Medicina da Família e Comunidade

O que é anemia, diagnóstico e o que mudar na dieta do paciente?

O que é anemia, diagnóstico e o que mudar na dieta do paciente?

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Descubra o que é anemia, como é feito diagnóstico e como tratá-la!

A anemia consiste em uma redução de glóbulos vermelhos (eritrócitos ou hemácias) ou insuficiência em oxigenar adequadamente os tecidos. De maneira geral, a anemia é consequência de alguma anormalidade genética ou adquirida. 

Os valores de referência para concentração de hemoglobina sanguínea é de:

  • Homens:13g/dl 
  • Mulheres: 12g/dl
  • Gestantes e crianças (entre 6 meses e 6 anos): 11g/dl

Dentre os diversos tipos de anemia, a ferropriva é a mais comum. Com prevalência maior em mulheres e crianças, principalmente nos países em desenvolvimento. 

Classificação da anemia

As anemias podem ser classificadas de diversos modos. Contudo, a classificação mais utilizada é a associação da classificação fisiopatológica e da morfológica. Essa classificação poderá ser obtida através de dados do hemograma e da contagem de reticulócitos.

Classificação fisiopatológica das anemias

  • Anemias por falta de produção ou hiporregenerativas: caracterizadas por contagem de reticulócitos abaixo de 50.000/mm3
  • Anemias por excesso de destruição ou regenerativas: definidas como anemias com contagens elevadas de reticulócitos (acima de 100.000/mm3). No geral, ocorrem nas anemias hemolíticas, mas podem ocorrer também após perdas agudas de sangue
  • Anemias por perdas: são decorrentes de perdas agudas ou crônicas de sangue

Classificação morfológica das anemias

As anemias também são classificadas de acordo com os índices hematimétricos (determinados por contadores eletrônicos de células). Dessa forma, são analisados: 

  • Concentração de hemoglobina
  • Número de hemácias 
  • Volume corpuscular médio (VCM)
  • Hemoglobina corpuscular média (HCM)
  • Concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) 
  • Red cell distribution width (RDW): índice que reflete a variação de tamanho dos eritrócitos

De acordo com o VCM e o HCM, as anemias podem ser classificadas em:

  • Microcíticas: VCM < 80 fl
  • Normocíticas: VCM 80 a 100 fl
  • Macrocíticas: VCM > 100 fl
  • Hipocrômica: HCM < 26
  • Normocrômica: HCM entre 26 e 34.

Quais os sintomas de um paciente com anemia? 

Os sintomas de anemia ocorrem devido à redução da capacidade de transporte de O2 do sangue e alteração do volume sanguíneo total. Os sintomas mais comuns da anemia são:

  • Fadiga
  • Dispneia
  • Palpitações
  • Cefaleias
  • Vertigem
  • Diminuição da pressão arterial 
  • Febre discreta
  • Palidez 

Dessa forma, os sintomas vão variar conforme os níveis de hemoglobina e geralmente estão relacionados com sinais de compensação cardíaca.

Fonte: http://www.tribunadaserra.com.br/anemia-saiba-mais/

Como fazer o diagnóstico de anemia? 

Durante avaliação clínica de um paciente com suspeita de anemia é importante avaliar e questionar os seguintes dados:

  • Possíveis causas 
  • Tempo de duração da anemia: início? Duração? 
  • Reserva funcional orgânica: questionar sobre a presença de doenças hepáticas, renais, etc.
  • Compensação medular: observar a quantidade de reticulócitos

Dessa forma, para confirmar o diagnóstico é necessário solicitar alguns exames laboratoriais. Esses exames serão essenciais para classificar o tipo anemia, sendo essenciais para definição da conduta a ser seguida. Dentre os principais exames estão: 

  • Concentração de hemoglobina
  • Hematócrito
  • Número de glóbulos vermelhos
  • Volume corpuscular médio (VCM)
  • Hemoglobina corpuscular média (HCM)
  • Concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM)
  • Índice de anisocitose (RDW)

Para a definição da possível etiologia, alguns parâmetros podem ser avaliados, são eles: 

  • Ferro sérico 
  • Transferrina sérica
  • Capacidade total de ligação do ferro à transferrina (TIBC)
  • Ferritina sérica e esfregaço do sangue periférico

Em caso de anemia ferropriva, o que mudar na dieta do paciente? 

O tratamento da anemia ferropriva é feito através da reposição de ferro, para normalizar a eritropoiese e repor os estoques baixos. Os medicamento utilizados são: 

  • Ferro via oral: Sulfato Ferroso 200mg 
  • Ferro via parenteral: mais utilizado em casos em que há intolerância ao ferro via oral

Além disso, é recomendado que os pacientes aumentem o consumo de alimentos ricos em proteína, ferro, ácido fólico e vitaminas do complexo B. Portanto, o paciente precisa se alimentar com carnes, ovos, peixes e espinafre. 

A duração do tratamento da anemia ferropriva deve ser feita até que o hemograma e o estoque de ferritina fiquem normalizados. Isso pode levar até 6 meses para acontecer. Esses nutrientes inseridos na dieta vão estimular a produção de glóbulos vermelhos no sangue.

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Referência bibliográfica

  • GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil Medicina. 25a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.

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