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Bulas de medicamentos: como dominar as principais contraindicações para fazer prescrições?

Bulas de medicamentos: como dominar as principais contraindicações para fazer prescrições?

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Aprenda quais as principais contraindicações de medicamentos e como fazer as prescrições com segurança. Acesse e confira! 

As bulas de medicamentos são ferramentas essenciais para orientar médicos na prescrição segura e eficaz de tratamentos farmacológicos. Ao dominar as principais contraindicações, tipos de prescrições e interações medicamentosas, os profissionais de saúde podem garantir a saúde e o bem-estar de seus pacientes. 

Neste artigo, exploraremos em detalhes esses aspectos cruciais, fornecendo informações valiosas para os médicos aprimorarem sua prática clínica.

Quais conhecimentos o médico deve ter para dominar as prescrições medicamentosas? 

É importante que os médicos tenham alguns conhecimentos específicos antes de prescrever um medicamento ao seu paciente. O primeiro deles diz respeito aos pacientes em si e às suas particularidades. E a segunda diz sobre os conhecimentos farmacológicos. 

Conhecimentos sobre os pacientes

O paciente se conhece bastante e tem muitas informações importantes para o médico. É importante então sempre questionar “o que ele está acostumado a tomar quando tem tal sintoma”. Essa informação já ajuda a direcionar a prescrição. Seja no sentido de usar algo que surta efeito, seja no sentido de ter que passar algo mais forte ou mais potente. 

É fundamental e obrigatório questionar sobre alergias medicamentosas. Interroge quais foram os sintomas que o paciente apresentou e qual foi a gravidade da situação. 

Além disso, é importante questionar se o paciente faz uso contínuo de algum medicamento e listar todos eles, uma vez que pode ocorrer o risco de interação medicamentosa, que pode tanto exacerbar os efeitos dos fármacos, como também pode reduzir, uma vez que uma substância “consome” a outra. 

Outro ponto a avaliar é quem é esse paciente e se o mesmo possui alguma comorbidade ou estado de saúde. Gestantes, lactentes e idosos são grupos que sempre precisam de atenção. Portadores de doenças renais e hepáticas também devem ter cautelas. 

Conhecimentos farmacológicos

É importante o médico conhecer os principais medicamentos utilizados nos tratamentos e quais os possíveis efeitos colaterais, as principais contraindicações, sua posologia, entre outros fatores. 

Sabemos que existe uma gama muito grande de fármacos disponíveis no mercado e que é difícil conhecer todos. Mas é importante conhecer as principais classes dos medicamentos e o tratamento das principais doenças. 

As informações mais importantes sobre cada medicamento estão disponíveis nas bulas. 

Bulas de medicamentos

As bulas de medicamentos são documentos que contêm informações detalhadas sobre o fármaco, incluindo sua:

  • Composição;
  • Propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas;
  • Indicações terapêuticas;
  • Posologia recomendada;
  • Contraindicações;
  • Advertências;
  • Precauções;
  • Efeitos colaterais. 

Essas bulas são elaboradas pelos fabricantes e aprovadas pelas agências reguladoras de saúde, garantindo sua confiabilidade e atualização constante. Ao ler e compreender as bulas dos medicamentos que prescrevem, os médicos adquirem um conhecimento essencial para a prática segura da medicina.

Principais contraindicações de medicamentos

As contraindicações medicamentosas são situações em que o uso de determinado medicamento é desaconselhado ou proibido devido ao risco potencial para a saúde do paciente. É fundamental que os médicos estejam cientes dessas contraindicações para evitar complicações graves. 

Confira as principais contraindicações medicamentosas abaixo. 

Contraindicações de medicamentos: gravidez e lactação

Grávidas, mulheres que estão amamentando e lactentes precisam de uma atenção especial na hora que for prescrever medicamentos. 

Gestantes e lactantes geralmente são consideradas grupos de contraindicações em alguns medicamentos devido aos riscos potenciais que esses fármacos podem representar para o feto em desenvolvimento ou para o bebê em fase de amamentação. Esses riscos são atribuídos a vários fatores, tais como:

  • Toxicidade fetal: Alguns medicamentos podem atravessar a barreira placentária e afetar negativamente o desenvolvimento fetal. Durante a gestação, os órgãos e sistemas do feto estão em formação, tornando-os mais vulneráveis a possíveis danos causados por substâncias químicas. Portanto, medicamentos com potencial teratogênico (causadores de malformações congênitas) são geralmente contraindicados em gestantes.
  • Efeitos na lactação: Muitos medicamentos também podem ser excretados no leite materno e, consequentemente, serem ingeridos pelo bebê durante a amamentação. Isso pode representar riscos para o lactente, especialmente se o medicamento tiver efeitos adversos significativos ou se a criança tiver alguma sensibilidade ou intolerância a determinadas substâncias.
  • Falta de dados de segurança: Em muitos casos, não há estudos suficientes disponíveis para determinar a segurança do uso de um medicamento específico durante a gravidez ou a amamentação. A falta de informações confiáveis ​​sobre a possível toxicidade ou efeitos no feto ou no lactente torna prudente contraindicar ou desaconselhar o uso desses medicamentos nesses períodos.

