Carreira em Medicina

Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST): quais são as principais?

Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST): quais são as principais?

Compartilhar
Imagem de perfil de Graduação Médica

Aprenda sobre as principais infecções sexualmente transmissíveis, entenda seus agentes etiológicos e como conduzir a terapia. Bons estudos!

As infecções sexualmente transmissíveis são um importante questão de saúde pública. Nos últimos anos, o Brasil e o mundo vem tomado medidas para o controle dessas doenças, por meio de distribuição de camisinhas gratuitas e a propagação de informações.

É fundamental que o médico saiba identificar e tratar as principais doenças sexualmente transmissíveis.

O que são as infecções sexualmente transmissíveis?

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são um importante problema de saúde pública em todo o mundo, tanto pela sua alta prevalência quanto pela forma de transmissão.

A prevenção depende muitas vezes de intervenções não só assistenciais como comportamentais, educacionais e até socioculturais.

Embora, na maioria dos casos, exista tratamento eficaz, as IST’s, quando não tratadas, podem evoluir com complicações sérias, como:

  • Infecções crônicas do trato genital;
  • Infertilidade;
  • Câncer cervical;
  • Aumento do risco de transmissão e aquisição do HIV.

Geralmente, a abordagem e diagnóstico são feitos de forma sindrômica, com base na apresentação clínica do paciente. No entanto, muitas pacientes possuem doença assintomática, o que torna o diagnóstico mais difícil, aumentando o risco de complicações e de transmissão sustentada na comunidade.

Fatores de risco das Infecções Sexualmente Transmissíveis

Antes de entrarmos na classificação das doenças em si, é importante sabermos os fatores de risco associados a essas doenças, tais como:

  • Paciente com idade entre 15-24 anos;
  • Solteiras;
  • História prévia de IST;
  • Uso prolongado de drogas ilícitas;
  • Múltiplos parceiros sexuais;
  • Contato com profissionais do sexo;
  • Uso inadequado de preservativo ou não uso.

Dessa forma, é imprescindível uma anamnese bem feita para identificação desses fatores de risco e colher a história sexual da paciente de forma detalhada.

É fundamental que sejam questionados acerca dos seguintes tópicos:

  • Parceiros novos nos últimos 60 dias;
  • História de múltiplos parceiros;
  • Presença de úlceras genitais;
  • Tipo de exposição sexual;
  • Frequência de uso de preservativo;
  • Idade de coitarca;

Infecções Sexualmente Transmissíveis: doenças que causam úlceras genitais

As úlceras genitais são lesões localizadas principalmente em região de vulva, vagina ou colo uterino. Os principais agentes etiológicos são:

  1. Herpes simplex vírus;
  2. repomena Pallidum;
  3. Chlamydia trachomatis;
  4. Haemophilus ducreyi;
  5. Klebsiella granulomatis.

Outras doenças não infecciosas também podem causar aparecimento dessas úlceras, como Doença de Behçet. Esse é o principal diagnóstico diferencial por se tratar de uma doença inflamatória crônica, de etiologia incerta, caracterizada por úlceras também na cavidade oral, uveíte e sintomas sistêmicos. Além disso, neoplasias de vulva, dermatite de contato e traumas na região.

Herpes Genital: importante Infecção Sexualmente Transmissível

A herpes genital tem como agente etiológico o Herpes simplex vírus (HSV-tipo 1 e HSV-tipo 2).

A causa mais comum de úlcera genital é a herpes genital, principalmente pelo sorotipo HSV-tipo 2. A transmissão ocorre por contato sexual vaginal, oral ou anal, pela mucosa ou lesão infectante.

Cerca de 50-90% dos adultos têm anticorpos circulantes contra HSV-tipo 1; e 20-30% contra HSV-tipo 2. Pacientes portadoras de HSV-tipo 2 têm mais chance de contrair o vírus HIV. Muitas pacientes são portadoras assintomáticas do vírus, porém contaminantes, o que dificulta o controle da doença.

Classificação da herpes genital: entenda essa infecção sexualmente transmissível

Primo-infecção herpética

Geralmente, esse tipo de herpes genital é subclínica, tornando a paciente uma portadora assintomática.

Nos casos sintomáticos, possui período de incubação de 4-7 dias, observam-se lesões eritematopapulosas de 1 a 3 mm em pequenos lábios, clitóris, grandes lábios ou fúrcula vaginal. Podem ainda evoluir para vesículas agrupadas com conteúdo citrino, que se rompem e dão origem a ulcerações dolorosas.

Quando presente, a cervicite herpética cursa com corrimento genital aquoso. A paciente pode apresentar ainda sintomas gerais como febre, mal estar e mialgia. Após 3 semanas, o vírus entra em estado de latência em gânglios medulares ou de nervos cranianos.

