Gastroenterologia

Resumo de Diverticulite Aguda: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Resumo de Diverticulite Aguda: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

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Sanar

5 min há 29 dias

Definição

A diverticulite aguda corresponde ao processo inflamatório associado ao divertículo, ou seja, é uma complicação da doença diverticular. A diverticulite ainda pode ser classificada em simples, quando há apenas inflamação, ou complicada, quando está associada a perfuração, obstrução intestinal, abscessos ou fístulas.

Epidemiologia da Diverticulite

A diverticulite aguda pode acometer até 15% dos pacientes com doença diverticular. Apesar da sua incidência aumentar com o avançar da idade, houve um aumento, nos últimos anos, de casos associados a pacientes jovens. Aproximadamente 25% dos pacientes com diverticulite evoluem com complicações associadas ao quadro, sendo a principal delas a formação de abscesso, que pode chegar até 17% dos casos complicados.

Fisiopatologia

Os divertículos são saculações formadas na parede intestinal, a partir da protrusão da mucosa e submucosa, através da camada muscular. O cólon sigmoide é o segmento do intestino grosso mais acometido pela diverticulite. O fato de ter o menor calibre e, portanto, a maior pressão intraluminal, favorece a protrusão da mucosa e submucosa em alguns pontos, formando os divertículos. Esses divertículos do lado esquerdo do cólon, sobretudo no sigmoide, costumam apresentar uma base mais estreita, sendo mais susceptíveis a obstrução por fecalitos. Com a persistência do processo obstrutivo, há um comprometimento do fluxo arterial e venoso, favorecendo um processo inflamatório e consequentemente, microperfurações no corpo diverticular.

Quadro clínico da Diverticulite

O quadro clínico da diverticulite vai depender da extensão do processo inflamatório e das complicações associadas. De um modo geral, o sintoma mais comum é a dor em fossa ilíaca esquerda, devido ao maior envolvimento do cólon sigmoide. Náuseas, vômitos e alteração do ritmo intestinal são sintomas inespecíficos que também podem estar presentes.

Dor Abdominal, Dor, Apendicite, Inchaço
Imagem: Dor abdominal
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/dor-abdominal-dor-apendicite-2821941/

Nos casos de diverticulite complicada, a dor abdominal costuma ser mais difusa, com sinais de irritação peritoneal. Alguns pacientes podem apresentar massa palpável, sugerindo a presença de um abscesso peridiverticular. Sinais de instabilidade hemodinâmica não são muito frequentes, mas podem estar presentes nos quadros mais graves, onde há perfuração com peritonite fecal ou peritonite purulenta difusa. A presença de sangramento nas fezes não costuma ter relação com a diverticulite, estando mais associado a doença diverticular do cólon direito.

Sintomas genitourinários, como disúria, pneumatúria e flatos vaginais, podem ser referidos por alguns pacientes. Nesses casos, devemos pensar na presença de fístulas colovesicais, que é uma das complicações da diverticulite aguda.

Diagnóstico de Diverticulite

O diagnóstico da diverticulite é dado a partir da anamnese, exame físico e exames complementares. A colonoscopia, embora seja um bom exame para o diagnóstico da doença diverticular, está contraindicada na suspeita do quadro agudo da diverticulite, devido ao risco de perfuração. Nesses casos, a tomografia computadorizada do abdome deve ser realizada devido a alta sensibilidade e especificidade, além de permitir afastar outros diagnósticos diferenciais, como a apendicite aguda e o câncer colorretal.

A tomografia computadorizada ainda permite classificar a diverticulite complicada em 4 estágios, através da escala de Hinchey: Estágio I: abscesso pericólico confinado; Estágio II: abscesso à distância (intra-abdominal ou retroperitoneal); Estágio III: peritonite purulenta difusa. Estágio IV: peritonite fecal.

Tratamento da Diverticulite

O tratamento da diverticulite não complicada geralmente é conservador e consiste em antibioticoterapia por 7 a 10 dias, visando cobrir germes gram-negativos e anaeróbios.

Os pacientes refratários ao tratamento clínico ou com complicações associadas devem ser submetidos a um tratamento mais invasivo. Abscessos de até 4 cm podem ser tratados através de uma drenagem percutânea. Nos casos de insucesso, abscesso maiores ou complicações como perfuração com sinais de peritonite, a cirurgia está indicada. Geralmente, a porção acometida pelo processo inflamatório é ressecada e a reconstrução do trânsito intestinal pode ser feita através de anastomose primária ou pela técnica de Hartmann.

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Referências:

John H Pemberton, MD Acute colonic diverticulitis: Medical management. UpToDate, 2020.  Acesso em: 19 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/acute-colonic-diverticulitis-medical-management

John H Pemberton, MD Clinical manifestations and diagnosis of acute diverticulitis in adults. UpToDate, 2021.  Acesso em: 19 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-and-diagnosis-of-acute-diverticulitis-in-adults

John H Pemberton, MD Colonic diverticulosis and diverticular disease: Epidemiology, risk factors, and pathogenesis UpToDate, 2021.  Acesso em: 19 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/colonic-diverticulosis-and-diverticular-disease-epidemiology-risk-factors-and-pathogenesis

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