Saiba neste artigo tudo que você precisa sobre betabloqueadores, incluindo classificação, mecanismos de ação e mais.
Os betabloqueadores adrenérgicos são medicamentos amplamente utilizados na prática clínica para tratar uma variedade de condições cardiovasculares, como hipertensão arterial, arritmias e insuficiência cardíaca, além de outras restrições, como ansiedade e enxaquecas.
Desse modo, neste artigo, vamos explorar de forma clara e objetiva os principais aspectos sobre os betabloqueadores, incluindo contexto, efeitos colaterais e contraindicações. Acompanhe!
Contexto
Os Bloqueadores beta adrenérgicos, descobertos em 1958, têm diversos aspectos sobre seus efeitos. Possuem ação cronotrópicas e inotrópicas no coração, causando redução na frequência e na contratilidade cardíaca.
Um efeito importante, mas de certo modo inesperado, dos antagonistas de receptores B é sua ação anti-hipertensiva em pacientes hipertensos, mas não em pacientes normotensos.
Assim, o mecanismo dessa ação é complexo, mas envolve redução do débito cardíaco, redução da liberação da renina pelas células justaglomerulares do rim e ação central, através da redução da atividade simpática.
Alguns fármacos dessa classe, como o carvedilol e nebivolol possuem ação vasodilatadora associada, o que também interfere na redução da PA.
Classificação dos betabloqueadores
Divididos em dois grandes grupos, os Betabloqueadores não seletivos, que tem como seus principais representantes o propranolol, nadolol e timolol; e os betabloqueadores seletivos (ou cardiosseletivos):
- Esmolol,
- betaxalol,
- metoprolol,
- atenolol e
- nebivolol.
Existem ainda os betabloqueadores de ação vasodilatadora. Elas atuam bloqueando também receptores α1, como o carvedilol e o labetalol, ou por produção de óxido nítrico, como o nebivolol.
Assim, os receptores β1 estão presentes em maior número no coração e são responsáveis pelo aumento do débito cardíaco, da frequência cardíaca e do volume ejetado. Além disso, também está associado à liberação de renina nas células justaglomerulares.
Já os receptores β2 são predominantes nos músculos lisos e causam o relaxamento visceral. Por isso, os betabloqueadores não seletivos atuam sobre diversos órgãos, causando, consequentemente, maiores efeitos adversos.
Mecanismos de ação dos betabloqueadores
Os betabloqueadores agem bloqueando os receptores beta-adrenérgicos, inibindo as respostas cronotrópicas, inotrópicas e vasoconstritoras causadas pelas catecolaminas, epinefrina e norepinefrina.
Quando esses neurotransmissores se ligam aos receptores na membrana celular, gera um aumento da concentração de AMPc, que transmite sua informação às células alvo. Assim, o efeito final da ativação do receptor depende da sua localização e do tipo de receptor (β1 ou β2).
Seu mecanismo anti-hipertensivo exato é complexo e não totalmente conhecido. Entretanto, sabe-se que envolve a redução da frequência cardíaca e da contratilidade, com a consequente redução do débito cardíaco. Desse modo, associado a isso, ocorre ação nas células justaglomerulares renais, diminuindo a liberação de renina. Além disso, verifica-se readaptação dos barorreceptores, vasodilatação (em algumas classes) e diminuição das catecolaminas nas sinapses nervosas.
Dessa forma, vale ressaltar que o efeito terapêutico depende do tipo ou geração de beta-bloqueador escolhido e também da dose administrada.
Farmacocinética e farmacodinâmica dos Betabloqueadores
Por se tratar de uma classe medicamentosa ampla, com diversos fármacos e atuações distintas, deve-se levar em consideração o fármaco a ser utilizado. Desse modo, não é possível definir a farmacocinética e farmacodinâmica de todos de forma indistinta.
Por exemplo, o atenolol e o nadolol são eliminados na urina, sendo necessário o ajuste de dose em pacientes que possuem Insuficiência Renal. Já a eliminação do Propranolol, Metoprolol, Labetalol e Carvedilol ocorre, em grande parte, pelo metabolismo hepático, devendo-se ter atenção aos pacientes com disfunção hepática.
Indicações dos betabloqueadores
As principais ações iniciais dos betabloqueadores são a redução da frequência cardíaca e da pressão arterial, fazendo com que seja considerado um medicamento anti-hipertensivo.
Entretanto, os betabloqueadores não tem sido recomendado como primeira escolha no tratamento anti hipertensivo, apenas em casos específicos, como em pacientes com cardiopatias associadas.
Os antagonistas de receptores B-adrenérgicos estão sendo progressivamente utilizados em doses baixas para o tratamento da insuficiência cardíaca, embora no início haja o perigo de exacerbar o problema. Além disso, alguns exemplares possuem capacidade antianginosa, através da vasodilatação.
Contraindicações
Todos os betabloqueadores devem ser evitados em pacientes com doença broncoespática grave ou descompensada. Assim, os betabloqueadores não seletivos devem ser evitados em pacientes asmáticos ou com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) pelo risco de broncoespasmo por bloqueio dos receptores β2.
Já os bloqueadores beta seletivos ou possivelmente combinados com bloqueadores alfa e beta parecem ser seguros e devem, sem dúvida, ser usados com cautela.
O uso também deve ser evitado em pacientes com diabetes mal controlado pelo risco de hipoglicemia assintomática.
Efeitos adversos
A maioria dos principais efeitos adversos dos fármacos bloqueadores beta resulta do bloqueio dos adrenorreceptores beta.
Dentre os efeitos adversos cardíacos estão:
- precipitação ou agravamento da insuficiência cardíaca congestiva, principalmente em idosos. Seu efeito benéfico, nesses casos, costuma aparecer posteriormente.
- a desaceleração da freqüência cardíaca em repouso e o desenvolvimento de bradicardia sinusal
A retirada súbita de um betabloqueador pode causar exacerbação dos sintomas isquêmicos, incluindo a precipitação de um infarto agudo do miocárdio, em pacientes com doença arterial coronariana conhecida. Em alguns casos, pode ocorrer taquiarritmia ventricular grave, incluindo morte cardíaca súbita
Efeitos adversos não cardíacos
- Aumento da resistência das vias aéreas – O bloqueio beta com agentes não seletivos evita a broncodilatação devido aos receptores beta-2 brônquicos
- Exacerbação da doença arterial periférica – piora da claudicação, extremidades frias, pulsos ausentes e, em alguns casos, cianose e gangrena iminente, nos pacientes que já possuem doença arterial periférica prévia
- Hipoglicemia – os betabloqueadores reduzem os sintomas de hipoglicemia (como a taquicardia) por alteração da resposta simpática à esta condição.
- Hipercalemia
- Fadiga
- Disfunção sexual
Interações medicamentosas
Os medicamentos que deprimem a função miocárdica ou a atividade do marcapasso, incluindo bloqueadores dos canais de cálcio e alguns agentes antiarrítmicos que têm efeitos inotrópicos negativos são particularmente preocupantes quando usados em terapia combinada com um bloqueador beta.
Alguns exemplos de interação
- Agentes Hipoglicemiantes: Mascara os sinais da Hipoglicemia;
- Digoxina: Aumenta a toxicidade da Digoxina e pode causar bloqueio atrioventricular
- Agentes anti hipertensivos, como Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), diuréticos tiazídicos e bloqueadores α1 adrenérgicos: Aumentam o efeito anti-hipertensivo
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Referências
Rang, H.P; Dale, M.M. Farmacologia. Editora Elsevier, 8 ed., 2016
