Clínica Médica

Resumo de meningite meningocócica | Ligas

Resumo de meningite meningocócica | Ligas

Compartilhar

Definição

A meningite meningocócica (MM) é uma emergência infecciosa de elevado incidência na pediatria, cujo prognóstico exige diagnóstico imediato e antibioticoterapia empírica precoce, sendo uma doença de notificação compulsória. O agente etiológico da MM é uma bactéria Gram negativa em formato de diplococo, a Neisseria meningitidis (NM), conhecida como meningococo. A NM habita normalmente a mucosa da nasofaringe em aproximadamente 10% dos indivíduos saudáveis e é disseminada através de gotículas de saliva em indivíduos colonizados, tanto por pacientes portadores da doença, quanto para pacientes assintomáticos. A MM ocorre quando o meningococo está presente entre as meninges, mais especificamente o espaço subaracnoideo e as membranas pia-máter e aracnoide, culminando nos sintomas neurológicos e alterações sistêmicas. A meningococcemia ocorre quando o meningococo está na corrente sanguínea e MM com meningococcemia quando está entre as meninges e na corrente sanguínea.

Epidemiologia da meningite meningocócica

A meningite é mais comum em crianças e adultos jovens. Segundo a OMS, a doença meningocócica tem distribuição global, podendo ocorrer surtos ocasionais em qualquer país do mundo. A África subsaariana é a região com maior número de casos no mundo. O controle se dá pelo uso de vacinas, utilizadas sobretudo para controlar surtos e epidemias, as vacinas existentes previnem contra os sorogrupos C, ACWY e B. Entretanto, os sorogrupos A, B e C são responsáveis por provocar 90% das infecções. Além disso, deve-se evitar aglomerações, dificultando o contágio. Ademais, é necessário lembrar que a meningite é uma doença de notificação compulsória.

Fisiopatologia

A fisiopatologia da meningite meningocócica se inicia na nasofaringe após a colonização, onde atinge a submucosa do trato respiratório superior. Como a submucosa é um ambiente ricamente irrigado, o meningococo consegue atravessar as paredes endoteliais e alcançar a corrente sanguínea. Ao seguir pela artéria meníngea média, o meningococo alcança o Sistema Nervoso Central e inicia sua colonização das meninges. No espaço subaracnoideo, ocorre a replicação bacteriana e uma liberação de componentes bacterianos que vão desencadear um processo inflamatória, no caso a meningite. Com o aumento da permeabilidade vascular, há um edema vasogênico, inflamação do espaço subaracnoideo e aumento da resistência liquórica, levando a um aumento da pressão intracraniana e redução do fluxo cerebral.

Quadro clínico de meningite meningocócica

As variações clínicas variam de acordo com a idade e a duração da doença, podendo apresentar sintomas pouco específicos. De forma geral, inicia-se repentinamente, é uma infecção grave que apresenta certo grau de mortalidade. A meningite meningocócica possui início repentino, associado a mal estar, manchas vermelhas no corpo, cansaço, febre alta, fotossensibilidade, sonolência, confusão mental, cefaléia, vômitos em jato e rigidez na nuca. Em lactentes, a fontanela pode ficar tensa e abaulada. As manchas não desaparecem a digitopressão, são irregulares em tamanho e forma, apresentam um centro necrótico. É importante lembrar que a meningite meningocócica pode causar sequelas graves, como surdez, perda de visão, hidrocefalia, retardo mental, miocardite, choque séptico e amputações.

Diagnóstico de meningite meningocócica

O diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica em associação com o exame laboratorial. A bacterioscopia é feito através da coloração de gram, por meio de amostras de sangue, lesões cutâneas e, principalmente, líquor. Em amostras de sangue, é feito o cultivo em cultura, para então realizar o diagnóstico. É importante que se faça o exame antes da administração de antibióticos. Caso já esteja, pode se usar diferentes tipos de exame, como a pesquisa de polissacarídeos capsulares no líquor ou em testes biomoleculares, como o PCR.

Tratamento

Para quem teve contato com o doente, deve ser feito a profilaxia de contato, com o uso de Rifampicina ou Ciprofloxacina. Para doente com duração maior da doença, antes da confirmação do diagnóstico, é feito o tratamento empírico com Ceftriaxona EV ou Cefotaxima. Com a confirmação do diagnóstico, o tratamento continua ou pode mudar para Penicilina G cristalina ou ampicilina. É importante salientar que se deve associar com corticóides e medicamentos para tratar a pressão intracraniana.

Mapa mental

Mapa mental de meningite meningocócica - Sanar

Autores, revisores e orientadores:

  • Autor(a): Valder Cavalcante Maia Mendonça Filho
  • Autor(a): Amanda Gomes de Oliveira
  • Revisor(a): Tiago Sampaio dos Reis @tiagosampaio7
  • Orientador(a): Geison Vasconcelos Lira @nudemesufc

Posts relacionados:

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.