

[Conheça nossa pós em endocrinologia]

Sugestão de leitura complementar

Referência bibliográfica