Riscos em gestantes e lactentes

Os riscos mais comuns associados ao uso de medicamentos em gestantes e lactantes incluem:

  • Efeitos teratogênicos: O uso de certos medicamentos durante a gravidez pode aumentar o risco de malformações congênitas ou problemas de desenvolvimento fetal.
  • Efeitos no sistema nervoso central: Alguns medicamentos podem afetar o desenvolvimento e a função do sistema nervoso central do feto ou do lactente, podendo resultar em alterações cognitivas, comportamentais ou neurológicas.
  • Os efeitos hormonais: Alguns medicamentos podem interferir nos níveis hormonais maternos e afetar negativamente a saúde e o desenvolvimento fetal.
  • Reações adversas no lactente: Determinados medicamentos podem causar efeitos colaterais ou reações adversas no bebê que está sendo amamentado, incluindo distúrbios gastrointestinais, irritabilidade, sonolência ou problemas no desenvolvimento.

É importante ressaltar que nem todos os medicamentos são contraindicados durante a gravidez ou a amamentação. Em muitos casos, a relação entre risco e benefício é avaliada individualmente, considerando a gravidade da condição médica a ser tratada e a disponibilidade de alternativas mais seguras. 

Contraindicações de medicamentos: alergias e intolerâncias

As contraindicações de medicamentos relacionadas a alergias e intolerâncias são de extrema importância, pois algumas pessoas podem desenvolver reações adversas graves quando expostas a certas substâncias. É crucial identificar essas contraindicações para evitar complicações potencialmente perigosas. 

Alergias Medicamentosas

Uma alergia medicamentosa ocorre quando o sistema imunológico reage de forma anormal a um medicamento específico. Essa reação pode variar de leve a grave e pode se manifestar de diferentes maneiras, como:

  • Erupções cutâneas;
  • Coceira;
  • Inchaço;
  • Dificuldade respiratória;
  • Anafilaxia, entre outros sintomas.

As alergias medicamentosas podem ser causadas por diferentes componentes dos medicamentos, como o princípio ativo, excipientes, corantes, conservantes ou outros aditivos. 

Alguns medicamentos são mais propensos a desencadear alergias em certas pessoas, como antibióticos, como penicilinas e sulfa., AINES, ácido acetilsalicílico, anestésicos locais. 

É importante observar que qualquer medicamento, pode causar alergias em algumas pessoas. Por isso, é fundamental que os médicos e profissionais de saúde realizem uma avaliação completa do histórico do paciente quanto a alergias medicamentosas conhecidas antes de prescrever qualquer medicamento.

Intolerâncias medicamentosas

Ao contrário das alergias, as intolerâncias medicamentosas não envolvem o sistema imunológico. Elas se referem a reações adversas que ocorrem devido à incapacidade do organismo de tolerar ou metabolizar adequadamente um determinado medicamento.

Essas reações geralmente são dose-dependentes e podem incluir sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, tonturas ou dor de cabeça.

As intolerâncias medicamentosas podem ser causadas por diferentes fatores, como:

  • Deficiências enzimáticas específicas no metabolismo do fármaco;
  • Sensibilidade a certos aditivos presentes na formulação;
  • Interações medicamentosas. 

Alguns exemplos de medicamentos que podem ser associados a intolerâncias incluem:

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), especialmente em relação a distúrbios gastrointestinais.
  • Medicamentos para tratamento de hipertensão arterial, como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA).
  • Opioides, que podem causar intolerância gastrointestinal, sonolência excessiva ou outros efeitos colaterais.

Em casos de intolerâncias conhecidas ou suspeitas, é necessário avaliar alternativas terapêuticas que sejam mais bem toleradas pelo paciente.

Contraindicações de medicamentos: condições médicas pré-existentes

Certas condições médicas pré-existentes podem contraindicar o uso de determinados medicamentos. Isso ocorre porque algumas doenças ou distúrbios podem interagir de forma adversa com certos fármacos, aumentando os riscos para o paciente. 

A seguir, são apresentadas algumas das questões mais comuns relacionadas às contraindicações de medicamentos em condições médicas pré-existentes:

Insuficiência renal 

Pacientes com insuficiência renal apresentam uma capacidade reduzida de eliminar certos medicamentos do organismo. Portanto, medicamentos que são metabolizados principalmente pelos rins podem se acumular no corpo, aumentando o risco de toxicidade.

Em tais casos, pode ser necessário ajustar a dose do medicamento ou escolher uma alternativa terapêutica mais segura.

Insuficiência hepática

A insuficiência hepática afeta a capacidade do fígado de metabolizar os medicamentos. Como resultado, alguns fármacos podem se acumular no organismo e causar danos hepáticos adicionais. 

Contraindicações específicas são estabelecidas para medicamentos que são metabolizados principalmente pelo fígado, a fim de evitar complicações graves.

Doenças cardiovasculares

Certos medicamentos podem ter efeitos adversos sobre o sistema cardiovascular. Por exemplo, medicamentos que afetam a pressão arterial podem ser contraindicados em pacientes com hipertensão arterial não controlada ou doença cardíaca grave. 

