Ciclo Clínico

A doença exantemática: diagnóstico e tratamento!

A doença exantemática: diagnóstico e tratamento!

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SanarFlix

9 min há 911 dias

A doença exantemática é um conjunto de doenças infecciosas nas quais a erupção cutânea é a característica dominante, mas geralmente também apresentam manifestações sistêmicas.

Na maioria das vezes o diagnóstico é apenas clínico.

A análise do tipo de lesão, dos sinais e sintomas concomitantes e a epidemiologia permite inferir o diagnóstico etiológico sem a necessidade de exames laboratoriais.

A grande maioria das doenças são viroses, mas também podem ser causadas por bactérias, outros agentes infecciosos ou não, como doenças reumatológicas.

As principais doenças exantemáticas são: sarampo, rubéola, escarlatina, exantema súbito, eritema infecioso, varicela e doença de Kawasaki.

Rubéola

Doença viral causada pelo togavírus e transmitida por via respiratória.

Quadro clínico

Na fase prodrômica apresenta febre baixa, mal estar, artralgia, mialgia e a fase exantemática. Na fase exantemática há exantema maculopapular, róseo, mais brando, há uma distribuição craniocaudal; não há descamação, gânglios retroauriculares e adenomegalia. Presença de enantema, “bolinhas” vermelhas em região de palato e de úvula. A grande maioria dos casos não tem manifestação clínica. A intensidade dos sintomas esta diretamente relacionada à faixa etária.

Tratamento

É de suporte. A profilaxia pós-exposição, com imunoglobulina, só está indicada para as gestantes susceptíveis e expostas.

A vacinação de bloqueio, envolvendo o grupo de 6 meses até 39 anos de idade.

Prevenção com tríplice viral 1 ano e reforço 4-6 anos

 

Roséola ou Exantema Súbito

Herpes (HHV) 6 e 7 que provocam essa doença, e afeta principalmente crianças pequenas, menores de 2 anos de idade, transmissão ocorre durante período febril por via oral.

Quadro clínico

Pacientes apresentam febre alta >39,5oC de inicio súbito que dura por 3 dias, seguido de exantema, a criança se apresenta clinicamente estável durante o curso da doença, ela não apresenta outros sintomas. O exantema é leve, maculopapular, róseo, discreto, que dura de 2 a 3 dias. Se inicia na face, pescoço e no mesmo dia se dissemina, predominando no tronco. Raramente vai ter linfadenopatia, pode ter sintomas respiratórios, gastrointestinais. Deve se pedir hemograma para descartar outras doenças, como dengue.

Tratamento

Não há tratamento, é uma doença viral, quando desaparecer a febre deve surgir o exantema e que a criança melhora em 2-3 dias.

 

Escarlatina

É muito mais comum no paciente entre 3 e 15 anos, muito raro em lactentes por persistência de anticorpos maternos protetores. Cerca de 20% dos pacientes são portador assintomáticos.

Quadro clínico

Quadro de dor de garganta e febre, que precede o exantema em 2 dias, inicia-se com vermelhidão no corpo, que começou pelo tronco, puntiforme, áspero, que desaparecia à compressão. A língua da criança apresentou-se inicialmente com uma secreção espessa, esbranquiçada, posteriormente com vários pontos vermelhos. Sete dias após o início do quadro há descamação da pele em placas.

Sinais mais clássicos

Sinal de Filatov (palidez perioral); sinal de Pastia (intensificação desse exantema nas regiões de dobras); língua de framboesa (bem característico, mas também pode ocorrer na doença de Kawasaki).

Sinal de Filatov
                                    Sinal de Filatov
Língua em Framboesa

 

                Língua em Framboesa
Sinal de Pastia

 

                            Sinal de Pastia

Escarlatina é causada por bactéria, o Estreptococos pyogenes ou beta- hemolítico, que causa febre reumática, glomerulonefrite. Os sintoma são causados pela toxina produzida pela bactéria.

Geralmente a transmissão ocorre por via aérea, o período que se transição é do inicio dos sintomas ate 24 a 48h do inicio de antibioticoterapia.

