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Resumo sobre hipotermia (completo) – Sanarflix

Resumo sobre hipotermia (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

7 min7 days ago

Definição

Hipotermia é definida como uma condição em que a temperatura corpórea central é menor que 35ºC, pode ocorrer em pessoas de todas as idades e tipicamente está associada à exposição ao frio. A morte por exposição e hipotermia acidental ocorre em todo o mundo e pode apresentar problemas de manejo significativos Mesmo com os modernos cuidados de suporte, a  mortalidade intra-hospitalar de pacientes com hipotermia acidental moderada ou grave chega a 

A hipotermia pode ser classificada em primária, quando é decorrente apenas da exposição ao frio, ou secundária, quando alguma condição leva o organismo a perder os mecanismos de retenção de calor, ficando mais sujeito à ocorrência de hipotermia. De acordo com o ACLS 2015, a hipotermia é classificada em:

  • Leve: 32ºC a 35ºC.
  • Moderada: 28º C a 32ºC.
  • Grave: abaixo de 28ºC.

Se a medição da temperatura não for viável, a equipe pré-hospitalar deve estimar a gravidade da hipotermia observando os sinais clínicos. Dessa forma, uma nova classificação foi proposta, pelo Sistema suíço de estadiamento de hipotermia (SSS-Hypothermia). Como a resposta à hipotermia varia amplamente entre os pacientes, qualquer sistema de estadiamento clínico pode fornecer apenas uma estimativa aproximada da gravidade, sendo a hipotermia graduada clinicamente: 

  • Leve (HT I) – Estado mental normal com calafrios. Temperatura central estimada de 32 a 35 ° C. 
  • Moderado (HT II) – Estado mental alterado sem tremores. Temperatura central estimada de 28 a 32 ° C.
  • Grave (HT III) – Inconsciente. Temperatura central estimada de 24 a 28 ° C.
  • Muito grave (HT IV) – Morte aparente. Temperatura central de 13,7 a 24 ° C (a ressuscitação pode ser possível).
  • Morte (HT V) – Morte por hipotermia irreversível. Temperatura central <9 a 13,7 ° C (48,2 a 56,7 ° F) (a ressuscitação não é possível).

Epidemiologia da hipotermia 

No Brasil, por tratar-se de um país de clima predominantemente quente, deve haver uma baixa incidência de casos de hipotermia, estando esses casos mais restritos às regiões Sul e Sudeste do Brasil, em especial nos meses de inverno.

Infelizmente, faltam dados epidemiológicos nacionais que confirmem essas informações. Nos Estados Unidos, no mínimo 1.500 pessoas morrem por ano em consequência da hipotermia, sendo uma condição grave, que mesmo com os modernos cuidados de suporte, a mortalidade intra-hospitalar de pacientes com hipotermia acidental moderada ou grave chega a 40%. 

Patogênese da hipotermia 

A temperatura corpórea reflete o equilíbrio entre a produção e a perda de calor de determinado organismo. O calor é gerado principalmente pelo metabolismo celular (em especial de órgãos como coração e fígado) e é perdido pelas áreas expostas do corpo, principalmente a pele e os pulmões, por quatro mecanismos principais: 

  • Evaporação – Vaporização da água por meio de perdas insensíveis e suor
  • Radiação – Emissão de energia eletromagnética infravermelha
  • Condução – transferência direta de calor para um objeto adjacente mais frio
  • Convecção – Transferência direta de calor para correntes convectivas de ar ou água

A hipotermia causa alterações nas funções da membrana celular, levando à saída de fluido intracelular, alterações no metabolismo enzimático e distúrbios hidroeletrolíticos (inclusive hipercalemia grave). A morte celular ocorre em decorrência desses diversos fatores associada à cristalização de moléculas de água intra e extracelular.

Em resposta ao estresse causado pelo frio, o hipotálamo tenta estimular a produção de calor por meio de tremores e aumento da atividade da tireóide, do tônus catecolaminérgico e adrenais, que aumenta a produção de calor pelo maior metabolismo e diminui a perda de calor para o meio devido à vasoconstrição periférica. Esses tremores podem aumentar a produção de calor em até 4 a 5 vezes o valor basal.  Abaixo de 30ºC esse mecanismo começa a ser suprimido, até que com 24ºC não são mais notadas respostas endocrinológicas ao frio.

