Infectologia

Tétano: o que é, Etiopatogenia e Fisiopatologia

Tétano: o que é, Etiopatogenia e Fisiopatologia

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O Tétano é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada pela ação de um dos componentes da exotoxina do Clostridium tetani sobre as células nervosas do Sistema Nervoso Central (SNC).

A doença é caracterizada por hipertonia da musculatura estriada, generalizada ou não, acometendo, preferencialmente, os seguintes músculos: masseteres (trismo), musculatura paravertebral (opistótono), músculo da nuca (rigidez da nuca), músculo da parede anterior do abdome (rigidez abdominal), musculatura dos membros (predominando as dos membros inferiores).

A contratura presente nesses pacientes é permanente, se intensificando, paroxisticamente, em consequência de estímulos luminosos, manuseio do paciente, secreções, tosse, micção e deglutição, constituindo o chamado espasmo ou convulsão tônica, o sintoma mais temido, pois é o responsável pela maioria dos óbitos, nesses casos.

SE LIGA! O tétano é uma doença de notificação compulsória.

Etiopatogenia e Fisiopatologia Tétano

O agente etiológico do tétano é o C. tetani, bacilo gram-positivo, esporulado, morfologicamente semelhante a um alfinete de cabeça. Sua mobilidade é assegurada por 30 – 50 cílios, é um organismo anaeróbio e, sob condições adversas de sobrevivência, esporula (forma que lhe confere resistência por vários anos).

Quando as condições ambientais são favoráveis, germina e assume a forma vegetativa, altamente neurotrópica, que tem a potência superada pela toxina botulínica.

VOCÊ SABIA? O esporo tetânico é a forma resistente do C. tetani que permite sua sobrevivência por longo tempo. Em laboratório, este esporo conserva a sua capacidade de germinação e virulência por até 29 anos.

A capacidade de produção de toxina tetânica (tetanolisina e tetanospasmina) varia com a cepa do C. tetani, com o meio de cultura e a síntese dessa toxina guarda relação inversa com a sua capacidade de esporulação.

A produção da toxina nos animais inoculados com esporos tetânicos começa sob condições anaeróbias dentro de 4 – 8 horas da inoculação, atingindo seu máximo após o final da fase ativa de crescimento.

A toxina tetânica pode ser degradada pela ação da tripsina ou papaína em diferentes fragmentos, cada um dos quais tem sido incriminado por diferentes manifestações da doença.

SE LIGA! Os principais fragmentos da degradação da toxina tetânica são: alfa-1, beta-1, beta-2 e o gama. O fragmento beta é responsável por causar asfixia, insuficiência cardíaca e exaustão em animais de laboratório, sem causar espasmos musculares ou hipertonia.

O C. tetani é comumente encontrado na natureza sob a forma de esporo, em locais como: terra ou areia, principalmente quando contaminadas com fezes de animais; espinhos de arbustos e pequenos galhos de árvores; águas putrefatas; pregos enferrujados; instrumentos de lavoura; latas velhas contaminadas com poeira de rua ou terra; fezes de animais e humanos; e fios de categute e agulhas de infeção não esterilizadas de forma adequada.

O bacilo se multiplica com mais facilidade na presença de certas substâncias (ácido lático, sais de cálcio, quinina) que baixam o potencial de oxirredução dos tecidos.

A ocorrência do tétano está relacionada a existência de solução de continuidade na pele ou mucosas, que seja contaminada pelo esporo tetânico e apresente condições de anaerobiose que permitam a germinação do bacilo e a produção de sua toxina, nos pacientes que não apresentam imunidade antitetânica adquirida naturalmente ou por meio da imunização.

A imunidade antitetânica pode ser adquirida através da vacinação ou naturalmente, sendo que essa segunda forma ocorre com mais frequência em animais, mas também ocorre nos seres humanos, atribuindo-se seu mecanismo de aquisição a presença do C. tetani na flora digestiva ou por meio de infecções subclínicas pelo microrganismo em lesões cutâneas.

O período de incubação (tempo que varia entre a lesão provável causadora da infecção tetânica e o surgimento dos primeiros sinais e sintomas da doença) é de 5 – 15 dias. Este tempo é a expressão clínica do tempo que o bacilo leva para germinar no foco de infecção, liberar a neurotoxina tetânica, e esta agir e fixar-se às células nervosas, provocando-lhes alterações funcionais.

Nem sempre esse período é determinado, pois, muitas vezes, não é possível determinar o foco de infecção. Além disso, mesmo nos pacientes com ferimento caracterizado, a infecção pelo esporo tetânico pode ter ocorrido algum tempo após o momento do ferimento, quando a ferida permanece aberta em contato com o meio ambiente.

Ademais, o período de progressão (24 – 72 horas), que é o tempo entre o primeiro sinal ou sintoma e o primeiro espasmo da doença, não pode ser determinado no tétano benigno, visto que os pacientes não desenvolvem espasmos.

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