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Entorses: definição, epidemiologia, mecanimos de lesão, tratamento e mais

Entorses: definição, epidemiologia, mecanimos de lesão, tratamento e mais

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As entorses são lesões articulares mais comuns na população ativa e também entre aquelas relacionadas ao esporte. Ela é definida como uma lesão ligamentar (estiramento ou ruptura de ligamentos) que pode ocorrer devido a movimentos violentos de uma articulação.

As entorses podem ocorrer em qualquer articulação do corpo que tenha ligamentos, mas algumas das articulações mais comuns que sofrem entorses incluem:

  • Tornozelo: é a articulação mais comum para entorses, especialmente quando há uma torção ou uma rotação súbita do pé.
  • Joelho: é uma articulação complexa e sujeita a lesões ligamentares, especialmente o ligamento cruzado anterior.
  • Punho: as entorses de punho geralmente ocorrem durante atividades físicas que envolvem queda, como esportes de inverno, skate ou patinação.
  • Cotovelo: entorses de cotovelo são menos comuns, mas ainda podem ocorrer durante atividades esportivas ou quedas.

Outras articulações que também podem sofrer entorses incluem ombro, quadril, dedos e coluna vertebral.

Etiologias das entorses

Entorses geralmente ocorrem quando uma articulação é submetida a uma força súbita e excessiva que excede a capacidade do ligamento de manter a estabilidade da articulação.

Isso pode ser causado por uma torção excessiva, uma queda ou um golpe direto na articulação.

Atividades esportivas que exigem movimentos bruscos e repentinos, como corrida, futebol, basquete e esportes de contato, aumentam o risco de entorse.

Ilustração Entorse de tornozelo durante um jogo de basquete com rompimento do ligamento talofibular anterior, que faz parte do complexo ligamentar lateral.
Imagem: Entorse de tornozelo durante um jogo de basquete com rompimento do ligamento talofibular anterior, que faz parte do complexo ligamentar lateral. Fonte: Moore, 2014

Principais causas

As principais causas de entorse incluem:

  1. Atividades físicas: entorses são comuns em atividades físicas que envolvem movimentos bruscos, torções, saltos, quedas, colisões ou contatos, tais como esportes, dança, artes marciais e ginástica.
  2. Terreno irregular: correr ou caminhar em terrenos irregulares, como terrenos acidentados ou superfícies com buracos, aumenta o risco de entorse.
  3. Calçados inadequados: o uso de calçados que não oferecem suporte adequado ou que são muito apertados ou muito soltos pode aumentar o risco de entorse.
  4. Fadiga muscular: quando os músculos estão cansados, eles podem não ser capazes de fornecer suporte adequado às articulações, o que pode aumentar o risco de entorse.
  5. Fatores anatômicos: algumas pessoas podem ter predisposição genética ou anatômica a entorses devido a diferenças na forma ou tamanho das articulações, ou fraqueza muscular.
  6. Envelhecimento: com a idade, os ligamentos e tendões perdem elasticidade e tornam-se mais frágeis, o que aumenta o risco de entorse.
  7. Condições médicas pré-existentes: algumas condições médicas, como artrite, osteoporose ou doenças neurológicas, podem aumentar o risco de entorse.
  8. Acidentes automobilísticos: entorses podem ocorrer em acidentes automobilísticos quando o corpo é arremessado para frente ou para trás durante a colisão.

Diferença entre entorse e torção

Na pratica médica, os termos torção e entorse são comumente confundidos. Torção se refere ao mecanismo que ocorre na articulação, é o movimento rotacional do tálus em relação a tíbia e a fíbula.

Esse movimento pode levar a vários problemas, como uma lesão na cortical óssea da tíbia ou fíbula, provocando uma fratura. Uma incongruência das articulações, levando a luxação. Ou até uma lesão ligamentar, levando a uma entorse. Ou seja, o movimento de torção pode levar a uma entorse.