As lesões herpéticas são caracterizadas por vesículas agrupadas sobre uma base eritematosa, que evoluem para pequenas úlceras arredondadas, dolorosas, com bordas lisas. Posteriormente, são recobertas por crostas sero-hemáticas até a cicatrização. A lesão tem regressão espontânea em 7-10 dias.

infecções sexualmente transmissíveis
Primo-infecção.

Herpes recidivante ou recorrente

O quadro clínico é menos intenso do que na primo-infecção, sendo precedido por aumento da sensibilidade, prurido, queimação e “fisgadas” nas pernas, quadris e região anogenital.

Após o contágio com o HSV, pode levar de 2 a 12 dias (geralmente cerca de 2 a 6 dias) para que os sintomas da infecção inicial apareçam. Já nas recorrências subsequentes, os sintomas costumam surgir mais rapidamente, muitas vezes dentro de 24 a 48 horas após a reativação viral.

Alguns fatores podem promover a reativação do vírus, como:

  • Estresse físico ou emocional;
  • Imunodeficiência;
  • Uso prolongado de antibióticos;
  • Trauma local;
  • Mudanças hormonais do ciclo menstrual;
  • Exposição à radiação ultravioleta.

As lesões tendem a ocorrer na mesma região da lesão inicial e regridem espontaneamente entre 7 e 10 dias.

Imagem: Herpes simples recorrente intrabucal no palato duro, a região intrabucal mais comprometida. Os pacientes comumente atribuem como causa das lesões os traumatismos por alimentos ou escovação dentária. Em B, observa-se presença de vesículas ainda preservadas e ulcerações de pequeno tamanho, correspondentes a ruptura precoce das vesículas pelos alimentos. Fonte: Google imagens.

Diagnóstico de herpes genital: como identificar essa infecção sexualmente transmissível?

Essencialmente clínico, por meio da história e características da lesão.

O diagnóstico laboratorial também pode ser feito pela coleta de material por meio de swab, para detecção direta do HSV.

A citopatologia (método de Tzanck) trata-se de um raspado de vesícula integra para observação de inclusões virais. Existem também testes virológicos, pelo isolamento do HSV em cultura.

Os métodos de amplificação de ácido nucleico (NAATs), incluindo ensaios de reação em cadeia da polimerase (PCR), estão agora disponíveis comercialmente e são o teste de escolha, pois possuem uma sensibilidade mais alta que a cultura ou o teste direto de anticorpos imunofluorescentes.

Tratamento de herpes genital: como essa infecções sexualmente transmissíveis é passada?

Em geral, o tratamento inclui a prevenção da transmissão, a atenuação da sintomatologia, a redução da possibilidade de complicações posteriores, a promoção da cura do episódio e a supressão possível dos episódios de recrudescência. Se os sintomas forem mínimos, poderá ser suficiente a utilização de analgésicos e de limpeza das lesões.

A utilização de analgésicos ou AINES e permanganato de potássio é feita para evitar infecções bacterianas secundárias nas lesões genitais.

Em primo-infecção, o tratamento pode ser feito com:

  • Aciclovir 400mg, via oral, de 8 em 8 horas, por 5-10 dias ou 200 mg, via oral, de 4 em 4 horas, por 5-10 dias ou
  • Valaciclovir 500, via oral, de 12 em 12 horas, por 5-10 dias ou
  • Famciclovir 250 mg, via oral, de 8 em 8 horas, por 5-10 dias.

Em recidivante, deve-se tratar ao aparecimento dos pródromos com:

  • Aciclovir
    • 800 mg, via oral, de 8 em 8 horas, por 2 dias ou;
    • 400 mg, via oral, de 8 em 8 horas, por 3-5 dias ou;
    • 200 mg, via oral, de 4 em 4 horas, por 3-5 dias.
  • Famciclovir
    • 1g, via oral, de 12 em 12 horas, por 1 dia ou;
    • 250mg, via oral, de 12 em 12 horas, por 5 dias ou;
    • 125mg, via oral, de 12 em 12 horas por 3-5 dias.
  • Valaciclovir 500 mg, via oral, de 12 em 12 horas, por 3-5 dias.

Caso ocorram seis ou mais episódios da doença em um ano, recomenda-se a terapia de supressão diária de baixas doses por 6-12 meses: Aciclovir 400 mg, VO, 2 vezes/dia ou Valaciclovir 500 – 1000 mg, VO, 1 vez/dia ou Famciclovir: 250mg, VO, 2 vezes/dia.

Em pacientes imunossuprimidos:

  • Aciclovir endovenoso, 5-10 mg/kg de peso, EV, de 8/8h, por 5 a 7 dias, ou até resolução clínica.

