Anatomia de órgãos e sistemas

Resumo sobre anatomia do joelho: ligamentos, meniscos e semiologia

Resumo sobre anatomia do joelho: ligamentos, meniscos e semiologia

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7 minhá 11 dias

Definição

O joelho é uma articulação completa e complexa, exposta constantemente à ação do peso corporal. É a maior e mais superficial articulação do corpo, classificada como sinovial do tipo gínglimo. Ela é relativamente fraca mecanicamente, devido à incongruência de suas faces articulares. 

A posição ereta e estendida é a mais estável da articulação, pois as faces articulares ficam em maior contato. Além disso, nessa posição os ligamentos colaterais e cruzados estão tensionados, imobilizando o joelho juntamente com os tendões que circundam a articulação. O músculo mais importante na estabilidade do joelho é o quadríceps femoral.

O joelho possui três articulações: tibiofemoral medial e lateral e patelofemoral.  A estrutura articular do joelho é formada pelos côndilos femorais, côndilos tibiais e patela. Vários tecidos moles contribuem para a estabilidade do joelho (por exemplo, ligamentos cruzados e colaterais) e fornecem amortecimento dentro da articulação (por exemplo, meniscos). 

Ligamentos do joelho 

A cápsula articular do joelho é fortalecida por ligamentos extracapsulares, que são o ligamento da patela, ligamentos colaterais fibular e tibial, ligamento oblíquo e ligamento poplíteo arqueado, e por ligamentos intracapsulares, que são os ligamentos cruzados e meniscos, que ficam entre as faces articulares. 

Ligamentos do joelho
Articulação do joelho direito (aberta), com ligamentos (vista anterior). Patela e cápsula articular retiradas; fêmur ligeiramente flexionado Fonte: Rohen e Yokochi (1993).

O ligamento da patela é importante para o alinhamento da patela com a face articular patelar do fêmur. O posicionamento oblíquo do fêmur e a linha da tração do quadríceps femoral em relação ao eixo do tendão patelar e da tíbia favorece o deslocamento lateral da patela.

Os ligamentos colaterais são tensionados na extensão completa do joelho, contribuindo para a estabilidade na posição de pé. Durante a flexão, eles se tornam cada vez mais frouxos, permitindo e limitando a rotação do joelho, ou seja, funcionam como ligamento de contenção.

Os ligamentos cruzados cruzam-se dentro da cápsula articular, fora da cavidade sinovial. Durante a rotação medial da tíbia sobre o fêmur, esses ligamentos espiralam-se ao redor um do outro, e se desenrolam durante a rotação lateral, a qual é mais ampla com o joelho fletido.

O ligamento cruzado anterior limita a rolagem posterior do fêmur sobre o platô tibial durante a flexão, convertendo este movimento em rotação. Além disso, impede o deslocamento posterior do fêmur sobre a tíbia e a hiperextensão da articulação do joelho.

O ligamento cruzado posterior é o mais forte dos dois, limita a rolagem anterior do fêmur sobre o platô tibial durante a extensão, também convertendo em rotação, além de impedir o rolamento anterior do fêmur sobre a tíbia e evitar a hiperextensão do joelho. Com o joelho fletido com sustentação de peso, esse ligamento é o principal estabilizador do fêmur. 

Joelho: meniscos 

Os meniscos são lâminas de fibrocartilagem no formato de meia-lua, sendo importantes na absorção de choques. O ligamento transverso do joelho une-se às margens anteriores dos meniscos, fixando-os um ao outro durante movimentos do joelho. 

O menisco medial é menos móvel sobre o platô tibial do que o menisco lateral, que é menor.

A ruptura dos ligamentos colaterais tibiais costuma resultar em ruptura do menisco medial, que se rompe com maior facilidade do que o menisco lateral, que é mais protegido por ter mais mobilidade.

Meniscos
Meniscos entre os ossos tíbia e fêmur.

Semiologia do joelho

O exame do joelho envolve inspeção, palpação, avaliação de derrame articular, teste de movimento, teste de função motora e força, avaliação da estabilidade articular e, possivelmente, testes especiais para detectar condições específicas.

Ao inspecionar o joelho e a extremidade inferior, o médico deve avaliar o seguinte: marcha, inchaço, equimoses e outros sinais de lesão, atrofia muscular, alinhamento e alterações na pele (por exemplo, cicatrizes, erupção cutânea).

A palpação do joelho deve incluir a linha articular anterior (incluindo aspectos laterais e mediais), joelho anterior fora da linha articular, joelho posterior, bursas e temperatura da pele. 

Sensibilidade dolorosa em um local específico geralmente indica dano a uma estrutura específica naquele local.

Sensibilidade difusa ao longo da linha articular é mais comumente devido à irritação da membrana sinovial causada por um processo degenerativo, inflamatório ou infeccioso, mas lesões localizadas, como rupturas meniscais e do ligamento colateral também podem causar sensibilidade difusa. O médico também deve determinar se há derrame articular através do sinal da tecla. 

Se o paciente tem amplitude de movimento ativa completa, geralmente não é necessário avaliar o movimento passivo. As razões comuns para a diminuição do movimento ativo, mas passivo intacto, incluem dano ao nervo motor, dor excessiva e ruptura estrutural da unidade do tendão muscular.

O movimento passivo diminuído geralmente é devido a um bloqueio mecânico (por exemplo, rompimento do menisco). As avaliações da função neurovascular e motora e da estabilidade articular são partes fundamentais do exame do joelho. 

Vários testes provocativos são usados ​​para detectar patologias específicas do joelho, mas a sensibilidade e a especificidade de tais manobras costumam ser limitadas.

Sugerimos realizar apenas os testes especiais que têm maior probabilidade de serem relevantes, conforme determinado pela história, achados do exame inicial e as características do teste (se conhecidas) do teste especial em questão. 

A ruptura do ligamento cruzado anterior pode causar deslizamento anterior da tíbia livre sob o fêmur fixado, conhecido como sinal da gaveta anterior, enquanto as rupturas do ligamento cruzado posterior permitem que a tíbia deslize posteriormente sob o fêmur fixado, conhecido como sinal da gaveta posterior. 

Os testes de compressão de Thessaly, McMurray e Apley são manobras provocativas projetadas para provocar desconforto ou uma sensação contagiosa em pacientes com lacerações meniscais.

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Referências:

  1. BEUTLER, Anthony. ALEXANDER, Antoin. Physical examination of the knee. UpToDate, 2020. Acesso em 01 de maio 2021.
  2. CASTRO, Danielle Marialva. VIERA, Luiz Carlos Rabelo. Joelho: revisão de aspectos pertinentes à Fisioterapia. Acesso em 01 de maio 2021.
  3. MOORE, L. Keith, et al. Anatomia orientada para Clínica. 7aed. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2014.
  4. NETTER F. H. Atlas De Anatomia Humana – 7a Ed. 2019.
  5. NETTER. Netter’s clinical anatomy : 4th edition. [2019]
  6. STANDRING, S. Grayʾs Anatomia. A base anatômica da prática clínica. 40a Ed. Rio de Janeiro. Elsevier Editora Ltda, 2010.
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