Residência Médica

Rotina da residência em Clínica Médica

Rotina da residência em Clínica Médica

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Sanar Residência Médica

13 minhá 126 dias

Uma das especialidades com mais profissionais é a de Clínica Médica, considerada uma das bases da Medicina e que habilita seus especialistas a atuarem como Médico Internista, um dos sinônimos de Clínico Médico. Mas você sabe como é a rotina do residente de Clínica Médica?

De forma geral, são 42.728 especialistas, o que resulta em 20,58 clínicos médicos por 100 mil habitantes, indica o estudo Demografia Médica no Brasil 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM). A maioria (52,3%) está na região Sudeste. 

São 4.466 residentes em Clínica Médica ocupando parte das 6.269 vagas autorizadas, o que faz da especialidade a que tem o maior número de médicos, de acordo com o relatório do CFM.  

Para você conhecer um pouco mais sobre a rotina do residente de Clínica Médica e, dessa forma, escolher essa especialidade com mais segurança, a Sanar Residência Médica conversou com Cecília Freire, R1 no Hospital Santo Antônio, OSID, e José Simões, R1 no Hupes.

Saiba tudo o que você precisa antes de escolher esta especialização. Acompanhe todos os detalhes abaixo sobre a rotina do residente de Clínica Médica!

Escolhendo a residência em Clínica Médica

Ao longo da faculdade de Medicina, Cecília observou todas as especialidades. Filtrou aquelas que queria fazer e descartou uma a uma até finalmente decidir em qual área queria se especializar.

“Muito do que vemos durante a faculdade é clínica. Como não gostava de cirurgia e já sabia que faria Oncologia no futuro, optei pela Clínica Médica. Foi bom porque casou algo que gosto com um pré-requisito para ser oncologista”, comenta.

Cecília já conhecia o Hospital Santo Antônio, devido aos rodízios do internato. Ela sempre foi apaixonada pela instituição, pois possui uma equipe qualificada e cuidado diferenciado com funcionários e pacientes.  

“O lema é ‘Amar e Servir’ e isso, desde o internato, me encanta. Gostei como a Clínica Médica é abordada lá. O academicismo, as sessões clínicas, a preceptoria, as discussões de caso, o perfil dos pacientes, tudo isso é diferenciado. O paciente é humilde, muito indigente, morador de rua e a gente consegue fazer a diferença não só na saúde, mas também em outras questões também. Saí, como interna, já pensando em voltar”, conta. 

José revela que, até o último ano de faculdade, não pensava em fazer Clínica Médica. Mudou de ideia após ter contato maior com especialistas da área. “Você vê que a Clinica Médica oferece um cuidado completo do paciente. O clínico é um médico generalista. Logo, a base da Medicina está na Clínica Médica. Por isso, acabei fazendo”.

A escolha pelo Hospital Universitário Edgard Santos ocorreu por ser uma referência na área e pela dinamicidade do programa. 

“Em Salvador, é um hospital que oferece maior contato com vários especialistas, como Dermatologia, Reumatologia, Hematologia, Hepatologia, dentre as demais. Preza muito pelo academicismo e os profissionais de lá são referências do estado em suas áreas”, explica.

Como a residência é dividida 

A residência em Clínica Médica tem duração de dois anos e carga horária de 60 horas semanais. O acesso é direto e a especialização possui a maior quantidade de vagas, porém conta com nota de corte mais alta. 

O objetivo é tornar o residente especialista em medicina interna, com conhecimento e expertise em áreas diversas para avaliação de agravos clínicos em todos os graus de complexidade em adultos. A Comissão Nacional de Residência Médica elenca algumas competências para cada ano de residência, entre elas:

  • R1: domínio de anamnese e exame clínico geral e específico, formulação de hipóteses diagnósticas, pedido e interpretação de exames complementares e definição de condutas para afecções mais prevalentes em Medicina Interna, domínio da propedêutica dos órgãos, sistemas e aparelhos, domínio de conceitos básicos, fisiopatologia, critérios diagnósticos e princípios fundamentais do tratamento das síndromes e das doenças mais prevalentes e com maior gravidade;
  • R2: domínio de técnicas como implantação de marca-passo temporário, atendimento a paciente com arritmia cardíaca, portador de dor torácica ou insuficiência cardíaca, atendimento também a pacientes portadores de angina, infarto agudo do miocárdio, tromboembolismo pulmonar portadores do vírus HIV e demais doenças infecciosas.

