Ciclo Básico

Sutura: tipos, princípios básicos, objetivos, técnicas, fios!

Sutura: tipos, princípios básicos, objetivos, técnicas, fios!

Compartilhar

SanarFlix

9 minhá 972 dias

Suturas são o conjunto de manobras realizadas para unir tecidos com a finalidade de restituir a anatomia funcional. 

A sutura É definida pela aproximação das estruturas teciduais através da disposição ordenada de inúmeros nós cirúrgicos e exige conhecimento da técnica, dos fios e de suas aplicações em cada tipo de tecido.

Baixe 40 Casos Clínicos gratuitos na Revista SanarMED

Objetivos da Sutura:

Os 4 objetivos básicos de uma sutura são:

  1. evitar infecção da ferida,
  2. promover a hemostasia,
  3. diminuir o tempo de cicatrização e
  4. favorecer um resultado estético.

As suturas devem ser realizadas em feridas limpas, feridas com contaminação recente  e feridas sem infecção.

Para se realizar uma boa sutura, algumas normas básicas são necessárias:

  • Assepsia adequada: infecções podem fazer deiscência de sutura, por que enfraquecem e destroem os tecidos.
  • Bordas regulares: facilita a exposição das suturas e sua execução.
  • Boa captação das bordas: bordas bem alinhadas e coaptadas facilitam o processo de cicatrização, reduz formação de queloides e contribui para uma melhor estética.
  • Hemostasia: hematomas dificultam a cicatrização e favorece infecções (meio de cultura para os microrganismos). Cuidado! Excesso de hemostasia pode fazer isquemia e promover necrose tecidual.
  • Evitar espaço morto: pode haver acúmulo de líquidos e afastar os tecidos.
  • Realizar por planos: promove bom confrontamento das bordas e evita o espaço morto.
  • Realizar a técnica adequadamente: adequar a sutura ao tecido, com relação a tensão, tipo de fio e espaçamento correto entre os pontos.
  • Evitar isquemia e corpos estranhos
  • Utilizar material apropriado

Quando não suturar

Não devemos suturar quando estamos diante de:

  • Feridas/lesões infectadas
  • Mordidas de animais
  • Perfurações profundas
  • Debris que não podem ser completamente removidos
  • Suturas que demandam muita tensão do tecido
  • Feridas com sangramento ativo não controlado
  • Feridas superficiais (escoriações e erosões)

Aulas de Sutura Exclusivas para Assinantes Sanarflix 

Qual material utilizar?

Pinças de dissecção

São instrumentos de apreensão dos tecidos, favorecendo sua manipulação. Podem ser atraumáticas (anatômica) ou traumáticas com “dente de rato”, que são usadas na confecção de pontos na pele.

Porta agulhas

São usados para a condução da agulha curva.

Agulhas

Podem ser curvas (mais usadas) ou retas;  traumáticas, quando o fio não vem montado e há um orifício para sua colocação  ou atraumáticas, ou seja, já montadas com o fio.

Fios cirúrgicos

Podem ser de origem sintética ou orgânica e monofilamentares (levam à menor reação inflamatória) ou multifilamentares. Se fossemos pensar em fio ideal, ele deveria ter as seguintes características: ter a resistência tênsil igual a dos tecidos, ser fino, regular, flexível, ter pouca reação tecidual e baixo custo.

Os fios ainda podem ser classificados em absorvíveis não absorvíveis:

  • Fios Absorvíveis:
    • Origem animal: Catgut simples e cromado
    • Origem sintética: Vycril, Dexon, Monocryl, Vycril Rapid e PDS II
  • Fios Não absorvíveis:
    • Origem animal: seda
    • Origem vegetal: Linho e Algodão
    • Origem sintética: Mononylon (poliamida), Prolene (polipropileno), Mersilene, Polycot, Aciflex

Os fios não absorvíveis, na maioria das vezes, não precisam ser retirados e levam à menor reação inflamatória.

O calibre dos fios varia de nº 0 até nº 12.0. Quanto menor o número de zeros, maior é o calibre do fio, portanto, um fio 2.0 (dois zeros) é mais calibroso que o fio 4.0 (quatro zeros).

Isso é importante por que cada calibre do fio exerce uma tensão na sutura, sendo necessária a escolha do calibre adequado.

Além disso, cada calibre tem sua aplicação: oftalmologia e microcirurgia (7.0 – 12.0); face e vasos (6.0); face, pescoço e vasos (5.0); mucosa, tendão e pele- abdome e tronco (4.0); pele- extremidades e intestino (3.0); pele- extremidades-, fáscia e vísceras (2.0); parede abdominal, fáscia e ortopedia (0-3)

A escolha da sutura

A sutura pode ser contínua ou descontínua.

Na sutura descontínua os fios são fixados separadamente, podendo variar a tensão de acordo com a necessidade em cada ponto. É considerada mais segura, já que o rompimento de um ponto não inviabiliza a sutura toda.

É menos isquemiante, confere maior permeabilidade à ferida e consegue força tensil maior e de modo mais rápido. Como desvantagens, possui uma elaboração mais lenta e trabalhosa.