A torção é o mecanismo que ocorre no trauma e a entorse é o diagnóstico da lesão ligamentar.

Epidemiologia das entorses de tornozelo

Entorses de tornozelo são extremamente comuns e representam 25% dos atendimentos nos pronto-socorro ortopédicos. Estima-se que 1 em cada 10 mil pessoas evolui com entrose do tornozelo por dia.

Ocorre com maior frequência nos atletas de futebol, basquete e vôlei, correspondendo a cerca de 10% a 15% de todas as lesões do esporte.

Dessa forma, a população mais cometida são atletas durante suas atividades esportivas e pessoas comuns que pisam em falso em terrenos irregulares ou degraus.

Uma revisão sistemática trouxe que a entrose é mais comum em mulheres que homens. É mais comum em crianças e adolescentes, quando comparados com adultos.

Tipos de entorses mais comuns

  • A entorse lateral do tornozelo é a entorse mais comum sofrida durante o esporte, variando de 70 a 90% de todas as entorses.
  • O ligamento talofibular anterior é o único ligamento lesado em 73% das entorses de tornozelo. 
  • A entorse aguda do tornozelo é responsável por 15 a 17% de todas as lesões esportivas do ensino médio.

Fatores de riscos para as entorses dos tornozelos

Os fatores de riscos das entorses podem ser divididas em intrínsecas e extrínseca. Confira abaixo.

Fatores intrínsecos

  • Dorsiflexão limitada;
  • Propriocepção reduzida;
  • Deficiências no equilíbrio.

Fatores extrínsecos

Esse fator de risco também pode ser chamado de fator ambiental. Ele inclui:

  • Atividades, como esportes em quadras abertas;
  • Uso de sapatos inapropriados durante a prática de atividade física;
  • Superfícies irregulares.

Mecanismos da lesão das articulações do tornozelo

O principal mecanismo para lesão ligamentar é a supinação ou inversão com flexão plantar (entorse lateral do tornozelo). Ambos representam cerca de 85% dos casos. Entretanto, ela também pode acontecer pelo mecanismo de eversão (entorse medial do tornozelo). Visualize esses movimentos na imagem abaixo.

Ilustração Mecanismos para entorse do tornozelo.
Imagem: Mecanismos para entorse do tornozelo. Fonte: Uptodate, 2019.

Mecanismo de inversão

A inversão é o mecanismo de lesão principal por 2 motivos primordiais:

1: Posição posteriorizada da fíbula em relação a tíbia: o fato de a fíbula estar em uma posição mais posterior que a tíbia faz com que exista um vão para que o tálus tenha espaço para se movimentar e sair no movimento de supinação/inversão.

2: Fraqueza intrínseca dos ligamentos laterais: a estabilidade lateral do tornozelo é dada pelo complexo ligamentar lateral, que é mais fraco que os ligamentos mediais e, por isso, acaba sendo mais acometido nas entorses de tornozelo.

Ligamentos mais acometidos

Como falamos acima, o mecanismo mais comum de lesão no tornozelo é a inversão com flexão plantar do pé, que causa danos aos ligamentos laterais do tornozelo. São eles:

  • Ligamento talofibular anterior;
  • Ligamento calcâneofibular;
  • E ligamento talofibular posterior.

Os ligamentos são lesionados em uma sequência previsível a medida que as forças aumentam. O talofibular anterior é o primeiro ou único ligamento a ser lesado na maioria das entorses de tornozelo.

Forças mais intensas levam a rupturas combinadas do ligamento talofibular anterior e do ligamento calcaneofibular. Isso pode resultar em instabilidade significativa da articulação do tornozelo.

A lesão isolada do ligamento calcaneofibular é incomum. No entanto, forças mais intensas resultam em lesões nos três ligamentos. Tais lesões, embora incomuns, são mais debilitantes e mais comumente associadas a lesões nervosas significativas.

Mecanismo de eversão

O complexo ligamentar medial é formado pelo deltoide, que é a união dos ligamentos tibiotalar anterior e posterior, tibionavicular e tibiocalcâneo.