No Hospital Santo Antônio, os residentes do R1 se submetem a um regime de escala de plantões diurno e noturno em enfermaria. Assim, a instituição garante que as enfermarias sempre contem com um residente, inclusive nos feriados. 

No R2, há dois meses de estágio opcional. Além disso, os residentes são liberados dos plantões, a partir de junho, e atendem em ambulatórios no período da tarde. Diferentemente do R1, nos feriados, os médicos do segundo ano não evoluem pacientes em enfermaria.

“Todos os residentes devem estar de manhã no hospital, às 7h. Cada um é responsável em média por três pacientes. Você observa, conversa, examina, prescreve e evolui. depois passa para o preceptor para discutir conduta, que chamamos de visita. Isso em todas as residências”, detalha Cecília.

No Hospital Santo Antônio, há uma peculiaridade: todas as enfermarias são de Clínica Médica Geral, exceto a de Cardiologia.

Leia também: Rotina da residência em Cirurgia Geral

“No seu leito pode chegar qualquer tipo de paciente, com qualquer doença tratada por Clínica Médica. Então, no mesmo leito, encontramos enfermidades clínicas, hematológicas, pacientes renais, hepáticas, etc”, explica Cecília. 

A cada mês, os residentes trocam de enfermaria. A diferença, entre elas, está no gênero do paciente (se masculino ou feminino) e na preceptoria. 

“Apesar dos preceptores terem, cada um, uma especialidade, eles discutem Clínica Médica em geral. Todos têm capacidade de discutir todas as enfermidades. Podemos discutir problemas de rim com neurologistas, e eles discutem muito bem. Às vezes, quando há dúvida específica, procuramos o preceptor específico da área”, comenta Cecília. 

No Hupes, o R1 é dividido em 4 meses de enfermaria clínica e outros em enfermarias de Cardiologia, Hematologia, Infectologia, Neurologia, UTI e Emergência, e um mês ambulatorial.

“No R2, muda um pouco: temos três meses nas enferma clínicas. Depois rodamos na Gastrologia, Nefrologia, Pneumologia, Cardiologia, UTI e Emergência, e temos dois meses de estágio opcional”, conta José.

Alinhando as principais expectativas

Cecília diz que entrou na residência com altas expectativas. Além de já conhecer a instituição, sabia que o programa é um dos mais procurados por quem deseja se especializar na área. 

“A energia do hospital é essa mesmo. Trabalha com equipe boa, os pacientes são gratos, há ações sendo desenvolvidas o tempo todo, doações, além da preceptoria muito boa. Quando você vira residente, percebe que é melhor ainda que o internato. Foi melhor do que esperava. Minha turma é maravilhosa, e isso faz muita diferença”, destaca. 

Por ser egresso da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, José não teve muito contato com o Hupes antes de entrar na residência. Ele só conhecia o Hospital pelas boas referências.

“Diziam que o corpo clínico e o academicismo eram muito bons. Esperava encontrar um lugar bem académico, onde eu pudesse aprender muito com os profissionais que trabalham lá. Minhas expectativas foram alcançadas”, revela. 

O melhor da residência em Clínica Médica

O que mais encanta Cecília em sua residência é a possibilidade de trabalhar com diagnósticos desafiadores, que exigem muito estudo e dedicação. 

“Além de serem doenças raras, a gente pega doenças graves tb. Então somos estimulados a pensar no diagnóstico e pegamos jeito para manejar emergência clínica, que é intubação, passagem de acesso central, parada cardíaca, hemorragia digestiva, essas coisas”, explica.

Ela também elogia a preceptoria, pelo nível de conhecimento e suporte dado aos residentes. “Eles sabem discutir muito bem sobre tudo. A diferença de quando eu entrei para agora é clara. A segurança para discutir caso, manejar uma emergência, é absurda. evolui muito mesmo”.  

Assim como Cecília, José destaca que a preceptoria de sua residência é fundamental para o sucesso de seu treinamento.

