Gastroenterologia

Do diagnóstico ao tratamento: saiba mais sobre infecção por clostridioides

Do diagnóstico ao tratamento: saiba mais sobre infecção por clostridioides

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Infecção por clostridioides difficile: tudo o que você precisa saber para sua prática na emergência!

A infecção por clostridioides difficile (CD) é o principal motivo de diarreia hospitalar. Com o passar dos anos, esse acometimento aumentou sua incidência e sua morbiletalidade. Quando ocorre, há uma colite devido a produção de toxinas por bactérias, o que causa essa inflamação do cólon. No geral, isso poderá ocorrer após o paciente ser medicado com antibióticos para tratar uma infecção.

Fatores de risco para infecção por clostridioides difficile

A infecção por C. difficile ocorre, no geral,  quando há o uso do antibiótico por via oral. Contudo, também pode ocorrer quando outras vias de administração são utilizadas. Dentre os principais fatores de risco associados à infecção por CD, é possível citar:

  • Idade maior do que 65 anos
  • Uso de laxativo
  • Uso de inibidores de bomba de prótons ou histamina H2 e quimioterápicos
  • Insuficiência renal
  • Cirurgia gastrintestinal
  • Intubação nasogástrica
  • Permanência hospitalar prolongada 

No geral, os pacientes na unidade de terapia intensiva (UTI) são os que estão mais propensos a desenvolver esta infecção. Dentre os principais medicamentos que estão associados à infecção por CD, é possível citar a clindamicina, cefalosporinas e penicilinas. 

Fisiopatologia da infecção por clostridioides difficile

A transmissão do CD pode ocorrer através da via fecal-oral, pessoa-pessoa, fômites e de instrumentos hospitalares. Nesse contexto, é possível que os esporos persistem no ambiente por períodos prolongados, além de serem resistentes ao uso de desinfetantes comerciais, o que poderá favorecer a propagação dessa infecção. 

No corpo, os esporos sobrevivem na acidez gástrica e fazem sua germinação no cólon, onde iniciam a produção de toxinas. Ao utilizar antibioticoterapia, há uma alteração do equilíbrio da microbiota intestinal. Além disso, como há uma produção da toxina A e B ocorre uma estimulação da produção de: 

  • Fator de necrose tumoral
  • Interleucinas 
  • Aumento da permeabilidade vascular. 

Dessa forma, haverá um intenso processo inflamatório que resultará na destruição da lâmina própria intestinal, impedindo a absorção de nutrientes, e ocasionando um quadro disabsortivo.

Principais sintomas 

O principal sintoma da infecção por C. difficile é a diarréia aquosa. No geral, esses sintomas aparecem de cinco a dez dias após o início do tratamento com antibióticos. 

Uma das características mais importantes é que os sintomas variam de acordo com o grau de inflamação que é causada pelas bactérias. Portanto, poderá ocorrer: 

  • Diarréia aquosa
  • Diarréia sanguinolenta
  • Cólicas abdominais
  • Febre
  • Desidratação 
  • Megacólon tóxico
  • Perfuração do intestino grosso.

Como fazer o diagnóstico da infecção por clostridioides difficile?

O médico deverá suspeitar da infecção por CD quando o paciente em uso atual ou recente de antibiótico começar a cursar com 3 ou mais evacuações por pelo menos 2 dias. Além disso, a suspeita clínica poderá ser maior quando há febre associada. A diarréia poderá ser iniciada em até dois meses após o uso de antibióticos ou em até 72 horas após ter sido hospitalizada. 

Para fazer a confirmação do diagnóstico poderão ser realizados alguns tipos de exames de fezes. Através desses exames é possível verificar se há toxinas produzidas por C. difficile. Outro exame possível de ser realizado é a técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR), que consegue detectar a presença de material genético da bactéria (DNA). 

Um modo de confirmação do diagnóstico e através da inspeção do cólon sigmóide através de uma segmoidoscópio. Quando está ocorrendo a infecção é possível observar colite pseudomembranosa. Nesse contexto, a colonoscopia é indicada na colite quando a pesquisa nas fezes da toxina é negativa e há necessidade do diagnóstico rápido. 

Fonte: KELLY, Ciarán P. LAMONT, Thomas. BAKKEN, Johan S. 2021.

A coprocultura é o padrão-ouro para diagnóstico com sensibilidade em torno de 100% mas não é usado por seu alto custo. 

Tratamento da infecção clostridioides difficile

Inicialmente é preciso suspender a antibioticoterapia sistêmica nos pacientes com infecção. Os dois principais antibióticos que são utilizados para tratamento de infecção por CD são: 

  • Metronidazol 
  • Vancomicina

A metronidazol tem como principal vantagem o seu baixo custo e sua eficiência. Já a vancomicina apresenta a mesma eficácia que o metronidazol só que há risco, durante a terapia, de surgimento de Enterococcus spp resistente à vancomicina. Dessa forma, só é indicada para pacientes com quadros graves. 

Recidiva da infecção

A recidiva ocorre geralmente na primeira ou na segunda semana após o término do tratamento. 

Segundo estudos, cerca de 25% dos pacientes podem apresentar recidiva, mesmo após o tratamento com vancomicina. Se o paciente apresenta mais do que duas recidivas, o risco de novo episódio aumenta para 50 a 65%.

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Referência bibliográfica

  • Cohen SH, Gerding DN, Johnson S, et al. Clinical practice guidelines for Clostridium difficile infection in adults. 2010. update by the society for healthcare epidemiology of America (SHEA) and the infectious diseases society of America (IDSA). Infect Control Hosp Epidemiol 2010; 31:431.
  • Venuto C, Butler M, Ashley ED, Brown J. Alternative therapies for Clostridium difficile infections. Pharmacotherap. 2011;30(12):1266-78.
  • JUNIOR, S. Recentes mudanças da infecção por Clostridium difficile. Disponível aqui. Acesso em 13 de Janeiro de 2023.

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