Neste post pretendemos discutir sobre o estudo, publicado pela Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que aponta o aumento de ansiedade e depressão durante a pandemia da COVID-19. O aumento foi mais pronunciado entre indivíduo jovens e com maior grau de escolaridade.
O estudo se deu nos Estados Unidos e coletou dados de aproximadamente 800.000 adultos através das respostas fornecidas à formulário de pesquisa online.
O formulário envolvia perguntas a respeito da área da saúde mental do indivíduo, questionando-o quanto a sintomas de ansiedade e depressão.
Os pesquisadores acreditam que há uma correlação dos sintomas com a situação epidemiológica, já que foi observada uma certa tendência nas respostas de acordo com o número semanal de casos da COVID-19.
Resultados da pesquisa indicam aumento dos sintomas
Se compararmos o período de Agosto do ano de 2020, antes do início da pandemia, ao período de Dezembro de 2020, houve um aumento de 6% nos sintomas de ansiedade e depressão, aponta o estudo.
O número de adultos recebendo medicações ou aconselhamento para sua saúde mental aumentou de 22% para 25%, considerando os mesmos períodos acima comparados.
Todas as faixas etárias afetadas
Todas as faixas etárias, com exceção dos idosos acima de 80 anos, registraram aumento nos sintomas psiquiátricos.
O grupo que apresentou o maior aumento agrupa indivíduos mais jovens, ou aqueles ainda sem diploma do ensino médio.
De fato, a quantidade de jovens entre 18 e 25 anos que reportaram sintomas de ansiedade ou depressão, nos 7 dias precedentes, foi de 57%. Isto significa que 3 a cada 5 jovens sofriam com os sintomas.
A importância destes resultados na prática
Os achados do estudo levantam dados alarmantes. Ao lado de uma pandemia que afeta drasticamente a saúde física da população, temos um outro problema que se agrava.
A saúde mental dos indivíduos sofreu, indubitavelmente, uma piora considerável durante o último ano.
É preciso direcionar o olhar para o problema, já latente, que agora se mostra comprovado por pesquisas.
Estas devem direcionar as ações em saúde, guiando-as para buscar atender as necessidades da saúde mental daqueles que sofrem.
Além disso, monitorização contínua do estado mental se faz importante como ferramenta útil para medir o impacto das intervenções.
Os autores do estudo chamam a atenção para as limitações da pesquisa, como por exemplo a necessidade de possuir internet para ter acesso ao questionário.
Porém os resultados são válidos e refletem, de certa maneira, uma realidade já percebida de forma empírica.
É notório, por fim, como a população mais jovem foi desproporcionalmente afetada. Mais estudos que busquem compreender os fatores por trás da vulnerabilidade desta faixa etária serão necessários.
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