Sífilis: entenda melhor essa infecção sexualmente transmissível

A sífilis é causada pelo Treponema pallidum, bactéria Gram-negativa, do grupo das espiroquetas.

A transmissão se dá, quase que exclusivamente, por contato, principalmente sexual, com pacientes com lesões genitais ativas. Na sífilis congênita, ocorre por meio da via hematogênica. O tratamento não confere imunidade, podendo-se contrair a infecção toda vez que houver exposição.

O Brasil vive um período de aumento de casos de sífilis. Este aumento pode ser decorrente do aumento da notificação de casos de sífilis, que em 2010 passou a ter notificação compulsória. Em 2016, haviam 42,5 casos por 100 mil habitantes.

Classificação da sífilis: como essa doença se comporta?

Sífilis primária: infecções sexualmente transmissíveis importante

Conhecida por cancro duro. Possui incubação de 10-90 dias, em média de 3 semanas. Inicialmente ocorre o aparecimento de lesão genital ulcerada, quase sempre única, indolor, de bordos endurecidos, de fundo limpo e rica em treponemas.

Além disso, ocorre adenopatia satélite inguinal bilateral, indolor. A lesão dura cerca de 2 a 6 semanas e desaparece espontaneamente.

A lesão da sífilis primária é caracterizada por:

  • Ser única e indolor;
  • Bordas bem delimitadas;
  • Base endurecida;
  • Fundo limpo;
  • Coloração rosa avermelhada.

Ela pode se localizar na vulva (nos grandes lábios, pequenos lábios, fúrcula vaginal), mucosa vaginal e anal, no colo do útero e também na mucosa oral.

Sífilis secundária

Nesse estágio, as manifestações são de lesões cutâneas, sem prurido. Essas lesões podem aparecer em diversas partes do corpo, inclusive em mãos e pés.

infecções sexualmente transmissíveis
Sífilis secundária.

A sífilis secundária também pode afetar as membranas mucosas do corpo, como a boca, os genitais e a garganta. Úlceras e feridas podem surgir nessas áreas, causando desconforto e tornando-se fonte de transmissão da doença.

Durante os estágios iniciais da infecção, especialmente na sífilis secundária, as lesões cutâneas e mucosas que contêm uma grande quantidade de bactérias causadoras da doença.

É importante ressaltar que, se não for tratada, a sífilis secundária pode evoluir para a fase tardia ou latente da doença, que pode ser assintomática por um longo período de tempo. No entanto, a bactéria permanecerá no corpo e poderá causar complicações graves, afetando órgãos internos, o sistema nervoso central e até mesmo causando danos irreversíveis à saúde.

Doença inflamatória pélvica (DIP): infecção sexualmente transmissível de alta relevância

A DIP é é uma infecção que afeta os órgãos reprodutivos femininos internos, como o útero, as trompas de Falópio e os ovários.

Ela é causada por bactérias, principalmente aquelas transmitidas sexualmente, como a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae, que normalmente ascendem o trato genital através de relações sexuais desprotegidas.

Os sinais e sintomas da DIP podem variar, mas podem incluir:

  • Dor
    • No baixo ventre (abaixo do umbigo)
    • Durante a relação sexual
    • Ao urinar
  • Corrimento vaginal anormal
  • Sangramento fora do período menstrual
  • Febre e calafrios.

O tratamento da DIP é realizado com antibióticos, geralmente administrados por via oral e, em casos mais graves, podem ser necessárias injeções intravenosas.

O tratamento ambulatorial deve ser feito com:

  1. Ceftriaxona 500mg, IM, dose única, MAIS;
  2. Doxiciclina 100mg, 01 comprimidos, VO, 2x/dia, por 14 dias, MAIS:
  3. Metronidazol 250mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 14 dias.

É importante seguir o tratamento completo conforme prescrito pelo médico, mesmo que os sintomas melhorem, para garantir a erradicação completa da infecção.

Conheça o SanarFlix!

Tenha em mãos o melhor lugar para estudar durante a faculdade e o internato! Aproveite agora!

Posts relacionados

Perguntas frequentes sobre infecções sexualmente transmissíveis

  1. O que são Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)?
    São doenças causadas por bactérias, vírus ou parasitas transmitidas principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas.
  2. Quais são alguns exemplos comuns de ISTs?
    Clamídia, gonorreia, sífilis, herpes genital, HIV/AIDS e HPV são exemplos comuns de ISTs.
  3. Como prevenir a transmissão de ISTs?
    A prevenção envolve o uso correto de preservativos em todas as relações sexuais, redução do número de parceiros sexuais e realização de exames regulares para diagnóstico e tratamento precoce.

Referências

  1. Screening for sexually transmitted infections. Khalil G Ghanem, MD, PhD. UpToDate