Endocrinologia

Resumo sobre Distúrbios do TSH (completo) – Sanarflix

Resumo sobre Distúrbios do TSH (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

9 min44 days ago

Introdução

A tireoide é um órgão de grande importância para nosso corpo, uma vez que ela é responsável por produzir hormônios que regulam grande parte do nosso metabolismo. Um desses hormônios é o TSH (hormônio estimulador da tireoide ou tireotrófico) responsável por estimular a produção de T3 e T4.

Toda vez que que a tireoide falha ou que seu funcionamento é insuficiente, o indivíduo entra em um quadro de Hipotireoidismo (HipoT), mas e se a tireoide começar a atuar muito mais do que ela deveria? Bem… aí o paciente entra em um quadro que conhecemos como Hipertireoidismo (HiperT).

Fisiologia endócrina

Antes de comentar sobre a abordagem dos distúrbios do TSH, é preciso conhecermos a fisiologia endócrina. Os hormônios tireoidianos ficam armazenados e apresentam um sistema de regulação, que é controlado pelo eixo hipotalâmico-hipofisário.

Local de produção dos principais hormônios

Basicamente, o que acontece é o seguinte: o hipotálamo inicia a cadeia através da produção do hormônio liberador de tireotrofina (TRH) e esse, por sua vez, atua sobre a hipófise induzindo à produção de um outro hormônio que é o hormônio estimulador da tireoide ou tireotrópico (TSH). A partir daí, o que acontece é que esse hormônio cai na circulação sanguínea e segue até os folículos tireoidianos, onde ele vai estimular a produção e a secreção de T3 e T4.

Anatomia e histologia da tireoide

A tireoide é uma glândula bilobada que se situa na porção anterior do pescoço (normalmente ao nível de C5-T1) (Figura 1) e cuja principal função é produzir os hormônios tireoidianos T3 e T4, sendo que para tal, ela conta com uma unidade funcional que é o folículo tireoidiano. Esse folículo é uma estrutura mais ou menos esférica e que tem uma parede composta pelas chamadas “células foliculares” ou “tirócitos”, as grandes responsáveis por produzir os hormônios tireoidianos (Figura 2).

Anatomia da glândula tireoide.
Figura 1. Representação anatômica da glândula tireoide.
Histologia da glândula tireoide.
Figura 2. Células foliculares, com seus respectivos núcleo, comportando o coloide.

Entendendo o mecanismo regulatório

Já no interior desses folículos se encontra uma substância gelatinosa que é o coloide, onde todos esses hormônios ficam armazenados até o momento em que a glândula decide liberá-los na circulação. Porém, quem é que vai regular o eixo hipotalâmico-hipofisário dizendo quando que precisa ou não liberar T3 e T4? Os próprios T3 e T4!

Mas vamos com calma… A ideia é a seguinte: T3 e T4 atuam como inibidores de TRH e TSH. Assim, toda vez que eles estiverem altos, o hipotálamo e a hipófise vão ser inibidos e não vai haver estímulos para produção de hormônios tireoidianos. Por outro lado, quando os níveis de T3 e T4 estiverem baixos, é como se essa inibição cessasse e aí vai haver mais produção de TRH e TSH para regular a liberação de T3 e T4.

Para fechar essa revisão, então, uma vez já tendo entendido como os hormônios são liberados, nos resta entender a ação que eles têm sobre o corpo. Pois bem… de maneira prática, o T3 atua controlando o metabolismo geral do corpo, ao passo em que o T4 é um pré-pró-hormônio para T3, mas o que isso significa? Significa que ele não tem uma ação muito específica, mas ele é liberado no sangue e aí pode ser convertido em T3 nos tecidos (especialmente os ricamente vascularizados, como rins e fígado).

Diagnosticando os principais distúrbios relacionadas ao TSH

Entendido isso podemos dividir os pacientes em dois grupos: aqueles com Hipotireoidismo e aqueles com Hipertireoidismo. O quadro clínica e as etiologias são bastantes diferentes e características para cada grupo.

