A osteoartrite (OA) é definida como um distúrbio musculoesquelético e das articulações sinoviais do nosso corpo, sendo caracterizada clinicamente por dor e limitações funcionais, histologicamente por alterações da cartilagem e do osso subcondral, e radiologicamente pela presença de osteófitos e estreitamento dos espaços articulares. Pode também ser chamada de osteoartrose ou artrose.
Classificação da Osteoartrite
A osteoartrite (OA) pode ser classificada em:
- Osteoartrite primária: Também chamada de idiopática, ela possui etiologia desconhecida ou é decorrente de mecanismos genéticos já identificados;
- Osteoartrite secundária: Ocorre quando a OA é causada por algum trauma, malformação anatômica, doença congênita ou distúrbio metabólico.
Epidemiologia da osteoartrite (OA)
Em relação a sua epidemiologia, ela está presente em 10% dos indivíduos acima dos 60 anos e é a doença reumatológica mais comum, sendo a 3ª nas causas de incapacidade laborativa (afastamento do trabalho), perdendo apenas de doenças mentais e cardiovasculares. No Brasil, a OA acomete cerca de 16% da população.
As regiões mais afetadas são o quadril, joelhos, mãos e pés.
Fatores de risco da OA
É importante entendermos que, ao contrário do que já foi muito preconizado, a OA não é um desfecho fisiológico do processo de envelhecimento, mas sim uma comorbidade degenerativa que depende da interações de fatores de riscos.
Dessa forma, podemos dividir esses fatores de risco da OA em dois grupos: os intrínsecos do paciente e os extrínsecos a ele.
- Intrínsecos: São fatores próprios do paciente, podendo ser adquiridos ou não.
- Idade: Considerado o fator de risco mais importante, aumentando sua prevalência em progressão geométrica a partir dos 45 anos. O mecanismo por trás desse aumento não é bem conhecido, mas o mais aceito é a diminuição da atividade metabólica da cartilagem articular com o passar dos anos.
- Gênero: É mais predominante no sexo feminino, por conta, possivelmente, das alterações da secreção de hormônios sexuais (estrógeno e progesterona) após a menopausa.
- Genética: É um fator de risco relativamente predominante, mesmo não sendo uma doença genética (não existe um gene responsável pelo OA). Além disso, a predisposição de seu aparecimento aparenta depender de qual articulação é acometida. Por exemplo, cerca de 30% dos casos de OA em joelhos são familiares, diferente da OA em quadril e coluna, que apresentam, respectivamente, 50 e 70% dos casos.
- Anatômicos: A deformação e o desalinhamento anatômico da articulação (exemplo: rotura de menisco, ligamento, cápsula, fratura óssea que acometa a superfície articular) são fatores que interferem na disposição vetorial das forças intra-articulares.
Articulações Sinoviais
Algumas patologias ortopédicas predispõem a formação dessas alterações anatômicas nas articulações sinoviais. São elas:
- Doença de Legg-Perth: Consiste na osteonecrose da cabeça femoral na infância, tendo como sintomas típicos dores nas articulações do quadril e perturbação na marcha. Sendo assim, os movimentos articulares se tornam limitados e os músculos da coxa podem tornar-se mais fracos;
- Displasia acetabular: Consiste na displasia do quadril em que há uma anormalidade anatômica e/ou funcional no acetábulo, que se encontra imaturo, com uma cavidade rasa. Assim, ela pode acarretar numa subluxação ou luxação da cabeça femoral;
- Geno varo ou Geno valgo congênitos: Também conhecidos como, respectivamente, joelho varo e joelho valgo. No gerum varum, as pernas estão mais afastadas que o normal, estando mais arqueadas na altura do joelho, sendo mais comum que a outra. Já no gerum valgum, as pernas aparentam estar mais juntas por conta dos joelhos que se direcionam ao plano mediano do paciente;
- Obesidade: Pacientes obesos tem maior disposição para desenvolver OA nos joelhos (sobrecarga mecânica direta por conta do aumento da massa) que os normolíneos. Também aumenta o risco de OA nas mãos;
- Doenças metabólicas sistêmicas: Interferem na formação da matriz cartilaginosa, aumentando a probabilidade de adquirir OA. Temos como exemplos a ocronose e hemocromatose.
- Extrínseco: São fatores externos ao organismo que o acompanham ao longo de sua rotina;
- Esportes e/ou trabalhos extenuantes: Atividades físicas exaustivas (ciclismo, velocistas, futebol, ginástica) e empregos “braçais” (mineiros, perfuradores, lavradores) que demandem muito da proteção mecânica exercida pelas articulações, principalmente nos joelhos, por conta de movimentos repetitivos e excessivos de flexão. Por conta disso, em pacientes com menos de 45 anos, a OA é mais prevalente em homens que mulheres.
Fisiopatologia da osteoartrite
As reais causas do desenvolvimento da OA ainda permanecem desconhecidas. No entanto, sabe-se que os três principais tecidos atingidos pelos mecanismos patológicos da OA são o ósseo, o cartilaginoso e o sinovial.
Alterações ósseas
Ocorre principalmente no osso subcondral, podendo formar esclerose óssea, ou seja, aumento da densidade da matriz óssea por conta da ação de osteoblastos resultante da micro lesão óssea; cistos subcondrais por conta da necrose formada quando os ossos absorvem a sobrecarga mecânica da pressão dentro do espaço articular; osteófitos formados pelo processo excessivo de regeneração nas áreas de maior pressão no espaço articular, ou seja, nas extremidades, formando essas projeções ósseas em formato de “bico de papagaio”.
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