Ginecologia

Dica de ginecologia: tudo sobre diagnóstico de corrimento vaginal

Dica de ginecologia: tudo sobre diagnóstico de corrimento vaginal

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Saiba como realizar o diagnóstico do corrimento vaginal. Confira nossa dica de ginecologia e não perca tempo!

É normal as mulheres referirem a presença de secreção vaginal. A maioria delas são fisiológicas e são originadas das glândulas regionais, do muco cervical e endometrial e do transudato vaginal. Entretanto, em algumas situações esse corrimento vaginal pode ser indicativo de alguma patologia como as vaginoses e vaginites.

Para acertar o diagnóstico do tipo de corrimento vaginal é preciso estar atento às características clínicas do corrimento normal e do patológico. Nesse texto abordaremos sobre a avaliação diagnóstica inicial de pacientes com queixa de corrimento vaginal.

Características clínicas do corrimento vaginal

Características clínicas do corrimento vaginal

O corrimento vaginal possui características que ajudam ao profissional distinguir entre o fisiológico e o patológico. Para tanto, é importante estar atento e analisar a quantidade, odor, coloração e forma de apresentação. Além disso, é preciso estar atento aos sintomas associados ao quadro, como a presença ou não de descamação, lesões, prurido, dor e outras.

Corrimento vaginal normal

O corrimento vaginal fisiológico é normal em mulheres em idade reprodutiva. Ele é formado por secreções endocervicias, células epitelias descamativas, flora vaginal e transudato vaginal. São mais comuns no meio do ciclo menstrução, durante a gravidez ou uso de contraceptivos hormonais.

Essa secreção costuma a ser:

  • Branca ou transparente;
  • Inodoro;
  • Secreção espessa ou final;
  • Produção de 1 a 4ml durante 24h;
  • Não é comum ter sintomas e sinais associados ao quadro.

A dieta, atividade sexual e medicamentos podem interferir nesse corrimento vaginal.

Corrimento vaginal patológico

O corrimento vaginal patológico será corrente de algum agente infeccioso ou decorrente de alterações das condições fisiológicas da vagina. Além das alterações das características da própria secreção, um marco emblemático de indicativo de alguma vaginite ou vaginose é a presença de sintomas associados.

Conheça as principais características clínicas:

  • Alteração no volume, sendo em maior quantidade;
  • Coloração amarelada, esverdeada ou esbranquiçada de forma mais densa;
  • Odor fétido;
  • Sintomas associados: prurido, irritação, eritema, dispaneurina, spotting, disúria, erosões locias, dor, queimação, descamação.

Etiologia

As vulvovaginites e vaginoses são as causas mais comuns de corrimento vaginal patológico. São afecções do epitélio estratificado da vulva e/ou vagina, diferenciando-se das cervicites, que acometem a mucosa glandular.

Vaginite é o termo geral para distúrbios da vagina causados ​​por infecção, inflamação ou alterações na flora vaginal normal.

Elas podem ser divididas em infecciosas, sendo as principais causas a vaginose bacteriana (VB), candidíase vulvovaginal e tricomoníase.

As casas não infecciosas são aquelas que provocam alterações nas condições fisiológicas da vagina e possibilitam o desenvolvimento de uma patologia. Elas podem ser agrupadas em causas mecânicas, químicas, alérgicas e outros.

Exemplos de causas não infecciosas são: corpo estranho, dermatoses, antibióticos, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), nível de estrogênio, contraceptivos, entre outros.

Vaginose bacteriana (VB)

A Vaginose é uma infecção bacteriana. É uma condição clínica caracterizada por uma mudança na microbiota vaginal provocam alterações no pH da vagina e implica em alguns sintomas clínicos como:

  • Corrimento vaginal esbranquiçado, fino e homogêneo;
  • Odor desagradável, mais perceptível após relação sexual e durante a menstruação;
  • Pode causar cervicite;
  • Disúria, duspareunia, prurido, queimação ou inflamação vaginal não é comum. Na presença desses sintomas, avaliar possibilidade de vaginite mista (mais de 2 patógenos);
  • De 50 a 70% das mulheres são assintomáticas.

As principais bactérias associadas ao processo de VB são a Gardnerella vaginalis.