Na sutura contínua, o fio é passado do início ao fim sem interrupções. É  uma sutura de execução mais rápida que a descontínua. É mais hemostática, tendo a mesma tensão em todo percurso da sutura.

Como desvantagens, pode ser estenosante e impermeável e o rompimento de um ponto pode comprometer toda a sutura. Além disso, a sutura contínua tem uma tendência a reduzir a microcirculação das bordas da ferida, prolongando a fase destrutiva da cicatrização e aumentando formação de edema.

Geralmente usa-se fios absorvíveis nas suturas contínuas.

Quais são os pontos de sutura?

Pontos descontínuos

Ponto Simples: É um dos mais utilizados, sendo considerado ponto universal. É ótimo para sutura de pele.

Ponto simples
         

Ponto simples invertido: Variação do ponto simples, onde o nó fica oculto dentro do tecido. É um ponto de sustentação permanente que tem a finalidade de reduzir a tensão na linha de sutura.

Donatti ou U vertical: É a associação de dois pontos simples. Cada lado da borda é perfurado duas vezes.  A primeira transfixação ocorre há até 10mm da borda e inclui pele e camada superior do subcutâneo. A segunda perfuração é transepidérmica, há cerca de 2mm da borda. Esse ponto é também conhecido como “longe-longe, perto-perto”.

É um ponto que promove boa hemostasia, sendo mais utilizado quando há hemorragia subdérmica e dérmica. Reduz tensão e promove boa coaptação das bordas, evitando sua invaginação, entretanto, o resultado estético é inferior.

Donati

Ponto em U horizontal ou Colchoeiro: É semelhante ao Donatti, diferindo na posição horizontal das alças. É usado para produzir hemostasia e em suturas com alguma tensão (como cirurgia de hérnias, suturas de aponeurose), que impede a coaptação perfeita das bordas.

Ponto em X: Executado para que fique duas alças cruzadas. Esse ponto aumenta a superfície de apoio de uma sutura para hemostasia ou aproximação. É usado em fechamento de paredes e suturas de aponeurose, músculos, e até em couro cabeludo.

Ponto em X
Fonte: APOSTILA DE TÉCNICA CIRÚRGICA. BRASÍLIA: UNB, 2005

Pontos contínuos

Chuleio simples: É o tipo de sutura de mais rápida e fácil execução e pode ser aplicada em qualquer tecido com bordas não muito espessas. É muito usada em suturas de vasos, por que faz boa hemostasia e pode ser usada também em peritônio, músculos aponeurose e tela subcutânea.

Chuleio simples

Chuleio ancorado: É uma variação do chuleio simples. Aqui o fio passa externamente por dentro da alça anterior, fazendo uma âncora, antes de ser tracionado. É mais hemostática que a anterior e por isso mais isquemiante. Atualmente é pouco utilizada.

Chuleio ancorado
Fonte: APOSTILA DE TÉCNICA CIRÚRGICA. BRASÍLIA: UNB, 2005

Intradérmica: É um tipo de sutura que tem um ótimo resultado estético. Nessa técnica a agulha passa horizontalmente através da derme superficial, paralelo à superfície da pele, aproximando as bordas. Por isso não deixa impressões de sutura no tecido externo. Deve ser usado em feridas com pouca tensão.

Ponto intradérmico

Que tipo de sutura e qual fio escolher?

Tabela de Tipos de Suturas por Tecido, Fios e Calibres 
Tecido Sutura mais recomendada Fio Calibre
Pele Descontínuos: simples ou Donetti
Contínuos: intradérmico
Não absorvível em tempo médio ou longo 4-0 ou 5-0
Subcutâneo Nenhuma, pontos simples ou chuleio Absorvível em tempo curto ou médio 3-0 a 5-0
Musculatura Pontos simples, em U ou X sem apertar Absorvível em tempo médio ou longo 2-0 ou 3-0
Aponeurose Pontos simples ou chuleio Não absorvível ou absorvível em tempo longo 0 ou 1


Profilaxia antitetânica

A profilaxia do tétano acidental é extremamente importante, por isso devemos ficar atentos à situação vacinal de cada paciente que chega com um ferimento e ao tipo de ferida.

Profilaxia para tétano - Sanar Medicina
Fonte: Ministério da Saúde

Ferimentos com baixo risco: Ferimentos superficiais, limpos, sem corpos estranhos ou tecidos desvitalizados

Ferimentos com alto risco: Ferimentos profundos ou superficiais sujos; com corpos estranhos ou tecidos desvitalizados; queimaduras; feridas puntiformes ou por armas brancas e de fogo; mordeduras; politraumatismos e fraturas expostas.

Confira o vídeo:

Referências

  1. GOFFI, F. S.; TOLOSA, E. M. D. C. Técnica cirúrgica: bases anatômicas, fisiopatológicas e técnicas da cirurgia. 4. Ed. São Paulo: Atheneu, v. único, 1997.
  2. MARQUES, R. G. Técnica Operatória e Cirurgia Experimental. 1 ed. São Paulo. Guanabara Koogan, v. único, 2005
  3. MAGALHÃES, R. G. Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental. São Paulo: Sarvier, 1996
  4. Mélega JM. Cirurgia Plástica Fundamentos e Arte; Princípios Gerais. Rio de Janeiro: Médisi; 2002.
Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.