Residência Médica

Rotina da residência em Medicina Esportiva

Rotina da residência em Medicina Esportiva

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Sanar Residência Médica

8 minhá 118 dias

A rotina da residência em Medicina Esportiva é pouco conhecida pela maioria dos estudantes de Medicina. Isso porque se trata de uma especialidade nova e que, por isso, poucos têm contato durante a graduação. Apesar disso, a Medicina Esportiva tem ganhado cada vez mais espaço com uma abordagem voltada para a prática esportiva e promoção da saúde.

Em 2018, de acordo com a Demografia Médica no Brasil, foi revelado que havia 869 médicos do esporte no país, o equivalente a 0,2% do total de médicos registrados. Ao mesmo tempo, neste mesmo ano, os recém-formados que optaram pela especialização formavam 0,4% do total de entrevistados.

São muitas coisas que você não pode deixar de saber antes de escolher a residência em Medicina Esportiva! Por isso, para conhecer um pouco mais da especialidade e da rotina do residente, convidamos a médica do esporte Rafaella Braga Sinisgalli, residente do terceiro ano de Medicina Esportiva na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

A escolha da residência

A escolha da residência é um momento fundamental na carreira do médico. Geralmente, leva-se em consideração diversos aspectos, tanto pessoais quanto profissionais.

Rafaella conta que escolheu a residência em Medicina Esportiva devido a união das suas duas paixões: “escolhi esta especialidade pois sempre fui apaixonada por esporte e por Medicina. Consegui encontrar na especialidade a junção das minhas duas maiores paixões. Além disso, sempre soube que queria trabalhar com a saúde e sua promoção, e não com a doença”, explica.

Como se trata de uma especialidade nova, poucas instituições oferecem o programa. Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), atualmente são seis instituições que oferecem a Residência, sendo cinco no estado de São Paulo e uma no estado do Rio Grande do Sul. Confira:

  • Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) – Botucatu/SP
  • Santa Casa de São Paulo (Santa Casa-SP)
  • Universidade de Caxias do Sul (UCS)
  • Universidade de São Paulo (USP)
  • Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE)
  • Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

A nossa entrevistada escolheu a UNIFESP porque é mais voltada para performance e alto rendimento.

Como a residência é dividida 

A residência médica em Medicina Esportiva tem duração de 3 anos e é de acesso direto. Dessa forma, não necessita de pré-requisito.

De acordo com a Matriz de Competências da residência estabelecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e pela SBMEE, os conhecimentos esperados pelos residentes em cada ano de especialização apresentam a seguinte divisão:

  • R1: o residente deve atuar em unidade de internação em serviço de Clínica Médica Geral e por especialidades clínicas afins (Cardiologia, Pneumologia, Endocrinologia, Geriatria e Pediatria); atender pacientes em unidade básicas de saúde, UTI e serviço de urgência e emergência.
  • R2: atuação em ambulatório de Ortopedia e Traumatologia, Reumatologia, serviço de reabilitação do aparelho locomotor, radiologia do aparelho locomotor, laboratório de biomecânica desportiva, laboratório de fisiologia, serviço de nutrição esportiva.
  • R3: clubes e centros desportivos, esporte de alto rendimento, complexos poliesportivos, atividade em academias, ortopedia e medicina do esporte, ambulatórios de subespecialidades ortopédicas.

Rafaella também revela como a residência em Medicina do Esporte da UNIFESP é dividida:

“No primeiro ano passamos por clínica médica (pneumologia, cardiologia, endocrinologia, geriatria), trauma, ambulatórios de medicina esportiva (performance, medicina aventura, medicina esportiva, pediatria do esporte, cardiologia esporte, ginecologia do esporte), ortopedia e fisiologia”, diz.

Já no segundo ano, “atuamos em ambulatórios de medicina esportiva, cardiologia no instituto Dante pazanese, reumatologia, neuromuscular, São Paulo Futebol Clube (SPFC) e pronto socorro em ortopedia. Por fim, no terceiro ano, os estágios também incluem no Esporte Clube Pinheiros e NAR (núcleo de alto rendimento)”, explica.

O melhor da residência em Medicina Esportiva

Rafaella conheceu a especialidade durante um estágio nos EUA e, desde então, viu a possibilidade de trabalhar com alto rendimento, performance e nutrologia.

Para ela, a melhor parte da especialidade é que a área tem amplas possibilidades. “A Medicina Esportiva é muito ampla e com certeza tem muito espaço para atuar com os mais diversos perfis de indivíduos, desde os sedentários que buscam iniciar a prática esportiva, até os atletas de alto rendimento a nível profissional”, revela.

Ao mesmo tempo, Rafaella também gosta de atuar com Performance. “Ambulatório de orientação nutricional, estratégias de alimentação e suplementação com foco na melhora de rendimento, emagrecimento ou ganho de massa muscular, a depender o do objetivo de cada paciente”, exemplifica.

O mais difícil 

Por se tratar de uma nova especialidade e que abrange outras áreas da Medicina, uma das partes mais difíceis é lidar com a falta de reconhecimento, explica Rafaella.

“Uma das principais dificuldades hoje talvez seja o não reconhecimento/conhecimento pelas demais especialidades. Aos poucos estamos conquistando o nosso espaço. Não temos a pretensão de sabermos mais Cardiologia do que o cardiologista, nem mais Ortopedia do que o ortopedista”, conta.

“O nosso diferencial é entender um pouco sobre tudo, é ter uma visão macro e ver o paciente como um todo, não como uma parte. É  ser o gestor daquele indivíduo e comunicar e integrar todas as áreas, buscando sempre o melhor para o paciente”, opina a residente.

Expectativa de trabalho e emprego

Em geral, o especialista em Medicina Esportiva assume funções em associações ou clubes esportivos, serviços de reabilitação ou consultório. É uma área com notável crescimento e com boas perspectivas futuras, já que a Medicina está cada vez mais focada na prevenção da saúde e na abordagem geral do paciente.

“O mercado está crescendo muito para os médicos do esporte. Atualmente podemos trabalhar tanto em consultório, como em campo (team physician), em clubes e até mesmo em hospitais”, diz Rafaella.

Conclusão sobre a rotina do residente em Medicina Esportiva

A residência em Medicina Esportiva, tem pontos positivos e negativos. A disponibilidade limitada da especialidade em outras regiões e a falta de contato durante a graduação de Medicina podem tornar o acesso mais difícil.

Entretanto, com o número crescente de profissionais e a valorização da área, as perspectivas futuras são cada vez melhores e, provavelmente, cada vez mais médicos escolherão esse caminho. É uma especialidade direcionada para uma das mais potentes armas contra inúmeras doenças: a atividade física.

Apesar das dificuldades, Rafaella deixa um recado para quem deseja seguir a área: “Para alguém que quer cursar a medicina esportiva eu só tenho uma coisa a dizer: vá em frente! A medicina esportiva é apaixonante”, conclui.

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