Diagnóstico

Basicamente clínico. Os testes para anticorpos no soro da fase aguda e de convalescença, como a antiestreptolisina O (ASLO); são úteis e contribuem como mais um dado presuntivo de infecção por estreptococo do grupo A, porém não têm valor para o diagnóstico imediato ou tratamento da infecção aguda, pois a elevação do título obtido após 2 a 4 semanas do início do quadro clínico é muito mais confiável do que um único título alto. A cultura é o padrão ouro.

Tratamento

Benzetacil (penicilina benzatina) ou Amoxicilina, via oral.

Macrolídeos e Azitromicina só são indicados em pacientes alérgicos.

O objetivo de se tratar é evitar as complicações tanto infecciosas, abscesso periamidagliano, choque tóxico e a febre reumática.

 

Eritema Infeccioso

Doença causada pelo parvovírus humano, pode causar aplasia medular, principalmente nos pacientes falcêmicos.

Quadro clínico

Na fase prodrômica ocorre febre baixa, cefaleia, sintomas de IVAS e linfadenopatia.

Na fase Exantemática, a fase 1, ocorre 3 dias após os sintomas iniciais e se caracteriza por exantema em face, em regiões maxilares (bochecha esbofeteada); a fase 2, após 2 dias, ocorre pela disseminação para o tronco, extremidades proximais, e do aspecto rendilhado; e a fase 3, 2 semanas após o desaparecimento do exantema, quando ocorre o surgimento da recidiva discreta em tronco e membros, principalmente com sol, calor e estresse.

Transmissão

Via oral ou secreção nasofaríngea, quando aparece o exantema não há mais chance de transmissão, e o tratamento não é mais realizado. Período de latência de 4 a 14 dias, é uma doença benigna e autolimitada.

Tratamento

Sintomático e raramente imunoglobulina endovenosa.

Varicela

Quadro clínico

Inicia com febre baixa, e após esse período surgem manchas vermelhas na pele, iniciando na face e couro cabeludo.

Sobre essas manchas aparecem pequenas vesículas. Seu conteúdo fica espesso, secando e formando uma crosta. As lesões evoluem para tronco, membro, mucosa oral, conjuntiva, conduto auditivo, genitália.

Em uma mesma região você pode encontrar várias lesões em situações diferentes: crosta, vesícula, bolha.

Há comprometimento tanto em mucosas quanto em pele.

Complicações

Infecções bacterianas secundárias, marcha atáxica (cerebelite), ataxia cerebelar, encefalite, fasceite necrosante, pneumonia, síndrome de Reye, manifestações hemorrágicas, síndrome da pele escaldada.

Obs.: Pacientes com neoplasia, transplantados, grávidas, imunossuprimidos, pacientes portadores de colagenoses, RN de 5- 10 dias, prematuros <32s, desnutrição severa, fibrose cística, adultos são suscetíveis a um quadro mais grave.

Tratamento

Sintomático, deve evitar salicilatos.

Aciclovir oral para pacientes com mais de 13 anos, segundo caso, doença crônica de pele ou pulmonar, usos de ctc (dose não imunossupressora, ex.: asma), uso crônico de AAS. Pode ser usado venoso em pacientes imunodeprimidos, varicela progressiva e recém-nascidos.

A vacina, pós-contato, pode ser feita até 72 horas em gestantes e recém-nascido que faz uso de imunoglobulina.

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Referências

  1. Murtagh J. Murtagh J Ed. John Murtagh.eds. Murtagh’s General Practice, 6e New York, NY: McGraw-Hill.
  2. Diagnóstico Diferencial das Doenças Exantemáticas, Sílvia Regina Marques e Regina Célia Menezes Succi. Infectologia Pediátrica 1999, Capítulo 19, pág. 169. 2a edição, Calil K. Farhat et al. Atheneu.
  3. Vranjac, A. (2007). Escarlatina: orientações para surtos. Boletim Epidemiológico Paulista, 4(46), 14–24. Retrieved from http://periodicos.ses.sp.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-42722007001000003&lng=pt&nrm=iso
  4. Lúcia Ferro / Sucupira. Pediatria de Consultório – 4º ed. 2000.

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