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Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): Entenda Tudo!

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): Entenda Tudo!

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Confira um artigo completo que falamos sobre a Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Introdução

A articulação do quadril, composta pelo acetábulo e cabeça do fêmur, começa a ser formada cedo no período embrionário e é uma das mais importantes do corpo humano, sendo a displasia do quadril a malformação mais comum.

A cabeça do fêmur, extremidade do osso longo da coxa, se encaixa na cavidade acetabular do osso pélvico. É, portanto, uma articulação de grande porte, adaptada para suportar o peso do corpo, distribuir os esforços e permitir os movimentos de flexão, extensão e rotação dos membros inferiores.

Na borda do acetábulo existe uma estrutura de cartilagem fibrosa parecida com um lábio (do latim, labrum). Esta estrutura tem funções importantes na manutenção do selo articular e na distribuição homogênea de peso na cartilagem.

Imagem: Articulação do quadril. Fonte: https://bit.ly/3fSfKQQ

O acetábulo, que é formado pela junção dos três ossos que compõem o quadril, sendo eles o ísquio, o púbis e o ílio, pode apresentar ao nascimento alterações anatômicas que provocam desconexão da articulação do quadril, como subluxação e luxação da cabeça do fêmur, ou seja, condições em que a cabeça do fêmur não é capaz de se encaixar corretamente no acetábulo, o que futuramente gera alterações na marcha e na coluna.

Este grupo de malformações são englobadas na Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), que está entre as doenças congênitas mais comuns, daí a importância de seu diagnóstico e manejo precoce.

Além das doenças de quadril apresentadas ao nascimento, há condições adquiridas que podem ser confundidas com a DDQ, como sinovite transitória, doença de Perthes e epifisiolistese, que veremos mais adiante.

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)

A definição de Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) tem mudado ao longo do tempo, sendo atualmente definida como um espectro de desordens relacionadas com o desenvolvimento do quadril, que inclui displasia do quadril, subluxação da cabeça do fêmur e luxação da cabeça femoral, problemas associados com a formação do acetábulo, como pode ser visto na imagem a seguir:

Grau de deslocamento da cabeça femoral. A. Quadril normal; B. Quadril displásico; C. Quadril displásico com subluxação ou luxação; D. Quadril com luxação.

Imagem: Grau de deslocamento da cabeça femoral. A. Quadril normal; B. Quadril displásico; C. Quadril displásico com subluxação ou luxação; D. Quadril com luxação. Fonte: HEBERT et al. Ortopedia e traumatologia: princípios e prática. 5. ed. Porto Alegre, 2017

SE LIGA! O quadril esquerdo costuma ser o mais afetado, sendo o lado acometido em 60% dos casos contra 20% dos casos em que o lado acometido é o direito. Defeito bilateral também é menos comum (20% dos casos).

Epidemiologia da Displasia do Desenvolvimento do Quadril

A epidemiologia da Displasia do Desenvolvimento do Quadril está intimamente relacionada com suas causas e com o índice de suspeição do médico para perceber que a criança apresenta alguma anormalidade no quadril.

O primeiro fator é ser criança do sexo feminino, pois diversos estudos indicam que o alto índice de estrógeno aumenta a probabilidade de ocorrência de deformidades no acetábulo, local onde há defeitos na DDQ.

Crianças caucasianas também apresentam maior probabilidade de possuir DDQ. Outro fator é o histórico familiar, sendo mais comum DDQ em crianças cujos pais ou irmãos têm essa condição.

Oligodrâmnio e bebês grandes para idade gestacional (GIG) também aumenta o risco para a Displasia do Desenvolvimento do Quadril, pois força o feto a manter uma posição de hiperflexão dentro do útero, visto que eles são grandes demais para aquela espaço.

Além disso, a apresentação pélvica também é um fator de risco para DDQ, sendo que 1/3 dos casos de DDQ são por posição pélvica. A razão disso é que a posição que o bebê assume dentro do útero para se encaixar na pelve também força uma hiperflexão, gerando uma força de deformidade no acetábulo, tornando-o mais raso. Além disso, o fêmur do feto está em flexão e rotação externa e ao ser forçado para fora do acetábulo, predispõe a criança a nascer com o quadril instável, subluxado ou luxado.

Posições pélvicas.

Imagem: Posições pélvicas. Fonte: https://bit.ly/2Y3xRx8

SE LIGA! A DDQ geralmente faz parte de um conjunto de anormalidades associadas, tais como torcicolo congênito (17% dos casos) e metatarso aduto. Torcicolo congênito é definido como a contratura do músculo lateral do pescoço, condição que normalmente se manifesta no período neonatal (primeiros 27 dias pós-parto). O torcicolo congênito pode ser causado por má posição fetal (daí sua associação com a DDQ), isquemia muscular e pressão-uterina inadequada, e seu tratamento inclui fisioterapia. O metatarso aduto é doença no antepé, o qual apresenta desvio medial em relação ao retropé, ou seja, deformidade na adução do antepé. Essa condição também pode ser provocada por má posição fetal e seu tratamento pode ser conservador, com uso de gesso, ou necessitar de intervenções cirúrgicas.

Diferença entre pé normal e pé com metatarso aduto. À esquerda, pé normal. À direita, pé com metatarso aduto.

Imagem: Diferença entre pé normal e pé com metatarso aduto. À esquerda, pé normal. À direita, pé com metatarso aduto. Fonte: https://bit.ly/3fuQLms

Apresentação e Diagnóstico Clínico da DDQ

O diagnóstico varia de acordo com a idade da criança, o grau de deslocamento da cabeça femoral, que pode ser instável, subluxada ou luxada, e quanto a condição do deslocamento, se pré-natal, perinatal ou pós-natal.

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