Cirurgia do trauma

Caso Rodrigo Mussi: como é o tratamento de traumatismo craniano e a cirurgia?

Caso Rodrigo Mussi: como é o tratamento de traumatismo craniano e a cirurgia?

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Traumatismo craniano: entenda o que aconteceu com o ex-BBB Rodrigo Mussi.

Rodrigo Mussi recuperado: entenda como foi o tratamento

Atualização em 27 de Maio.

O ex-BBB Rodrigo Mussi está se recuperando do grave acidente de carro que sofreu. Em entrevista que vai ao ar no Fantástico no dia 29/05, Rodrigo Mussi comemora a recuperação: “Estou de volta, quero agradecer demais o carinho, o amor e as orações de vocês. Milagres existem!”.

A recuperação do gerente comercial de 36 anos contou com gameterapia e robótica. Após o acidente, Rodrigo passou por uma neurocirurgia, para tratar de um traumatismo craniano e uma cirurgia na perna.

Em relação a neurocirurgia, alguns pontos são importantes. A cirurgia só ocorre quando há um edema que causa um aumento da pressão intracraniana. O efeito de massa é responsável por ocupar espaço e aumentar a pressão intracraniana. No entanto, a drenagem do hematoma para diminuição da pressão intracraniana não é feita em todos os casos de TCE. 

Em relação a neurocirurgia, alguns pontos sobre a cirurgia são importantes. A cirurgia só ocorre quando há um edema que causa um aumento da pressão intracraniana. O efeito de massa é responsável por ocupar espaço e aumentar a pressão intracraniana. No entanto, a drenagem do hematoma para diminuição da pressão intracraniana não é feita em todos os casos de TCE, sendo necessário entender em que local está ocorrendo esse sangramento. 

Na cirurgia da perna, Rodrigo colocou um fixador externo (conhecido como gaiola). Esses fixadores são utilizados em acidentes com fratura exposta, sendo um tratamento de urgência, nas primeiras 12h do trauma, para evitar que o paciente evolua com infecções locais, osteomielite e até o comprometimento total do membro, o que ocasionaria uma amputação. Alguns dias depois, Rodrigo fez uma nova cirurgia na perna. Nessa segunda abordagem, foi tirado o fixador externo (gaiola) e inserido uma haste interna, para que o resultado funcional seja melhor.

O tratamento após o internamento

A recuperação está contando com bastante reabilitação e cuidado multiprofissional. Ele está sendo submetido a tratamentos com fisioterapia robótica, o que melhora o prognóstico do paciente. Além disso, Rodrigo também está sendo submetido a gameterapia, que busca aliviar sintomas dolorosos e diminuir o consumo exagerado de medicamentos.

Tudo que você precisa saber sobre traumatismo craniano e o caso do ex-BBB

Na última quinta-feira (31), os canais de comunicação divulgaram o acidente de carro que vitimou o ex-BBB Rodrigo Mussi, de 36 anos. Na ocasião, o empresário foi arremessado do carro em movimento após colisão com um caminhão. 

A equipe de comunicação de Rodrigo informou que ele sofreu múltiplas lesões no corpo, incluindo traumatismo craniano. Hospitalizado no Hospital das Clínicas de São Paulo, ele precisou passar por uma cirurgia na cabeça e em uma das pernas (ele teve duas fraturas expostas).  Após o procedimento, o ex-BBB ficará em observação pelas próximas 48h, para que sejam definidos os novos procedimentos e medicações. 

A Sanar convidou o Dr. Ricardo Zantieff, cirurgião geral, para comentar sobre o caso do Rodrigo Mussi e sobre o que fica de aprendizado para os estudantes de medicina e médicos em relação ao tratamento de casos como esse. 

Ricardo Zantieff é professor de Urgência e Emergência da UFBA e Coordenador Pedagógico SanarFlix. Confira:

O que é traumatismo craniano?

Traumatismo craniano, como o próprio nome diz, é um trauma na cabeça. Para ser um pouco mais específico, usamos o nome traumatismo crânioencefálico (TCE). 

É o termo utilizado para se referir a qualquer pancada que tenha afetado não apenas a superfície da cabeça como também a parte de dentro, a caixa craniana e o cérebro em si. 

É importante dizer que se a gente tem uma laceração da pele, uma lesão mais na face, isso não é um TCE. Mas qualquer pancada na cabeça em que possa ter um comprometimento do encéfalo, do cérebro por si só, a gente diz que é um TCE. 

O TCE é um tema extremamente inespecífico. Se eu chego e digo “o paciente teve um TCE” isso não quer dizer muita coisa. Isso porque pode ser um TCE leve, por exemplo, um lutador de boxe quando é nocauteado. E tem também os casos de pacientes com lesões mais graves, com lesões intracranianas associadas, com sangramentos, hematomas e até mesmo fraturas cranianas. 

Classificação do TCE

É preciso saber se é um TCE leve, moderado ou grave, porque os pacientes vão ter prognósticos, evoluções e tratamentos completamente diferentes. Para classificar TCE, existem algumas escalas. A principal delas é a Escala de Coma de Glasgow (GCS).

A partir da GCS, o paciente pode ser classificado em 3 categorias de gravidade:

  • Leve (13-15)
  • Moderado (9-12)
  • Grave (3-8)

Escala de Coma de Glasgow

Durante a realização do cálculo da GCS do paciente, podem haver respostas diferentes nos membros. Nesses casos, devemos considerar a melhor resposta.

Tratamento do traumatismo cranioencefálico 

O tratamento depende da gravidade da lesão. 

Leve

Pacientes com cefaleia leve a moderada, tontura e náuseas são de baixo risco para complicações. Esses pacientes requerem observação e avaliação cuidadosa. A maioria não necessita de exames de imagem. Podem receber alta se um acompanhante monitorá-los.

