Ciclo Clínico

Cistite: a ITU, principais causas, tratamento e mais – Ligas

Cistite: a ITU, principais causas, tratamento e mais – Ligas

Compartilhar
Imagem de perfil de Comunidade Sanar

Cistite: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

A cistite é uma das infecções bacterianas mais comuns em todo o mundo. A prevalência é mais comum em mulheres do que em homens, devido à anatomia feminina que facilita a entrada de bactérias na bexiga.

Essa doença é mais frequente em mulheres com vida sexual ativa, especialmente durante a gravidez.

O que é a cistite?

A cistite é conhecida por inflamação da bexiga, sendo caracterizada como uma infecção do trato urinário. Essa infecção é causada por microrganismos patogênicos (bactérias) que acometem o trato urinário inferior.

Em 80% dos casos, o acometimento é por uma bactéria denominada ESCHERIA COLI. Outras bactérias também podem ser responsáveis por essa infecção, são elas:

  • PROTEUS
  • MIRABILIS
  • KLEIBISIELLA PNEMONIAE

Como classificar a cistite?

A cistite pode ser classificada quanto à localização em:

  • Baixa: é uma infecção que acomete a bexiga
  • Alta: A pielonefrite por ser uma infecção das vias urinárias superiores, que envolve os rins, normalmente causada por bactérias que migram até eles, vindas da bexiga.

Principais causas da Cistite

Vários fatores podem causar a cistite. Essa infecção é mais comum no sexo feminino, pois anatomicamente a vagina e a entrada da uretra feminina ficam muito próximas ao ânus. Com isso, as bactérias tem mais facilidade para alcançar a bexiga. Dentre as causas da cistite, a higiene após evacuações, é apontada com a vilã dentre essa infecção.

Fatores como a atividade sexual podem contribuir para o aparecimento da cistite, o movimento causado pela fricção do pênis na parede anterior da vagina pode favorecer a migração de bactérias da uretra para a bexiga, levando a um quadro conhecido como “cistite de lua-de-mel”. Este quadro ocorre mais frequentemente no início da atividade sexual, em mulheres com pouca atividade, após as relações, e em algumas após toda relação sexual.

Um outro fator que pode contribuir para cistite é o “refluxo uretrovesical”. Nesses casos, a urina volta para a bexiga depois de ter percorrido uma parte da uretra (onde há bactérias).

Cistite na gravidez

Na gravidez, alterações na pelve, hormonais e imunológicas levam mulheres grávidas a terem maior predisposição à infecção do que uma mulher não grávida. Apesar de urinar com mais frequência, elas não conseguem esvaziar a bexiga totalmente. Essa urina residual pode favorecer um crescimento de bactérias, aumentando o risco de cistite.

A cistite não tratada na gravidez, pode trazer complicações, tanto para a mãe, quanto para o feto, podendo desencadear um parto prematuro se não tratar.

Prevenção de cistite na gravidez

A mulher gravida deverá fazer uso de:

  • Calcinhas de algodão
  • Evitar uso de meias de compressão inteiras, ter preferência pelas de 3/4.
  • Realizar boa higienização após evacuações
  • Ingerir no mínimo dois litros de água por dia
  • Procurar ajuda profissional a qualquer sinal de dor ao urinar

Mulheres em idade pré-menstrual e crianças

Meninas antes de menstruar possuem na vagina bem menos bactérias que uma mulher adulta. Dessa forma, há uma menor defesa para a cistite. Além disso, crianças também podem ter uma maior predisposição devido a dificuldade de higienização após as evacuações.

Nesse contexto, a mãe deve estar atenta a qualquer sinal de corrimento na calcinha da criança. Visto que, pode existir indicação de uma infecção urinária.

Cistite na menopausa

Com a perda de hormônios pela mulher na menopausa a vagina, uretra e a bexiga perdem proteção, a acidez do PH muda facilitando a proliferação de bactérias ficando ainda mais vulnerável a cistite e outras infecções do trato urinário.

Reincidência

Aproximadamente 20% das mulheres apresentam nova infecção após a primeiro episódio de cistite. Neste caso, deve ser feita uma consulta com um especialista para verificar o motivo.