“É muito bom estar sempre com alguém presente ao seu lado. Os preceptores não te deixam sozinhos e te ensinam da forma mais acadêmica possível, mostrando as evidências do que está certo e do que não está certo. Isso é importante”.

O mais difícil 

A maior dificuldade da residência, para Cecília, é conciliar uma rotina intensa com a necessidade de estudar. “Se não estudar, não vai conseguir fazer nada”, revela.

“Você tem de estudar diariamente para oferecer o melhor ao paciente. Há muita coisa para estudar de todas as especialidades. No R1, a gente estuda, mas não tanto quanto gostaria, porque você está muito no hospital e, quando chega em casa, está cansada. No R1, aprendemos no dia a dia e no R2 conseguimos parar para estudar e aprofundar a teoria”. 

José diz que o mais difícil, de forma geral, são os problemas financeiros e estruturais enfrentados pelos serviços do SUS. 

“Apesar de, no Hupes, a gente ter facilidade para conseguir exames que alguns locais não tem, como serviços de hematologia, ainda é uma questão difícil do sistema público. Não é algo exclusivo do hospita”, enfatiza. 

Expectativa de trabalho e emprego

A pessoa que atua como Médico Internista/Clínico Médico é, muitas vezes, um profissional de confiança de família. Afinal, tem perfil generalista e, não raro, é quem indica tratamentos ou outros especialistas específicos, a depender da enfermidade. Não esqueça que, se você quer escolher uma especialidade como Cardiologia, Pneumologia ou Geriatria, também deve passar pela residência em Clínica Médica antes.

O Programa Saúde da Família (PSF) traz muitas ofertas de trabalho. Além disso, o residente de Clínica Médica pode atuar em serviços de emergência, medicina hospitalar ou consultório próprio (neste último caso, existe a dificuldade em se cadastrar para atender convênios de saúde. Dessa forma, muitos terceirizam sua atividade em clínicas privadas).

O site Sine indica que um Clínico Geral recebe salário médio de R$ 6.617, o que pode variar de acordo com a experiência, cargos e região de atuação. 

Conheça mais sobre Clinica Médica com o Professor Mauro Ramanho, que fala mais sobre a rotina do médico internista, residência, áreas de atuação, mercado de trabalho e mais:

Cecília afirma que o médico recém-formado sempre trabalhará com Clínica Médica e que a residência é importante para se aperfeiçoar no serviço. “A residência me dá mais segurança para trabalhar em emergência. Nesse sentido, é bom. Entretanto, no Brasil a Clínica Médica em si não é valorizada. Dessa forma, exige-se que seja feita outra residência depois”. 

José tem o mesmo pensamento. Apesar de ainda não ter decidido a especialidade, pretende fazer outra residência. De acordo com ele, ao fazer Clínica Médica, o profissional não tem perspectiva muito diferente de quando se forma. 

“É uma base para o que você quer depois, como Cardiologia, Hematologia, Nefrologia, Reumatologia, entre outros. O mercado não é tão bom para Clínica Médica. Por isso, é importante fazer alguma coisa depois. Em termos acadêmicos, é muito importante, porque, para ser bom nessas especialidades, precisa ser primeiro um bom clinico”, reforça. 

Conclusão sobre a rotina da residência em Clínica Médica 

A residência em Clínica Médica possui uma rotina intensa, com muitos desafios técnicos e estruturais, mas se trata de uma área fundamental da Medicina. Ao optar pelo treinamento, o médico adquire conhecimentos para toda a vida que podem torná-lo um profissional de excelência, além de abrir caminhos para outras especialidades.

“A residência enriquece muito em questão de conhecimento. Aqui você tem suporte e está colocando em prática o treinamento diário que o programa te dá. Você se torna um médico melhor, pois quem faz residência tem uma experiência maior”, relata Cecília.

A residente também destaca que Clínica Médica está em tudo da Medicina. “Tudo começa com uma boa Clínica Médica. Todo médico que é um bom clínico será um bom especialista, independente da área que for seguir”.

José diz acreditar que a especialidade possibilita amadurecimento profissional, principalmente na hora de lidar com os casos clínicos. “Eu acho interessante conseguir entender o paciente como um todo e definir condutas e diagnósticos que ficarão para toda a vida. Esse é o diferencial da Clínica Médica”, finaliza. 

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