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Resumo sobre doença de Lyme (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

6 min7 days ago

Definição

A doença de Lyme (DL) é uma zoonose transmitida por artrópodes (Carrapatos Ixodes, sp.) frequente no hemisfério Norte e causada por espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato.

Clinicamente guarda semelhança com a sífilis devido a sua ocorrência em três estágios e ao seu desenvolvimento multissistêmico. A doença de Lyme tem um amplo espectro de manifestações clínicas e também varia em gravidade devido, em parte, às diferenças nas espécies infectantes. 

Epidemiologia da doença de Lyme

A doença de Lyme é atualmente a infecção transmitida por carrapato mais comum nos Estados Unidos e Europa. A incidência nos Estados Unidos tem aumentado constantemente desde sua descoberta no final dos anos 1970. 

Os primeiros casos semelhantes à DL no Brasil foram descobertos, em 1992, em irmãos que após serem picados por carrapatos desenvolveram eritema migratório, sintomas gripais e artrite.  Criteriosa análise da casuística brasileira, mostrou que os aspectos epidemiológicos, clínicos e laboratoriais no país, divergiam bastante dos exibidos pelos pacientes com DL nos Estados Unidos da América.

Microbiologia

A Borrelia burgdorferi é uma espiroqueta identificada em 1982 pelo Dr. Willy Burgodorfer. A Borrelia sp. junto com as leptospiras e o treponema pertencem ao filo eubacterial das espiroquetas. As espiroquetas são bactérias espirais móveis que não se agrupam como patógenos gram-negativos ou gram-positivos. Seus genomas compreendem pequenos cromossomos lineares e plasmídeos lineares e circulares. 

É uma infecção bacteriana causada por seis espécies da família dos espiroquetas Borreliaceae que incluem: B. mayonii, B. spielmanii, B. bavariensis, B. valaisiana, B. lusitaniae e B. bissettii.  Esta diversidade etiológica é responsável pelas diferenças clínicas e laboratoriais regionais, como maior frequência do eritema migratório e comprometimento articular nos EUA. 

A B. burgdorferi e espécies relacionadas possuem um genoma muito pequeno em comparação com outras bactérias e não produzem toxinas, mas causam infecção ao migrar através dos tecidos, aderindo às células do hospedeiro e evitando a depuração imunológica. 

A espiroqueta da doença de Lyme é transmitida por certos carrapatos Ixodes que são parte do complexo Ixodes ricinus. Ixodes scapularis , também conhecido como carrapato de perna preta ou carrapato de cervo, é o principal vetor de B. burgdorferi nas regiões hiperendêmicas do leste dos Estados Unidos. Outras espécies de Ixodes são vetores da doença de Lyme em algumas outras regiões como Ixodes pacificus no oeste da América do Norte, Ixodes persulcatus na Ásia e Ixodes ricinus na Europa. 

Patogênese da doença de Lyme

Borrelia burgdorferi desenvolveu mecanismos sofisticados para se adaptar ao seu carrapato e hospedeiros mamíferos, incluindo o controle rígido da expressão de proteínas para minimizar alvos antigênicos para reconhecimento imunológico e subversão dos mecanismos do hospedeiro para estabelecer a infecção e evitar a imunidade do hospedeiro. Como B. burgdorferi não produz toxinas, proteases secretadas ou outras moléculas destrutivas, a maioria dos sintomas observados na doença de Lyme humana se deve aos efeitos da resposta imune do hospedeiro.

Quadro Clínico da doença de lyme  

A DL evolui por estágios. Na fase aguda, pode surgir o eritema migratório (também chamado de eritema migrans), que ocorre em aproximadamente 80 por cento dos pacientes, geralmente dentro de um mês após a picada do carrapato.  O eritema migratório se apresenta como lesão macular ou papular, de crescimento centrífugo, de bordas eritematosas e centro mais claro, no local da picada.  

Eritema migrans com clareira central e um centro necrótico.

Além de achados inespecíficos que se assemelham a uma síndrome viral,  tais como febre baixa, calafrios, mialgia, artralgia, cefaleia, adenomegalia e elevação transitória de enzimas hepáticas. Neste estágio, podem aparecer novas lesões menos expansivas e disseminadas, conhecidas como eritema anular secundário. 

O estágio secundário da doença de Lyme é caracterizado por envolvimento neurológico ou cardíaco agudo e geralmente ocorre semanas a vários meses após a picada do carrapato e pode ser a primeira manifestação da doença de Lyme.

A síndrome pós-DL é uma entidade clínica observada nos EUA, bastante controvertida e indefinida, que surge nos pacientes com DL tratados com antibióticos. Caracteriza-se por sintomas inespecíficos (como cefaleia, fadiga e artralgias) que podem persistir por meses após o tratamento da doença de Lyme. 

Especificamente no Brasil, após estudos epidemiológico demonstrou que, apesar da ocorrência do clássico eritema migratório e das complicações sistêmicas habituais encontradas na DL, a enfermidade brasileira cursava com recorrências, especialmente se o tratamento com antibióticos era introduzido após três meses do início da infecção. 

Diagnóstico da doença de Lyme 

O diagnóstico da doença de Lyme deve ser suspeitado em pacientes com risco de exposição a carrapatos transmissores da doença de Lyme e com manifestações clínicas consistentes com a doença de Lyme. O diagnóstico de doença de Lyme localizada precoce deve ser feito apenas com base na clínica quando o eritema migratório característico está presente em um paciente que vive ou viajou recentemente para uma área endêmica. 

Em pacientes com suspeita de doença de Lyme em estágios secundários, o teste sorológico é importante para apoiar o diagnóstico. No entanto, o teste de anticorpos para B. burgdorferi deve ser visto como um complemento ao diagnóstico clínico, uma vez que, por si só, o teste sorológico não pode estabelecer nem excluir o diagnóstico da doença de Lyme. O teste sorológico tem sido tradicionalmente realizado usando um imunoensaio imunoenzimático (ELISA) inicial ou ensaio de imunofluorescência. 

Tratamento da doença de Lyme  

O tratamento com doxiciclina é indicado para a maioria dos pacientes com a forma localizada precoce, uma vez que é eficaz contra a doença de Lyme e certas outras coinfecções (por exemplo, anaplasmose granulocítica humana). A infecção primária da SBY é tratada com doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia pelo prazo mínimo de 30 dias. Crianças podem receber amoxicilina ou azitromicina pelo mesmo período. 

Na presença de complicações neurológicas como meningite, encefalite, neurite, ou na vigência de artrite recorrente, pode-se empregar ceftriaxona 2g/EV/dia por 30 dias, seguido de dois meses adicionais de doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia. Nesta fase costuma-se associar hidroxicloroquina na dose de 400 mg/dia por tempo prolongado.

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