Gastroenterologia

Resumo de Doença Diverticular: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Resumo de Doença Diverticular: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

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Sanar

6 min há 71 dias

Definição

A doença diverticular é caracterizada presença de divertículos ao longo do cólon.

O divertículo corresponde a uma protrusão da parede intestinal, com aspecto de saculação, e pode ser classificado em adquirido ou congênito. Os divertículos congênitos são aqueles formados pela herniação de todas as camadas da parede intestinal e, por isso, são chamados também de divertículos verdadeiros.

Já os adquiridos são caracterizados pela herniação da mucosa e submucosa, através da camada muscular. Esses divertículos são muito mais frequentes e são conhecidos também como pseudodivertículos. 

Epidemiologia de Doença Diverticular

A doença diverticular do cólon aumenta a sua incidência de acordo com o avançar da idade, estando presente em menos de 2% dos pacientes com menos de 30 anos e em mais de 60% nos pacientes acima dos 60 anos. Nos países ocidentais e industrializados, em 95% dos pacientes os divertículos predominam no cólon sigmoide.

Dentre as principais complicações associadas a doença, temos a diverticulite, que afeta até 15% dos pacientes, e corresponde ao processo inflamatório associado ao divertículo.

Outra complicação é o sangramento diverticular, que pode estar presente em até 15% dos pacientes. Embora o cólon sigmoide seja o mais acometido pelos divertículos, o sangramento, em mais de 50% dos pacientes, é proveniente do cólon direito.

Fisiopatologia de Doença Diverticular

A doença diverticular pode ser classificada de duas formas distintas: hipertônica e a hipotônica. A forma hipertônica da doença acomete principalmente o cólon sigmoide, pelo fato de ter o menor calibre e, portanto, a maior pressão intraluminal.

Esse aumento de pressão favorece a protrusão da mucosa e submucosa em alguns pontos, formando os divertículos hipertônicos. Esses divertículos costumam apresentar uma base mais estreita, sendo mais susceptíveis a obstrução por fecalitos.

Assim, a persistência dessa obstrução pode levar a um processo inflamatório, conhecido como diverticulite. Um dos principais fatores de risco associados a diverticulite é a dieta com baixo teor de fibras e alto teor de gordura.

Já a forma hipotônica da doença diverticular pode acometer todo o cólon, principalmente o direito, e está associada ao envelhecimento fisiológico do indivíduo, que leva a uma fraqueza da camada muscular.

A principal complicação associada aos divertículos hipotônicos é o sangramento, que corresponde, inclusive, a principal causa de hemorragia digestiva baixa.

Os divertículos hipotônicos tendem a ter uma base mais larga e, ao se formarem, arrastam com eles algumas arteríolas. Assim, o trauma mecânico no interior do divertículo, causado por fecalitos, pode levar a lesão desses vasos, ocasionado sangramento.

Quadro clínico de Doença Diverticular

A maioria dos pacientes com doença diverticular é assintomática. Geralmente, as manifestações costumam surgir associadas as complicações da doença.

Dentre os principais sinais e sintomas, temos dor em fossa ilíaca esquerda ou região suprapúbica, obstipação intestinal – de acordo com a diminuição da luz do cólon -, distensão abdominal, náuseas, vômitos, anorexia e hematoquezia.

Paciente idoso com dor abdominal

Dependendo da extensão do processo inflamatório, o paciente pode apresentar irritação peritoneal, sendo identificada no exame físico pela contração involuntária do abdome.

Alguns pacientes podem ainda referir sintomas genitourinários como disúria, pneumatúria e flatos vaginais. Nesses casos, devemos pensar na presença de fístulas colovesicais, que corresponde a principal complicação da diverticulite.

Diagnóstico de Doença Diverticular

Como a maioria dos pacientes com doença diverticular é assintomática, o diagnóstico costuma ser feito por uma colonoscopia realizada por outros motivos. Esse exame pode mostrar a presença dos óstios diverticulares e suas localizações, e o estreitamento da luz intestinal.

Na suspeita de diverticulite, a colonoscopia está contraindicada pelo risco de perfuração intestinal. Nesses casos, a tomografia computadorizada deve ser o exame de escolha para o diagnóstico.

Como muitas vezes a doença diverticular pode apresentar sintomas inespecíficos, inclusive nas formas complicadas, sempre devemos afastar outros diagnósticos diferenciais, como por exemplo, síndrome do intestino irritável, apendicite aguda, câncer colorretal e as doenças inflamatórias intestinais: retocolite ulcerativa e doença de Crohn.

Tratamento de Doença Diverticular

Rotineiramente, o tratamento da doença diverticular é conservador. Na vigência de complicações, o paciente deve ser hospitalizado para definição terapêutica.

Nos casos de diverticulite aguda, o tratamento depende do tamanho do abscesso, podendo ser instituída antibioticoterapia de amplo espectro e/ou drenagem. O tratamento cirúrgico fica mais restrito aos casos de peritonite purulenta difusa ou peritonite fecal.

Nessas situações, a porção acometida pelo processo inflamatório deve ser ressacada e a possibilidade reconstrução primária do trânsito deve ser avaliada.

Já nos casos complicados por sangramento do divertículo, o tratamento consiste na estabilização hemodinâmica do paciente e aplicações de adrenalina ou eletrocoagulação nos pontos sangrantes, através da colonoscopia.

O sangramento costuma ser autolimitado, cessando na grande maioria dos casos.

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Referências:

John H Pemberton, MD. Colonic diverticulosis and diverticular disease: Epidemiology, risk factors, and pathogenesis. UpToDate 2021. Acesso em: 16 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/colonic-diverticulosis-and-diverticular-disease-epidemiology-risk-factors-and-pathogenesis

RODRIGO, L.A.S. Doença diverticular dos cólons e diverticulite aguda: o que o clínico deve saber. Rev Med Minas Gerais 2013; 23(4): 490-496

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