Fatores de risco

Alguns fatores predispões a maiores possibilidades em se denvolver a vaginose bacteriana:

  • Atividade sexual;
  • Infecções por doenças sexualmente transmissíveis;
  • Raça e etnia;
  • Dieta – aumenta a prevalência em dietas ricas em gorduras.

Candidíase vulvovaginal

Esse é um tipo de infecção causada pela Candida (Candida albicans, Candida glabrata e C. parapsilosis). Uma característica marcante desse quadro infeccioso é o prurido intenso e eritema. Ela é a segunda causa mais comum de vulvovaginite, perdendo apenas para as VB.

As características clínicas mais comuns são:

  • Há pouca ou nenhuma secreção;
  • Corrimento é branco, espesso, aderido às paredes vaginais e são grumoso (aspecto de requeijão);
  • Não possui odor ou tem odor mínimo.
  • Prurido vulvar intenso;
  • Ardor, dor, e irritação vulvar;
  • Disúria ou dispareunia;
  • Genitália externa, vagina e colo do útero apresenta eritema e edema;
  • Escoriações e fissuras vulvares.

Os sintomas geralmente são mais intensos na semana que antecede a menstruação.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para a candidíase vulvovaginal são:

  • Diabetes mellitus;
  • Antibióticos;
  • Aumento do nível de estrógeno;
  • Imunossupressão;
  • Atividade sexual;
  • Uso de anticoncepcionais.

Tricomoníase

A tricomoníase é a infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Esse quadro infeccioso, diferentes dos outros dois citados acima, é considerado uma infecção sexualmente transmissível (IST). É a terceira causa de vaginites e costuma a infectar a vagina, uretra e glândulas parauretrais.

Sua apresentação clínica é a seguinte:

  • Corrimento vaginal purulento e fino, de coração verde-amarela;
  • Odor fétido e malcheiroso;
  • Eritema da vulva e mucosa vaginal;
  • Sintomas associados: queimação, prurido, disúria, dor abdominal inferior, dispareunia.

Essa IST precisa de atenção maior e tratamento adequado uma vez que possui consequências clínicas graves como uretrite ou cistite, doença inflamatória pélvica, infertilidade, aumento do risco de infecções de DSTs, neoplasias e outras.

Diagnóstico de corrimento vaginal

O diagnóstico inicial é clínico. Através da análise das queixas da paciente, das características físicas da vagina e do corrimento vaginal:

Dica de Ginecologia: Resumo de Corrimento vaginal - Sanar

Os testes diagnósticos serão feitos de acordo com a suspeita clínica e a disponibilidade. Podem ser utilizados:

  • Teste de pH com microscopia;
  • Coloração de Gram – padrão ouro para o diagnóstico de VB;
  • Microscopia com critérios de Amsel – pelo menos 3 critérios: corrimento vaginal característico, pH elevado, células-chave observadas na microscopia, odor de peixe;
  • Testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs);
  • Cultura em casos de outros testes não serem efetivos.

Mais informações sobre epidemiologia, etiologia, patogenia, tratamento e mapa mental, acesse nosso texto completo sobre o assunto Resumo sobre corrimento vaginal (completo).

Sugestão de leitura complementar

Assista ao vídeo:

O corrimento vaginal é uma das apresentações clínicas das vulvovaginites. Olha o recado que o professor Maurício Kitamura tem para você!

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Referências

  1. RIBEIRO, C.; ROMEO, G.; CEDRO, M. Yellowbook Fluxos e Condutas: Ginecologia e Obstetrícia. Editora Sanar, 1ºEd, 410p, 2019. Disponível em:<https://www.sanarsaude.com/livro/yellowbook-fluxos-e-condutas-ginecologia-e-obstetricia>. Acesso em: 20 dez. 2022.
  2. SOBEL, J.D. Vaginal discharge (vaginitis): Initial evaluation. UpToDate, 2022.
  3. SOBEL, J.D. Bacterial vaginosis: Initial treatment. UpToDate, 2022.
  4. SOBEL, J.D.; MITCHELL, C. Bacterial vaginosis: Clinical manifestations and diagnosis. UpToDate, 2022.
  5. SOBEL, J.D.; MITCHELL, C. Candida vulvovaginitis: Clinical manifestations and diagnosis. UpToDate, 2022.
  6. SOBEL, J.D.; MITCHELL, C. Trichomoniasis: Clinical manifestations and diagnosis. UpToDate, 2022.