Além disso, alguns fármacos podem causar arritmias ou alterações no ritmo cardíaco, o que pode ser especialmente perigoso em pacientes com doenças cardíacas preexistentes.

Doenças respiratórias

Pacientes com doenças respiratórias, como asma grave ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), podem ter contraindicações específicas para certos medicamentos. 

Alguns fármacos podem piorar os sintomas respiratórios, desencadear exacerbações agudas ou interagir com outros medicamentos utilizados no tratamento dessas condições.

Distúrbios hemorrágicos 

Pacientes com distúrbios hemorrágicos ou que estão sob tratamento anticoagulante podem ter contraindicações para medicamentos que aumentam o risco de sangramento. 

Alguns fármacos podem interferir na coagulação sanguínea ou afetar a função plaquetária, o que pode levar a complicações hemorrágicas significativas.

É importante ressaltar que as contraindicações medicamentosas podem variar de acordo com a gravidade da condição médica pré-existente, o estágio da doença, a presença de outras comorbidades e a interação potencial com outros medicamentos em uso. 

Contraindicações de medicamentos: Interações medicamentosas

Alguns medicamentos podem interagir de maneira prejudicial quando administrados em conjunto, potencializando ou diminuindo os efeitos desejados. Essas interações podem levar a complicações graves, como toxicidade ou redução da eficácia terapêutica

É importante verificar as possíveis interações medicamentosas antes de prescrever um novo tratamento.

Principais Interações Medicamentosas

  • Interações farmacocinéticas: Essas interações ocorrem quando um medicamento altera a absorção, distribuição, metabolismo ou excreção de outro medicamento. Por exemplo, alguns medicamentos podem inibir as enzimas hepáticas responsáveis pelo metabolismo de outros fármacos, resultando em níveis mais altos no organismo e aumentando o risco de toxicidade.
  • Interações farmacodinâmicas: Essas interações ocorrem quando um medicamento altera os efeitos farmacológicos de outro medicamento, independentemente de sua concentração no organismo. Um exemplo comum é a combinação de dois medicamentos que causam sonolência, potencializando esse efeito e aumentando o risco de acidentes.
  • Interações alimentares: Alguns medicamentos podem ter suas propriedades afetadas pela ingestão de certos alimentos ou bebidas. 

Tipos de prescrições de medicamentos

Existem diferentes tipos de prescrições que os médicos podem utilizar, dependendo da situação clínica e do medicamento em questão. Alguns dos principais tipos de prescrições incluem:

Prescrição por nome genérico

Nesse tipo de prescrição, o médico indica o princípio ativo do medicamento, permitindo que o farmacêutico substitua o produto por um equivalente genérico, caso esteja disponível. Isso promove a acessibilidade aos tratamentos e o uso de medicamentos comprovadamente eficazes.

Prescrição por nome comercial

Nesse caso, o médico especifica a marca ou nome comercial do medicamento a ser utilizado. Esse tipo de prescrição é comum quando há diferenças significativas entre os produtos de diferentes fabricantes.

Prescrição em posologia personalizada

Em algumas situações clínicas específicas, a posologia do medicamento pode precisar ser adaptada às necessidades individuais do paciente. Isso pode envolver ajustes de dose, frequência de administração ou duração do tratamento.

Importância de dominar as contraindicações de medicamentos

Dominar as principais contraindicações medicamentosas, entender os diferentes tipos de prescrições e estar ciente das interações medicamentosas são aspectos essenciais para os médicos ao fazerem prescrições seguras e eficazes. 

Ao consultar e compreender as bulas de medicamentos, os profissionais de saúde podem tomar decisões informadas, levando em consideração as características individuais de cada paciente. 

Ao fazê-lo, eles garantem o uso adequado dos medicamentos, maximizando os benefícios terapêuticos e minimizando os riscos potenciais.

Bulários do Yellowbook

Como já falamos, existem muitos medicamentos disponíveis e cada um deles possui suas especificidades e conhecer todos eles é complicado. A rotina e a prática ajudam na assimilação, mas ainda há sempre muito o que aprender. 

Pensando em te ajudar, a Sanar criou o Yellowbook Fluxos e Condutas: Ambulatório. Esse livro traz as principais patologias que os médicos e estudantes de medicina encontram na prática e rotina ambulatorial e, em cada capítulo, apresenta o passo a passo de como realizar o manejo do paciente. Ao final de cada um desses temas, é disponibilizado um bulário com todas as informações que você precisa saber, como é mostrado na imagem abaixo: 

Não perca tempo e tenha em mãos o livro que vai facilitar sua vida no ambulatório e te ajudar a fixar os conteúdos. 

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Sugestão de leitura complementar

Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Uso racional de medicamentos: temas selecionados / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos – Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
  2. Conceitos importantes em Farmacovigilância 
  3. PICHLER, W.J. An approach to the patient with drug allergy. UpToDate, 2023.
  4. RODRIGUES, M. C. S.; OLIVEIRA, C. Interações medicamentosas e reações adversas a medicamentos em polifarmácia em idosos: uma revisão integrativa. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2016;24:e2800 DOI: 10.1590/1518-8345.1316.2800.