Dermatologia

Doenças infecciosas virais e parasitárias

Doenças infecciosas virais e parasitárias

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SanarFlix

5 minhá 631 dias

MICOSES DA PELE:

As micoses de pele são infecções causadas por fungos, seres estes pertencentes ao reino fungi. Se caracterizam por serem eucariontes, ou seja, possuem núcleo organizado, com uma membrana nuclear que o separa do citosol, e por sua membrana celular que possui quitina. Os fungos possuem duas formas de apresentação:

  • Leveduriformes: Fungos unicelulares, que se reproduzem por brotamento e causam as micoses profundas.
  • Filamentosos: Hifas multicelulares, que se reproduzem por meio de esporos e causam as micoses superficiais. Este tipo de fungo está espalhado pelo ambiente, como: cogumelo, shitake, shimeji, bolor.

Os diferentes tipos de fungo acometem a pele em diferentes profundidades, causando doenças específicas. Dessa forma, as micoses podem ser classificadas entre: superficiais e cutâneas, subcutâneas e profundas. Observe a classificação de cada micose:


Neste material, você vai aprender sobre as micoses superficiais, cutâneas e subcutâneas. Você poderá aprender sobre as micoses profundas no nosso curso de Infectologia!

Micoses superficiais e cutâneas:

  • Pitiríase versicolor

Também conhecida como “pano branco”, a pitiríase versicolor é causada pelo Malassezia furfur, um fungo que produz ácido azelaico. Este, por sua vez, é responsável por inibir a formação de melanina na pele, o que gera as lesões características da pitiríase versicolor: máculas de diversas colorações, principalmente brancas, mas podendo ter tons diferentes de rosa. 

Clinicamente, observa-se que estas máculas brancas ou rosadas são confluentes, prevalecem em regiões sebáceas (dorso, região esternal) e possuem descamação furfurácea ao teste de Zileri (descamação mais evidente ao realizar o estiramento da pele lesional).

O diagnóstico é clínico, mas para confirmação pode ser utilizado também:

  • A lâmpada de Wood, com a qual a lesão adquire coloração amarelo-prateada;

  • O exame micológico direto com hidróxido de potássio (KOH) a 5%, em que é realizada a raspagem da lesão, o material é colocado na lâmina, pinga-se a solução de KOH e, no mesmo momento, já se observa a lâmina.

SAIBA MAIS: A lâmpada de Wood, apesar de pouco usada atualmente, possui baixo custo e fornece grande auxílio ao diagnóstico de diversas lesões dermatológicas, entre elas: infecções fúngicas, bacterianas, distúrbios de pigmentação e porfiria. Fundamenta-se na visualização da fluorescência emitida pela pele quando iluminada por uma luz com baixo comprimento de onda (entre 340 e 400 nanômetros). Dessa forma, cada tipo de lesão emitirá fluorescência específica, o que se traduz em diferentes colorações para diferentes dermatoses. A fluorescência amarelo-prateada emitida pela lesão da pitiríase versicolor se deve ao fato de a Malassezia furfur produzir metabólitos fluorescentes como o pityrialactone.

No exame micológico direto de lesões causadas pela Malassezia, observa-se a presença de blastoconídios em cachos e hifas septadas curtas e curvas.

Imagem: Presença de hifas curtas e curvas e blastoconídios em cacho (400x).

Imagem: Máculas brancas (à esquerda) e rosadas (à direita) características de pitiríase versicolor.

Entretanto, geralmente, não é comum o uso destes métodos diagnósticos. O tratamento consiste em antifúngicos tópicos, como o ciclopirox olamina (spray ou creme a 1%), 2 aplicações por dia, por 14 a 28 dias. Como alternativas, há ainda o fenticonazol (spray a 2%) e a terbinafina (spray a 1%), ambos de mesma posologia. Mas, quando a lesão é mais difusa ou o paciente é imunocomprometido, é mais recomendado o uso de antifúngicos sistêmicos, como o itraconazol (100 mg/comprimido), 2 comprimidos via oral, por 5 a 7 dias.

  • Piedras negra e branca

A piedra negra, muito comum na Amazônia, é provocada pela Piedraia hortai, já a piedra branca é causada pelo Tichosporum beigeli. Clinicamente, se expressam como uma pedra negra ou branca, respectivamente, aderida ao fio do cabelo. 

Imagem: Piedra negra e piedra branca.

Entretanto, enquanto a piedra negra acomete apenas região de couro cabeludo e barba, a piedra branca atinge couro cabeludo, barba, região genital e axilas. Ademais, um dos diagnósticos diferenciais da piedra branca são os casos de pediculose, mais especificamente os ovos da fêmea fecundada do Pediculus capitis, as lêndeas, diferenciando-se pelo fato de a primeira ficar aderida e envolver toda a circunferência do fio, enquanto a lêndea fica lateralmente ao fio e é facilmente removível.

O tratamento consiste no corte de cabelo, associado ao uso de antifúngico tópico, como o cetoconazol (shampoo a 2%). Este deve ser aplicado sobre as hastes, promovendo espuma abundante e o enxague só deve ser realizado 10 minutos depois. Este procedimento deve ser repetido 3 vezes por semana, por 2 a 4 semanas.

  • Dermatofitoses

As dermatofitoses, também conhecidas como tineas, acometem a camada externa da pele, cabelos e unhas. A transmissão pode ser por contato direto ou indireto e o diagnóstico costuma ser feito pela associação entre características clínicas, lâmpada de Wood (que confere a cor esverdeada à lesão) e micológico direto com KOH a 10%.

Com o KOH é possível diferenciar os três agentes causadores da tinea, a partir do formato do conidióforo (estrutura que libera esporos):

– Microsporum sp.

– Trichophyton sp.

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