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Difteria: definição, epidemiologia e transmissão

Difteria: definição, epidemiologia e transmissão

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A Difteria é uma doença toxi-infecciosa aguda, contagiosa, potencialmente letal e imunoprevenível. É causada por um bacilo toxigênico que se aloja nas amígdalas, faringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, em outras mucosas e na pele. É caracterizada por apresentar placas pseudomembranosas típicas.

SAIBA MAIS: A palavra difteria vem da palavra grega para couro, que se refere a essa membrana faríngea resistente, que é a marca clínica da infecção. Ela contém fibrina, tecido morto e células bacterianas que podem bloquear completamente a passagem de ar para os pulmões. 

Ilustração das placas pseudomembranosas características da difteria.

Imagem: Ilustração das placas pseudomembranosas características da difteria. Fonte: Netter, Atlas De Anatomia Humana – 7ª Ed. 2019.

Epidemiologia da Difteria

A difteria ocorre em todos os períodos do ano, com um aumento de incidência observado nos meses frios e secos, quando é mais comum a ocorrência de infecções respiratórias devido a aglomeração de pessoas em ambientes fechados.

Ela pode afetar qualquer pessoa não imunizada, independentemente da idade, raça ou sexo. Apesar disso, a doença ocorre com mais frequência em áreas com precárias condições socioeconômicas, onde a aglomeração de pessoas é maior e há registro de cobertura vacinal mais baixa.

Os casos são raros quando a cobertura vacinal atinge patamares homogêneos de 80%. O número de casos notificados no Brasil vem decrescendo progressivamente nas últimas décadas. No gráfico a seguir, retirado do site do Ministério da Saúde, é possível observar a queda no coeficiente de incidência da doença por 100 mil habitantes a partir de 1990, quando houve ampliação da cobertura vacinal da DPT (de diphtheria, tetanus, pertussis), substituída pela pentavalente em 2013.

Gráfico Coeficiente de incidência por Difteria e cobertura vacinal (DTP e DT+HIB). Brasil, 1990 a 2019.

Imagem: Coeficiente de incidência por Difteria e cobertura vacinal (DTP e DT+HIB). Brasil, 1990 a 2019. Fonte: dados do SINAN/DEIDT/SVS/MS.

Atualmente, os casos encontrados são muito isolados e esporádicos, tratando-se principalmente de situações de perda imunidade pela falta da dose de reforço. Em adição, vale ressaltar que a cobertura vacinal é uma medida que sofre variações geográficas, tanto dentro do próprio território nacional, quanto mundialmente. Ainda existem muitos países onde a cobertura ocorre de forma inadequada, sendo importante a atenção aos viajantes e refugiados.

Agente Etiológico

A difteria é causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae e raramente por cepas toxigênicas de outras espécies de Corynebacterium (C.ulcerans, C.hemolyticum ou C.pseudotuberculosis ).  É um bacilo Gram-positivo que, quando infectado por um fago específico, produz a toxina diftérica.

Depois de inalado, o Corynebacterium diphtheriae se implanta na mucosa das vias aéreas superiores, onde se desenvolve e produz essa exotoxina potente que causa necrose da mucosa, acompanhada por um exsudato fibrinopurulento denso, gerando uma pseudomembrana diftérica acinzentada clássica.

SE LIGA NO CONCEITO: Toxinas bacterianas: qualquer substância bacteriana que contribui para a doença pode ser considerada uma toxina. As toxinas são classificadas em endotoxinas, que são componentes da célula bacteriana, e exotoxinas, as quais são proteínas que são secretadas pela bactéria. O dano bacteriano aos tecidos do hospedeiro depende da habilidade das bactérias de se aderirem às células hospedeiras, invadir as células e tecidos ou liberar toxinas. 

Exotoxinas são proteínas secretadas que causam lesão celular e doença. Elas podem ser classificadas em categorias amplas, por meio de seus mecanismos e local de ação.

A Corynebacterium diphtheriae, bem como a Bacillus anthracis e a V. cholerae, produzem toxinas que alteram a sinalização intracelular ou vias regulatórias. A maioria dessas toxinas possui um componente ativo (A), com atividade enzimática, e um componente ligante (B) que se liga aos receptores na superfície celular e colocam a proteína A dentro do citoplasma celular. O efeito dessas toxinas depende da especificidade da ligação do domínio B e das vias celulares afetadas pelo domínio A.

Transmissão da Difteria

A difteria é uma doença transmitida por meio de gotículas de secreção respiratória, que são eliminadas na tosse, no espirro ou ao falar. Portanto, ocorre pelo contato direto entre pessoa suscetível e pessoa doente ou portadora (reservatórios da doença). Em casos raros, pode ocorrer a contaminação por fômites, isto é, contato indireto através de superfície contaminada.

O período de incubação é o tempo entre o momento de exposição ao agente causador da doença e o momento de início do aparecimento dos sintomas. Em geral, dura de 1 a 6 dias, podendo ser mais longo.

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