Ciclo Clínico

Qual a diferença entre Artrite Reumatoide e Osteoartrite? | Ligas

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O que é Artrite Reumatoide?

A Artrite Reumatoide (AR) é uma condição de inflamação crônica que afeta cerca de 1% da população, tornando-a uma das artrites inflamatórias mais comuns na prática médica. Ela é uma doença consequente de uma inflamação crônica com manifestações clínicas insidiosas e que envolvem as articulações, as quais frequentemente resultam em deformidades por destruição cartilaginosa e por erosão óssea. O curso dessa doença é intermitente, porém sempre se apresenta com lesão tecidual. A patologia afeta a membrana sinovial (causando a sinovite) e a cartilagem que reveste as articulações sinoviais ou diartrodiais (ossos longos e de grande mobilidade).

O que é Osteoartrite?

A Osteoartrite é uma doença degenerativa que acomete as articulações sinoviais (geralmente, no joelho) e o osso subcondral, caracterizada clinicamente por dor em aperto desencadeada pelo próprio peso ou movimento do paciente, bem como costuma ser noturna. Há uma rigidez articular desencadeada pelo repouso e que dura menos do que 30 minutos. Também, há uma limitação funcional que causa ao paciente medo de deambular. É a reumatopatia mais frequente e ela pode ser primária (idiopática) ou secundária.

A fisiopatologia explica que há um desequilíbrio: a matriz cartilaginosa (composta por: colágeno II, ácido hialurônico, proteoglicanos e metaloproteinases) é muito mais degradada do que produzida, pois os condrócitos tentam compensar o dano, mas são insuficientes.

Diferenciando os sintomas

Sintomas da Artrite Reumatoide

Clínica:

  • Sendo a idade média geralmente entre 50 e 55 anos;
  • História de dor bilateral e simétrica;
  • Poliarticular;
  • Inchaço das articulações pequenas das mãos e pés por >6 semanas;
  • Rigidez matinal que dura >1 hora;
  • Nódulos reumatoides sobre as superfícies extensoras dos tendões ou envolvimento da pele vasculítica, podem ser observadas, mas são menos comuns;
  • Deformidade de pescoço de cisne é observada em AR avançada (raro ultimamente devido ao tratamento);
  • Locais mais comuns: MCF, IFP, MTF, punhos, cotovelos, ombros e joelhos;
  • Achados sistêmicos: febre baixa, anorexia, emagrecimento, fadiga, adenomegalia.

Exames Laboratoriais:

  • FATOR REUMATOIDE (FR) é positivo em cerca de 60% a 70% (mais altos os valores, pior o prognóstico). Estando negativo, não exclui diagnóstico. Pode estar positivo em outras condições, como sífilis e gravidez;
  • ANTI-CCP: são encontrados em cerca de 70% dos pacientes com AR. Podem ser positivos quando a FR for negativa e parecem ter um papel patogênico da AR;
  • Positividade para anti-CCP é um marcador prognóstico.
  • Velocidade de Hemossedimentação (VHS) ou os níveis de proteína-C-reativa (PCR) também são geralmente obtidos, pois refletem o nível de inflamação.

Sintomas da Osteoartrite

A Osteoartrite (OA) é o resultado de eventos mecânicos e biológicos que desestabilizam o processo normal de degradação e síntese dos condrócitos da cartilagem articular, da matriz extracelular e do osso subcondral. A afecção induz à perda de cartilagem, esclerose e endurecimento do osso subcondral, osteófitos e cistos subcondrais.

Clínica:

  • >50 anos e em mulheres;
  • Inicio gradativo;
  • Dores articulares geralmente pioram com atividades físicas e levantamento de peso;
  • Dor na articulação não aparece em período de repouso ou à noite; (dor à noite pode ser um alerta para uma etiologia diferente ou gravidade);
  • Rigidez matinal por <30 minutos;
  • Normalmente, não se apresenta de forma simétrica;
  • Inchaço na articulação ou dificuldades funcionais;
  • Pode ser mono ou poliarticular;
  • Locais mais comuns são: 1o CMP, IFP e IFD, coluna vertebral, joelho e coxofemorais;
  • Deformidades ósseas;
  • Sem achados sistêmicos;
  • Amplitude de movimentos limitada (amplitude de movimento articular ativa
  • como a passiva).

Exames:

  • Marcadores inflamatórios: PCR e VHS;
  • FATOR REUMATOIDE (FR): negativo;
  • ANTI-CCP: negativo;
  • RAIO X: neoformação óssea (osteófitos), estreitamento do espaço articular, esclerose subcondral e cistos;

Tratamentos

Artrite Reumatoide

O objetivo principal do tratamento da artrite reumatoide é a remissão da doença ou a menor atividade inflamatória possível. Para esse fim, existem diversos medicamentos que possam ser utilizados, sendo o perfil clínico do paciente decisivo para a escolha do esquema terapêutico. Dentre esses medicamentos, os antiinflamatórios não esteroidais, glicocorticoides e as drogas antirreumáticas modificadoras de doença convencionais (como metotrexate, leflunomida, cloroquina, hidroxicloroquina e sulfassalazina) e biológicas (como infliximab, anakinra, tocilizumab, abatacept e rituximab) são os mais utilizados atualmente. Apesar de o tratamento farmacológico ter um papel importante, os médicos devem recomendar medidas gerais, como fisioterapia, repouso articular, psicoterapia e vacinação. Caso os medicamentos não sejam efetivos ou o quadro clínico esteja avançado, a terapia cirúrgica pode trazer alguns benefícios.

Osteoartrite

O esquema terapêutico da Osteoartrite (OA) é principalmente sintomático (amenizar a dor), porém ela tem outros objetivos, como: melhorar a função articular do paciente, regenerar as lesões dos tecidos e o retardo da evolução da doença. Sendo assim, o tratamento para OA pode ser dividido em farmacológico, não farmacológico e cirúrgico, sendo o perfil clínico do paciente (gravidade do caso) definidor da proposta terapêutica que o médico vai escolher. Em relação ao tratamento não farmacológico, existem diversas opções, como: redução de peso, uso de bengalas, andadores, calçados apropriados e joelheiras, exercício físico, terapia ocupacional e entre outros métodos.

No tocante ao tratamento medicamentoso, podem-se utilizar medicamentos clássicos, como analgésicos (paracetamol), anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e corticoides intra-articulares, mas também novos e em estudo, como derivados do ácido  hialurônico, sulfato de condroitina, colchicina, hidroxicloroquina e diacreína. Caso o tratamento farmacológico e o não farmacológico não forem efetivos, uma opção é o tratamento cirúrgico, podendo lançar mão de métodos, como: lavagem articular, debridamento artroscópico, remoção de osteófitos, próteses, artrodese e fenestração de osso subcondral.

Confira o vídeo:

Produzido por:

Liga: Liga Acadêmica de Medicina Generalista

Autores: Besaliel Junior e Marina Prietto

Revisor: Lorena Fagundes

Orientador: Mayara Leisly

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