Assim, o médico deverá descartar a presença de:

  • Cálculo renal
  • Malformações do trato urinário
  • Infecções vaginais
  • Falha do tratamento anterior
  • Métodos anticoncepcionais com espermicidas
  • Menopausa
  • Corpos estranhos na bexiga
  • Entre outros.

Cistite x higiene

A higiene é um fator importante na prevenção da cistite, uma vez que as bactérias que causam a infecção geralmente entram na bexiga através da uretra. Dessa forma, algumas informações sobre a relação entre a cistite e a higiene incluem:

  • Pessoal: Manter uma boa higiene pessoal é importante para prevenir essa doença. É recomendável limpar-se de frente para trás após usar o banheiro, para evitar a contaminação das bactérias intestinais na área da uretra. Além disso, é importante tomar banho regularmente e usar roupas íntimas limpas e secas.
  • Sexual: as relações sexuais são uma causa comum de cistite em mulheres, devido à transferência de bactérias da área perineal para a uretra durante a atividade sexual. A higiene sexual adequada pode ajudar a prevenir essa doença como urinar antes e depois do sexo, limpar-se cuidadosamente antes e depois do sexo e usar preservativos de látex.
  • Ambiental: A higiene ambiental também é importante para prevenir essa patologia, especialmente em ambientes de banheiro compartilhados. É importante manter banheiros e lavatórios limpos e desinfetados, e evitar o compartilhamento de toalhas ou roupas íntimas.

Tratamento da Cistite

O tratamento da cistite geralmente envolve o uso de antibióticos para eliminar a infecção bacteriana. Algumas informações sobre o tratamento da cistite incluem:

  • Antibióticos: Os antibióticos são a principal forma de tratamento para a cistite bacteriana. Os medicamentos mais comuns incluem trimetoprim-sulfametoxazol, nitrofurantoína e ciprofloxacino. O tratamento geralmente dura de três a sete dias, dependendo do tipo de antibiótico prescrito.
  • Alívio dos sintomas: Além dos antibióticos, o tratamento da cistite também pode incluir medicamentos para aliviar os sintomas, como analgésicos e anti-inflamatórios. Beber bastante água e urinar com frequência também pode ajudar a reduzir a dor e a inflamação na bexiga.
  • Prevenção de infecções recorrentes: Para prevenir infecções recorrentes, o médico pode recomendar mudanças no estilo de vida, como aumentar a ingestão de líquidos, urinar regularmente e evitar o uso de produtos químicos irritantes, como duchas vaginais ou sprays de higiene feminina.
  • Tratamento de casos complicados: em casos mais graves, como infecções que não respondem aos antibióticos ou infecções que se espalham para os rins, pode ser necessário hospitalização e tratamento com antibióticos mais potentes ou via intravenosa.

Compre agora o livro que vai salvar seu rodízio em ginecologia!

Os casos de cistite são muito comuns na emergência. Dessa forma, é necessário que você saiba identificar e tratar o paciente com esse quadro.

Yellowbook – Fluxos e Condutas: Ginecologia e Obstetrícia foi pensado para você ter acesso rápido às informações necessárias na rotina médica de um profissional de G.O. Além disso, através desse livro é possível desenvolver o seu raciocínio clínico.

Yellowbook - Fluxos e Condutas: Ginecologia e Obstetrícia
Este manual prático é um guia de conduta médica para casos de emergência e ambulatório, abordando os principais temas, procedimentos e prescrições do dia-a-dia do Ginecologista e Obstetra.

Se você está rodando em ginecologia, está se preparando para as provas de Residência ou está formado e deseja aprimorar a sua prática em Ginecologia e Obstetrícia, o livro Yellowbook G.O. é a escolha perfeita!

[QUERO COMPRAR O LIVRO YELLOWBOOK GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA]

Autoras:

Geralda Aparecida Marciel Lopategui Rique* e Edicássia Rodrigues de Morais Cardoso**

* Acadêmica de enfermagem da FESGO e integrante da LASM-FESGO

** Docente do curso de enfermagem e coordenadora da LASM

Sugestão de leitura complementar