A eversão forçada do tornozelo pode causar danos a essa estrutura. E isso pode ocasionar a fratura por avulsão do maléolo medial, devido a força do ligamento deltoide.

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A articulação talocrural (articulação do tornozelo) está localizada entre as extremidades distais da tíbia e da fíbula e a parte superior do tálus. Ela é reforçada lateralmente pelo ligamento colateral lateral, uma estrutura composta por três ligamentos completamente separados. Este ligamento sustenta o aspecto lateral do tornozelo, impedindo o movimento de inversão.

  • Ligamento talofibular anterior (TFA): uma faixa plana e fraca que se estende em sentido anteromedial do maléolo lateral até o colo do tálus. É o mais comumente acometido nas entroses de tornozelo.
  • Ligamento calcaneofibular: um cordão redondo que segue em sentido posteroinferior da extremidade do maléolo lateral até a face lateral do calcâneo. É mais forte que o ligamento TFA.
  • O Ligamento talofibular posterior, uma faixa espessa, é o ligamento mais forte do complexo lateral. Segue em trajeto horizontal, em sentido medial e ligeiramente posterior a partir da fossa do maléolo até o tubérculo lateral do tálus.

A cápsula articular é reforçada medialmente pelo grande e forte ligamento colateral medial (ligamento deltoideo). A sua fixação proximal é no maléolo medial.

O ligamento medial abre-se em leque a partir do maléolo. Ele se fixa distalmente ao tálus, calcâneo e navicular por meio de quatro partes adjacentes e contínuas:

  • A parte tibionavicular;
  • A parte tibiocalcânea;
  • E as partes tibiotalares anterior e posterior.

O ligamento colateral medial estabiliza a articulação talocrural durante a eversão e impede a subluxação da articulação.

Imagem: Ligamentos laterais do tornozelo. Fonte: https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/articulacao-do-tornozelo
Imagem: Ligamentos mediais do tornozelo. Fonte: https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/articulacao-do-tornozelo

Diagnóstico das entorses

O diagnóstico de entorse geralmente é baseado na história clínica e no exame físico.

O médico irá avaliar a gravidade da lesão, verificar se há inchaço, dor, dificuldade de movimentação e instabilidade na articulação afetada.

Em alguns casos, pode ser necessário realizar exames de imagem, como raio-x ou ressonância magnética, para avaliar a extensão da lesão.

Tratamento das entorses

O tratamento de entorse geralmente depende da gravidade da lesão. As entorses leves podem ser tratadas com repouso, compressas de gelo, elevação e medicamentos para alívio da dor e inflamação, como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). O médico também pode recomendar fisioterapia para ajudar a fortalecer a musculatura ao redor da articulação afetada.

As entorses moderadas ou graves podem requerer imobilização da articulação afetada com uma tala ou gesso por um período de tempo para permitir a cicatrização do ligamento. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de muletas para evitar a colocação de peso na articulação afetada.

Em casos mais graves, pode ser necessária a cirurgia para reparar o ligamento rompido. O tempo de recuperação pode variar de acordo com a gravidade da lesão, mas a maioria das pessoas pode voltar gradualmente às atividades normais dentro de algumas semanas a alguns meses após a lesão.

Prevenção

Algumas medidas podem ser tomadas para prevenir entorses, como:

  • Realizar alongamento e aquecimento antes de atividades físicas;
  • Usar calçados adequados e com boa aderência;
  • Evitar atividades físicas em terrenos irregulares;
  • Fortalecer os músculos ao redor da articulação afetada;
  • Usar equipamentos de proteção em atividades esportivas.

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Sugestão de leitura complementar

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Referências

  1. MAUGHAN, K. L.; JACKSON, J. Ankle sprain in adults: Management. UpToDate, 2023.
  2. MAUGHAN, K. L.; JACKSON, J.Ankle sprain in adults: Evaluation and diagnosis. UpToDate, 2023.