Os pacientes que recebem alta após TCE devem receber instruções sobre os cuidados. Precisam ser acordados a cada 2 horas e avaliados neurologicamente.

Moderado e grave 

O tratamento inicial do TCE moderado a grave é a estabilização cardiopulmonar, para prevenção da hipóxia e hipotensão. A combinação de hipóxia e hipotensão resulta em uma taxa de mortalidade 2,5x maior. Lembrando que a hiperóxia (Pa O2 > 300mmHg) em pacientes intubados com TCE também pode ser deletéria.

Após a estabilização do paciente e avaliação neurológica completa, uma tomografia computadorizada de crânio deverá ser realizada. Alguns sinais do exame podem indicar a necessidade de cirurgia, são eles: 

  • Hematoma extra-axial com desvio da linha média maior que 5 mm
  • Hematoma intra-axial com volume superior a 30 mL
  • Fratura exposta do crânio
  • Fratura craniana deprimida com mais de 1 cm de deslocamento para dentro
  • Qualquer hematoma temporal ou cerebelar com diâmetro maior que 3 cm é considerado um hematoma de alto risco porque essas regiões do cérebro são menores e não toleram massa adicional, bem como os lobos frontal, parietal e occipital. Esses hematomas temporais e cerebelares de alto risco geralmente são evacuados imediatamente.

O que é uma cirurgia múltipla e como funciona?

Cirurgia múltipla é a realização de mais de um procedimento. Um paciente politraumatizado, como aconteceu com o ex-bbb, que foi ejetado do carro, provavelmente levou a mais de uma lesão e ele precisou de mais de uma cirurgia. A depender do que o paciente teve pode ser necessário fazer mais de uma cirurgia. 

Se ele teve uma lesão intracraniana e precisou de uma neurocirurgia para evacuar um hematoma, fazer uma craniectomia descompressiva, isso é uma cirurgia que precisa acontecer de forma imediata. Uma fratura exposta de braço ou perna, de “osso para fora”, também precisa de uma cirurgia de urgência. Elas podem acontecer ao mesmo tempo ou a da fratura exposta logo em seguida. 

Com base em informações do Ministério da Saúde, o conceito detalhado de cirurgias múltiplas é: “são atos cirúrgicos sem vínculo de continuidade, interdependência ou complementaridade, realizados em conjunto pela mesma equipe ou equipes distintas”. 

“Podem ser aplicados a órgão único ou diferentes órgãos localizados em região anatômica única ou regiões diversas, bilaterais ou não, devidos a diferentes doenças, executados através de única ou várias vias de acesso e praticados sob o mesmo ato anestésico. A complexidade deste procedimento, depende das cirurgias que forem realizadas”, explica o portal do ministério.

O que é observado no pós-cirurgia múltipla? 

O cuidado do pós-operatório e evolução dele é fundamental para o desfecho do quadro. A evolução depende muito de qual foi a lesão e do que foi feito no tratamento dele. 

Se for um caso de TCE leve, é esperado uma evolução mais tranquila. É esperado que o paciente comece a retomar a consciência, que ele fique com um membro imobilizado, mas que seja observado a funcionalidade desse membro. 

Em casos graves, a evolução é mais delicada, porque pode aparecer um quadro de hipertensão intracraniana. Por isso, o paciente precisa de uma vigilância em relação à pressão intracraniana e uma série de medidas terapêuticas para tentar reduzir o edema e controlar essa pressão intracraniana. É isso que a equipe da UTI em que o Rodrigo Mussi está vai precisar fazer para evitar que ele tenha um quadro de hipertensão intracraniana. 

Muitas vezes, um paciente nessa condição ficará sedado de propósito para diminuir a atividade cerebral e alguns manejos em relação a ventilação, medicamentos e até a posição da própria cabeceira da cama para conseguir diminuir o edema cerebral. 

Traumatismo craniano: há chances de recuperação completa? 

Todo trauma deixa uma sequela. Essa sequela pode ser maior ou menor a depender de qual seja o trauma. Não consigo dizer se ele vai se recuperar totalmente ou não, porque é preciso conhecer a fundo a lesão que o paciente tem para prever isso.

Porém, é importante saber que todo trauma deixa em algum grau uma sequela. A questão é até que ponto essa sequela vai atrapalhar o dia a dia ou vai gerar uma implicação funcional nesse paciente. 

Vale ressaltar que o TCE está entre os principais tipos de trauma mais comuns nos serviços de emergência em todo o mundo. As vítimas do Trauma Cranioencefálico comumente apresentam lesões neurológicas que resultam em invalidez, impossibilitando o retorno dos pacientes às atividades laborais e sociais.

Como atender um caso de traumatismo craniano?

O atendimento a um paciente como esse, que teve um politrauma grave, tem que ser atendido com eficiência, agilidade e muito cuidado e dedicação de toda uma equipe, uma equipe multidisciplinar. 

Em relação ao recém-formado ou médico que vai conduzir a abordagem inicial nesses casos, o principal que todo médico precisa saber diz muito mais sobre o atendimento inicial ao paciente politraumatizado. 

A Sanar tem aula disso em todos os cursos que oferece. A ideia é você saber o que fazer nesse primeiro atendimento. Chegou um paciente com um trauma grave, é obrigatório que você saiba o ABCDE do trauma. Existe um guia para esse atendimento que preconiza esse atendimento em passos, em etapas. 

  • A – VIAS AÉREAS E COLUNA CERVICAL
  • B – RESPIRAÇÃO
  • C – CIRCULAÇÃO
  • D – AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
  • E – EXPOSIÇÃO

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