Resumo sobre fratura de úmero (completo): tratamento, anatomia, mecanismos de lesão, diagnóstico e mais. Confira!
As fraturas do úmero podem ocorrer proximalmente, na diáfise ou distalmente. Os sinais e sintomas mais comuns são dor intensa e edema no local da fratura.
A maioria das fraturas do úmero proximal e do eixo médio não são deslocadas e podem ser tratadas de forma conservadora. Por outro lado, as lesões distais possuem tratamento cirúrgico superior ao conservador.
Anatomia do úmero
O úmero é o maior osso do membro superior. Ele se articula com a escápula na articulação do ombro e com o rádio e a ulna, no cotovelo. Na sua parte proximal, há a cabeça do úmero, que se articula com a cavidade glenoidal.
O colo anatômico do osso, formado pelo sulco que divide a cabeça em tubérculos maior e menor e o colo cirúrgico, que corresponde à parte estreita distal da cabeça, local frequente de fraturas.
Os músculos e tendões do manguito rotador, o acrômio e as ligações ligamentares, como aqueles entre o processo coracóide da escápula e o acrômio, servem para estabilizar a articulação glenoumeral e fornecer uma ampla gama de movimento da articulação do ombro.
Projeções ósseas
A tuberosidade maior, localizada lateralmente à cabeça do úmero e na face superior, fornece a fixação de três músculos do manguito rotador: supraespinhal, infraespinhal e redondo menor.
A tuberosidade menor está localizada na superfície anterior do úmero e fornece a fixação para o músculo subescapular. Para fins de classificação da fratura, a tuberosidade menor marca o limite entre o úmero proximal e o eixo médio.
Irrigação
O úmero proximal recebe seu suprimento sanguíneo de ramos da artéria axilar. Dois ramos, as artérias circunflexas umeral anterior e posterior, originam-se distalmente ao colo anatômico e viajam proximalmente para suprir a cabeça umeral.
Assim, as fraturas que ocorrem no colo anatômico podem interromper o suprimento de sangue e resultar em osteonecrose (necrose avascular) da cabeça do úmero.
A diáfise do úmero é suprida pela artéria axilar e braquial, que se ramifica distalmente para se tornar as artérias radial e ulnar. Esse suprimento vascular pode ser interrompido por uma fratura da diáfise do osso se houver um deslocamento considerável dos fragmentos.
Epidemiologia das fraturas de úmero
As fraturas proximais do úmero correspondem a 4 a 5% de todas as fraturas do corpo humano. Além disso, elas representam a terceira fratura mais comum em idosos, ficando atrás apenas das fraturas de quadril e do rádio distal.
Dessa forma, a incidência dessas fraturas aumenta progressivamente com a idade, com mais de 70% dos casos ocorrendo em pacientes com mais de 60 anos. Notavelmente, a maior frequência é observada entre os 73 e 78 anos.
Tipos de fraturas do úmero e sua epidemiologia
As fraturas do eixo médio são responsáveis por cerca de 2% de todas as fraturas, possuindo distribuição bimoda. Dessa forma, o primeiro pico observado na terceira década em homens, costuma estar associado a traumas de alta velocidade. O segundo pico é observado em mulheres na sétima década e está associado a quedas de baixa velocidade.
Assim, a incidência da das fraturas distais de úmero é estimada destas lesões no adulto ronda os seis casos por 100.000 habitante por ano. Também são lesões com uma distribuição bimodal apresentando um pico entre os 12 e 19 anos de idade. Um segundo pico nos indivíduos idosos, principalmente do género feminino, resultante de traumatismo de baixa energia.
Diagnósticos das fraturas de úmero
Em idosos, as quedas são a causa mais comum de fraturas do úmero proximal, sendo aproximadamente 87 a 93 % das fraturas ocorrem após uma queda da posição ortostática.
As fraturas do eixo médio geralmente resultam de trauma, como um golpe direto ou força de flexão no úmero e, menos comumente, de uma queda com a mão estendida ou cotovelo. Elas também podem resultar de fortes contrações musculares, como em arremessos de alta velocidade ou luta de braço.
Nas fraturas distais, ocorre principalmente entre os indivíduos do género masculino em contexto de traumatismo de elevada energia, mas na população idosa pode ser gerado por impactos de baixa energia como as quedas da própria altura.
Sinais e sintomas das fraturas de úmero
Pacientes com fraturas do úmero proximal apresentam dor moderada a intensa no ombro, que aumenta com o movimento do ombro e tendem a segurar o braço afetado aduzido contra o lado do corpo.
Já os paciente com fraturas do eixo médio do úmero geralmente apresentam dor intensa no meio do braço, mas podem ter referido dor no ombro ou cotovelo. Edema e equimoses podem ser aparentes logo após a lesão.
Na fratura proximal podem ocorrer deformidades grosseiras no ombro, principalmente se a fratura estiver associada a um deslocamento anterior ou posterior da cabeça do úmero. Nas fraturas distais, ocorre dor intensa, edema na área do cotovelo e amplitude do movimento do cotovelo torna-se limitada.
Diagnóstico das fraturas de úmero
Para avaliar fraturas proximais do úmero, os profissionais realizam radiografias simples do ombro, incluindo uma visão anteroposterior (AP) verdadeira, uma visão axilar e uma visão escapular em Y. Essas imagens compõem a série de radiografias padrão para traumas nessa região.
Assim, o sistema de classificação de Neer organiza as fraturas com base na relação anatômica entre os quatro segmentos principais do úmero proximal: o colo anatômico, o colo cirúrgico, a tuberosidade maior e a tuberosidade menor.
- Fraturas em uma parte ocorrem quando nenhum fragmento apresenta deslocamento
- Nas fraturas em duas partes, há o deslocamento de um único fragmento
- As fraturas em três partes envolvem o deslocamento de dois fragmentos, mas a cabeça do úmero ainda mantém contato com a glenoide
- Já as fraturas em quatro partes apresentam três ou mais fragmentos deslocados, além do deslocamento da superfície articular em relação à glenoide.
Tratamento das fraturas
O tratamento das fraturas, de maneira geral, inicia-se com o alívio da dor, obtido por meio de analgesia adequada. Além disso, necessita-se realizar a redução da fratura, um procedimento que consiste na recolocação do osso em sua posição habitual, feito tanto por métodos cirúrgicos quanto por manobras específicas. Por fim, a imobilização da fratura é uma etapa essencial para garantir a estabilização e a recuperação adequada do osso.
A fim de obter restauração da função do membro, é importante, na grande maioria dos casos, realizar a fisioterapia.
Mais informações sobre o tratamento e fisiopatologia das fraturas, acesse nosso Resumo completo sobre fraturas.
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Referências bibliográficas
- BASSETT, R. Proximal humeral fractures in adults. UpToDate, 2022