Hipotireoidismo

Do mesmo jeito que os seus sintomas são sistêmicos, o HipoT pode causar uma série de alterações laboratoriais como, por exemplo, anemia, dislipidemia, elevação de enzimas musculares, aumento de prolactina e gonadotrofinas e assim por diante. No entanto, o que vai realmente nos dar o diagnóstico de Hipotireoidismo são 2 exames: o próprio TSH e o T4L. E nos resultados poderemos nos dar de cara com 3 situações:

TSH elevado com T4L reduzido

Nessa primeira situação, a gente observa que o eixo hipotalâmico-hipofisário está atuando em maior atividade para estimular a tireoide (por isso o TSH elevado), mas a glândula não responde e o nível do T4L continua reduzido. Isso nos indica que o problema aqui está na própria glândula, que não está respondendo aos reguladores endócrinos. Ou seja, é um HipoT Primário.

TSH elevado com T4L normal

Nesse outro caso, agora, o TSH também está elevado, indicando para a gente que o eixo hipotalâmico-hipofisário está em grande atividade para compensar o quadro, só que aqui ele consegue e aí o que a gente vê é que o paciente mantém níveis de T4L adequados, só que à custa de um TSH muito elevado. Dessa forma, podemos dizer que se trata de um HipoT Subclínico, que ainda não descompensou, mas que pode evoluir para tal.

TSH reduzido com T4L reduzido

Por fim, na terceira situação o paciente retornou para a gente trazendo um TSH reduzido (ou até normal em alguns casos), mas um T4L reduzido. O que isso quer dizer? Pensa o seguinte: em se tratando de um quadro de HipoT, já era esperado que o T4L viesse reduzido, não é mesmo? Contudo, fisiologicamente, ter pouco hormônios tireoidianos circulando vai hiper ativar o eixo hipotalâmico-hipofisário e não é isso que observamos aqui.

Mesmo com baixo T4L, o TSH também está baixo. Ele não está reagindo e isso nos faz pensar que o problema todo seja central (hipotálamo ou hipófise).

Fluxograma esquemático sobre os possíveis diagnósticos de Hipotireodismo.
Figura 1. Fluxograma esquemático sobre os possíveis diagnósticos de Hipotireodismo.

Hipertireoidismo

De início, a primeira coisa que precisamos fazer é confirmar o estado de
tireotoxicose e isso nós conseguimos por meio da dosagem de TSH e de T4L. A partir daí, nós poderemos nos deparar com 4 situações:

TSH reduzido e T4L elevado

Nessa primeira situação, o T4L está elevado, nos indicando a presença de uma tireotoxicose; e o TSH está diminuído, o que nos faz pensar em quadro primário, em que o problema está na própria glândula tireoide. Ah… então a gente pode dizer que se trata de um hipertireoidismo? Não! Lembra que as tireoidites, por exemplo, apesar de serem um acometimento de tireoide, não podem ser caracterizadas como HiperT.

No entanto, uma vez encon trado esse resultado, nossa cabeça deve pensar logo de cara em 3 etiologias principais: Graves, Bócio Multinodular Tóxico e Adenoma Tóxico. E aí vamos excluindo nossas opções.

TSH reduzido e T4L normal

Já nessa situação, a gente observa que o TSH está reduzido, o que nos faz pensar que ele está sendo inibido pelos hormônios tireoidianos, no entanto, quando olhamos para o T4L, ele está normal. Daí, a gente precisa avaliar como é que está a dosagem de T3 para podermos determinar o que é que está causando o problema. Se o T3 estiver elevado, aí vamos pensar que a tireotoxicose está sendo provocada por ele – o que pode ser o início de um quadro de hipertireoidismo. Porém, se ele também estiver normal, aí pode se tratar de um HiperT subclínico.

TSH elevado/normal e T4L elevado

Fisiologicamente, se os níveis de hormônios tireoidianos estiverem aumentados, o que a gente espera que aconteça é uma queda nos níveis de TSH. Assim, quando a gente se de para com um exame mostrando T4L elevado, mas TSH elevado ou normal, aí vamos começar a pensar em algum problema central, afinal de contas, o eixo hipotalâmico-hipofisário está produzindo e secretando seus hormônios independentemente dos níveis de T3 e T4.

TSH normal e T4L normal

Por fim, nesses casos a gente já pode afastar as suspeitas de tireotoxicose.

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Este artigo foi inteiramente direcionado à abordagem da fisiologia endócrina e o direcionamento para as possibilidades diagnósticas dos distúrbios relacionados ao hormônio TSH. Quer saber um pouco mais sobre quadro clínico, principais etiologias e tratamento das principais patologias envolvidas na desregulação dos hormônios da tireoide? Aproveite e confira os nossos resumos completos sobre Hipotireodismo, Hipertireoidismo e Tireoidite de Hashimoto.

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