Quadro clínico da hipotermia 

Pacientes com hipotermia leve demonstram taquipnéia, taquicardia, hiperventilação inicial, ataxia, disartria, julgamento prejudicado, tremores e a chamada diurese fria.

Na hipotermia moderada ocorre diminuição da resposta excitatória, seguida por fase de depressão caracterizada por bradicardia, diminuição da frequência respiratória e da pressão arterial. Cessam os tremores musculares em resposta ao frio e há depressão do SNC. Podem ocorrer arritmias cardíacas nessa fase, como fibrilação atrial e taquicardia juncional ou outras arritmias.

A hipotermia grave pode causar edema pulmonar, oligúria, arreflexia, coma, hipotensão, bradicardia, arritmias ventriculares (incluindo fibrilação ventricular) e assistolia. A perda dos reflexos corneanos e oculocefálicos ocorre abaixo de uma temperatura central de cerca de 29 ° C.  

Diagnóstico da hipotermia 

O diagnóstico preciso da hipotermia depende basicamente da medida de temperatura corpórea central inferior a 35ºC, o que é um tanto complicado em nosso meio, já que a maioria dos termômetros de mercúrio que dispomos marca exatamente como a menor temperatura mensurável 35ºC. Termômetros cutâneo, oral ou com luz infravermelha são imprecisos no paciente hipotérmico. Uma sonda de temperatura esofágica é preferível para hipotermia grave. 

Por outro lado, com a nova classificação (SSS-Hypothermia), podemos classificar a hipotermia djnkamente. O diagnóstico é sugerido pela história de exposição ao frio como imersão em água, ou para pacientes de alto risco, como idosos, tetraplégicos, alcoólatras, diabéticos, bebês, grandes queimados, politraumatizados ou pacientes gravemente debilitados. 

A avaliação laboratorial é usada para identificar complicações e comorbidades potenciais, incluindo acidose láctica, rabdomiólise, diátese hemorrágica e infecção. A hipotermia moderada e grave pode causar arritmia e um alargamento no intervalo PR, do QRS e QT no eletrocardiograma.

 Manejo da hipotermia   

No departamento de emergência a avaliação do paciente envolve a obtenção rápida da glicemia capilar e da temperatura central, monitorização cardíaca e fornecimento de oxigênio. Em caso de alteração, a glicemia capilar deve ser prontamente corrigida com 100 mL de glicose a 50% infundida simultaneamente com 100 mg de tiamina.

O reaquecimento externo ativo é usado para tratar pacientes com hipotermia leve refratária, hipotermia moderada e como adjuvante na hipotermia grave. Consiste em combinação de cobertores quentes, calor radiante ou ar quente forçado aplicado diretamente na pele do paciente. O reaquecimento do tronco deve ser realizado antes das extremidades para minimizar o risco de queda da temperatura central, hipotensão e acidemia. 

Soluções cristalóides aquecidas (38ºC a 42ºC) devem ser usadas por via intravenosa, especialmente nos pacientes hipotensos. Caso o paciente persista hipotenso após a ressuscitação volêmica, deve-se iniciar vasopressor (p. ex., noradrenalina) com cuidado, pois o paciente hipotérmico tem maior chance de arritmia. As arritmias atriais, em geral, não precisam de abordagem específica, pois são revertidas espontaneamente com o reaquecimento. 

O manuseio descuidado do paciente hipotérmico moderado ou grave pode precipitar arritmias, incluindo fibrilação ventricular, que geralmente não respondem à desfibrilação e medicamentos. Nesses casos, a ressuscitação cardiopulmonar deve ser iniciada e continuar até que o paciente seja reaquecido a 30 a 32 ° C (86 a 90 ° F), momento em que novas tentativas de desfibrilação e ressuscitação com medicamentos ACLS são realizadas. Os efeitos neuroprotetores da baixa temperatura podem permitir a recuperação após uma parada prolongada.

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