Pneumologia

Resumo de espirometria: definição, indicações, técnica e análise do resultados

Resumo de espirometria: definição, indicações, técnica e análise do resultados

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Sanar

7 minhá 11 dias

Definição

A espirometria é usada para documentar a função pulmonar basal, para fazer uma avaliação diagnóstica preliminar, ou para monitorar os pacientes à medida que a doença pulmonar ou cardíaca evolui e responde ao tratamento.

A espirometria é usada para documentar a função pulmonar basal, para fazer uma  diagnóstica preliminar, ou para monitorar os pacientes à medida que a doença pulmonar ou cardíaca evolui e responde ao tratamento, além de predizer aqueles com risco de desenvolver disfunção respiratória. 

Na asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) a sensibilidade dos achados clínicos para prognosticar a obstrução é menor do que 50%. Por este motivo, os testes de função pulmonar são essenciais para diagnóstico e acompanhamento. 

Conceitos da Espirometria 

A espirometria mede o volume e os fluxos aéreos derivados de manobras inspiratórias e expiratórias máximas forçadas ou lentas. Vários parâmetros podem ser derivados, sendo os mais utilizados na prática clínica os seguintes: 

  • Capacidade pulmonar total (CPT) – é a quantidade de ar nos pulmões após uma inspiração máxima, 
  • Capacidade Vital (CV) – representa o maior volume de ar mobilizado em uma expiração. Pode ser obtida através de manobras forçadas (CVF) ou lentas (CVL).
  • Volume residual (VR) – é a quantidade de ar que permanece nos pulmões após a exalação máxima
  • Capacidade vital forçada (CVF) – é o volume eliminado em manobra expiratória forçada desde a CPT até o VR.
  • Volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) – é a quantidade de ar eliminada no primeiro segundo da manobra expiratória forçada. É considerado uma das variáveis mais úteis clinicamente.
  • Pico de fluxo expiratório (PFE) – representa o fluxo máximo de ar durante a manobra de CVF. Guarda dependência com o esforço, o que o torna um bom indicador da colaboração na fase inicial da expiração.

Relação VEF1/CV – Razão entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital, sendo muito importante para o diagnóstico de um distúrbio obstrutivo. Para isto, podemos considerar tanto o VEF1 /CVF quanto o VEF1 /CVL. • Fluxo expiratório forçado intermediário (FEF25-75%) – representa o fluxo expiratório forçado médio obtido durante a manobra de CVF, na faixa intermediária entre 25 e 75% da CVF.

Curva fluxo-volume – é uma análise gráfica do fluxo gerado durante a manobra de CVF desenhado contra a mudança de volume; é usualmente seguido por uma manobra inspiratória forçada, registrada de modo semelhante. Os fluxos no início da expiração, próximos ao PFE, representam a porção esforço-dependente da curva, porque podem ser aumentados com maior esforço por parte do paciente. Os fluxos após a expiração dos primeiros 30% da CVF são máximos após um esforço expiratório modesto e representam a chamada porção relativamente esforço-independente da curva.  

Técnica da Espirometria 

A espirometria é registrada com o paciente sentado respirando calmamente várias vezes

em volume corrente, quando então realiza uma inspiração máxima, seguida de uma expiração forçada, que é mantida por pelo menos seis segundos ou mais, com esforço vigoroso continuado (capacidade vital forçada [CVF]), e completada por uma inspiração completa vigorosa (capacidade vital inspiratória). Estas manobras são representadas como uma curva de volume-tempo ou como uma curva de fluxo-volume. As curvas de fluxo-volume são comparadas a padrões especiais, que podem indicar várias condições clínicas ou anatômicas. 

Grande esforço físico e atenção são necessários para uma espirometria adequada. Os pacientes, especialmente durante a hospitalização, após os procedimentos médicos, ou se ainda descondicionados, muitas vezes não podem proporcionar o esforço máximo ou cooperar/coordenar bem, e os resultados nos testes não são ideais. Testes de função pulmonar (TFP) em um paciente que ainda está em tratamento para um agravamento de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou asma, mas que ainda não retornou ao estado de doença anterior, irão mostrar resultados que refletem o seu estado atual, mas não o seu estado inicial. 

O tratamento recente com um broncodilatador muitas vezes melhora os resultados do TFP e não reflete a função pulmonar intrínseca (cerca de 8 a 12 horas deve decorrer a partir do último tratamento para fornecer dados mais úteis). Outros problemas clínicos que podem confundir o teste espirométrico incluem congestão pulmonar, tosse, disfunção tireoidiana, desnutrição e astenia muscular associada a corticosteroides.

A reprodutibilidade de várias tentativas do teste (pelo menos 3) é importante e é um critério para interpretação válida do teste. Os testes em série são necessários para avaliar a  melhoria, um retorno à linha de base, ou a necessidade de tratamento intensificado no ambulatório.

Análise da Espirometria 

A análise dos valores medidos para VEF1 e CVF (e a sua proporção) e a capacidade pulmonar total permite que o médico faça o diagnóstico ventilatório da presença de fisiologia obstrutiva ou restritiva. Um VEF1 reduzido e uma relação VEF1 /CVF baixa combinados com uma grande CPT indicam doença obstrutiva das grandes vias aéreas e brônquios, um padrão tipicamente observado em pacientes com DPOC e asma. A CVF está preservada, porém o tempo de expiração está prolongado. Após administração de broncodilatadores, o VEF1 e a CVF podem aumentar em 10 a 15%, especialmente na asma, indicando reversibilidade da obstrução das vias aéreas. Entretanto, muitas vezes é encontrado um menor grau de melhora em pacientes que já estejam usando broncodilatadores inalados regularmente. 

Uma diminuição na FEF 25-75% com valores relativamente preservados de VEF1 e CVF é comumente encontrada em pacientes com obstrução das pequenas vias aéreas. Se um VEF1 individual após administração de broncodilatador é menor que 80% do valor previsto e a relação VEF1 /CVF é menor que 70%, a limitação do fluxo aéreo não é totalmente reversível – uma característica que define a DPOC. 

Em pacientes com doença pulmonar restritiva, o VEF1 e a CVF estão reduzidos, assim como a CPT, mas a relação VEF1 /CVF geralmente está normal ou aumentada. As causas de doença pulmonar intersticial compreendem fibrose do parênquima pulmonar causada por muitas exposições tóxicas e inalações, reações medicamentosas tóxicas e doenças pulmonares intersticiais idiopáticas. A fisiologia restritiva com um VEF1 normal ou baixo pode refletir o funcionamento da parede torácica,astenia dos músculos da parede torácica ou deformidade da parede torácica e espessamento pleural.

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Referências:

  1. GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil Medicina Interna. 24. ed. Saunders Elsevier, 2012.
  2. Pereira CAC. Bases e Aplicações Clínicas dos Testes de Função Pulmonar. Rev Bras Med Trab.2004;2(4):317-330. Acesso em 21 de abril de 2021. 
  3. Trindade AM, Sousa TLF, Albuquerque ALP A interpretação da espirometria na prática pneumológica: até onde podemos avançar com o uso dos seus parâmetros? Pulmão RJ 2015;24(1):3-7. Acesso em 21 de abril de 2021.
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