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Fases do Trabalho de Parto | Colunistas

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Paula Mendes

7 minhá 143 dias

Segundo a nova diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS), cada trabalho de parto e nascimento são únicos e a duração de sua primeira etapa ativa varia de uma mulher para outra.

O parto é um processo fisiológico e natural que pode ser vivenciado sem complicações pela maioria das mulheres e bebês. Geralmente, um primeiro trabalho de parto não se estende além de 12 horas e trabalhos subsequentes não se estendem além de 10 horas.

Nas últimas semanas de gestação, o corpo materno sofre algumas alterações para possibilitar o nascimento do bebê. O parto é caracterizado pelas contrações mioepiteliais que provocam a dilatação cervical e a expulsão do feto. Nesse sentido, o trabalho de parto é o estágio de estimulação que possibilita esse nascimento, sendo dividido em:

  1. Dilatação;
  2. Expulsão;
  3. Dequitação ou segundamento.

Dilatação

Esse estágio inicia-se com as primeiras contrações dolorosas, que têm a finalidade de promover a modificação da cérvix uterina até atingir uma dilatação de 10cm. Essas modificações abrangem dois fenômenos:

Esvaecimento cervical: incorporação do colo à cavidade uterina, terminando com a formação de um degrau ao centro da abóbada cérvica;

Dilatação propriamente dita: ampliação do canal de parto, completando a continuidade entre útero e vagina.

Vale lembrar que esses fenômenos podem ocorrer de forma distinta; a mulher pode ser primípara ou multípara, e, nesse último, normalmente os fenômenos ocorrem de forma simultânea.

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A dilatação cervical é dividida em:

Fase latente: normalmente dura 8 horas e apresenta contrações mais eficazes, levando em consideração a coordenação e intensidade, contudo não determinam modificações significativas na dilatação cervical, sendo a dilatação nessa fase em tomo de 0,35cm/h;

Fase ativa: inicia com dilatação cervical de 4cm e dura em média 6horas nas primíparas, sendo a dilatação entre 1,2cm/h e 1,5cm/h dependendo da paridade.

Friedman divide essa fase em três subdivisões que propiciam a dilatação e são capazes de modificar mais acentuadamente a cérvix:

  1. Aceleração: em que a velocidade de dilatação começa a modificar-se;
  2. Aceleração máxima: quando a dilatação passa de 2 a 3 cm para 8 a 9 cm;
  3. Desaceleração: que precede a dilatação completa.

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Expulsão

Após a dilatação completa, o útero se mantém imobilizado pela ação dos ligamentos largo (lateralmente), redondo (superiormente) euterossacro (posteriormente). Assim, como consequências das contrações involuntárias miometriais e voluntárias dos músculos abdominais – também denominada puxo –o feto sai pelo canal de parto.

Nesse período, a descida do polo cefálico é classificada em fase cefálica e pélvica, levando em consideração os planos de De Lee.

  1. Fase cefálica: quando a apresentação se encontra acima do plano +3 de De Lee;
  2. Fase pélvica: apresenta a cabeça rodada e em um plano inferior a +3 de De Lee.

Dequitação

Em virtude da diminuição do volume uterino depois da expulsão fetal, associada às contrações uterinas vigorosas e indolores, o útero expele a placenta e as membranas através do canal de parto, exteriorizando-as pela rima vulvar.

O descolamento placentário pode ser classificado em:

  1. Descolamento central ou de Baudelocque-Schultze: esse tipo é o mais frequente, em que a face placentária visualizada pela rima vulvar é a face fetal;
  2. Descolamento periférico ou de Baudelocque-Duncan: quando o descolamento começa lateralmente, sendo a face materna a primeira face placentária visualizada na rima vulvar. Esse tipo é menos comum e tem escoamento de sangue antes da total expulsão da placenta.

Eventos importantes na primeira hora de parto

A primeira hora do parto ou primeira hora do puerpério é também denominada de quarto período de Greenberg, que se inicia após a dequitação. Esse momento é de extrema importância, uma vez que há ocorrência de fenômenos para estabilização materna. Dentre eles:

  1. Miotamponamento: primeira linha de defesa contra a hemorragia, em que a contração do útero causa oclusão dos vasos miometriais;
  2. Trombotamponagem: é a segunda linha de defesa contra a hemorragia, quando o estágio de contração fixa do útero ainda não foi alcançado. Caracteriza-se pela formação de trombos nos grandes vasos uteroplacentários;
  3. Indiferença uterina: é caracterizada por contração e relaxamento das fibras miometriais;
  4. Contração fixa: o útero adquire maior tônus e assim se mantém auxiliando no retomo do útero ao estado pré-gravídico.

Cuidados recomendados no trabalho de parto

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde publicou “Intrapartum care for a positive childbirth experience”, contendo algumas recomendações para os cuidados durante o trabalho de parto e parto. Dentre elas, há cuidados estabelecidos desde o processo de nascimento até cuidados no puerpério. Algumas dessas recomendações estão no quadro abaixo:

Recomendação de leitura complementar

Nesse contexto de recomendações e cuidados, é importante salientar que ainda há um cuidado desrespeitoso e não digno que persiste em muitas unidades de saúde, violando os direitos humanos e afastando as mulheres de um sistema de saúde que as empodere e permita suas escolhas. Dessa forma, tendo em vista o cenário de busca por um parto humanizado o colunista Marcel Áureo escreveu o artigo “Parto: Um desafio para humanização” para o blog da SanarMed.

Autoria: Paula Mendes

Instagram: @mendees.p

Confira o vídeo:

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